Há vinha a crescer junto ao aeroporto

REPORTAGEM
Samuel Alemão

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Marvila

9 Junho, 2016


Se imagem mais emblemática se procurasse, seria difícil encontrá-la. Os dois hectares com encepamentos das castas Arinto, Touriga Nacional e Tinta Roriz resplandecem na sua vitalidade vegetativa, sob um sol generoso, implantados num terreno de Marvila virado para a pista do Aeroporto Humberto Delgado. Há aviões a aterrar e a levantar a toda hora. A meio-caminho da pista, num plano mais aproximado, o fluxo contínuo dos carros e camiões não nos deixa esquecer que a Segunda Circular é logo ali. E, no entanto, do alto desta encosta denominada Vinha de Lisboa ou Parque Vitícola de Lisboa, a tranquilidade prevalece.

Há vinha a crescer junto ao aeroporto

“De facto, este não é um lugar qualquer. É gratificante ver que isto está a frutificar, depois do trabalho que aqui fizemos”, diz ao Corvo José Luís Silva, o director da Casa Santos Lima, empresa que estabeleceu um contrato de arrendamento com a Câmara Municipal de Lisboa (CML) para explorar esta vinha, que foi pela primeira vez aberta aos olhares de visitas, ao princípio da tarde desta quinta-feira (9 de junho) – o momento serviu de cenário para a conferência de imprensa de apresentação do Encontro de Vinhos de Lisboa, que decorrerá nos dias 30 de junho, 1 e 2 de Julho no Mercado da Ribeira e se prolonga até 10 de julho, na Rua Augusta, com uma feira e mostra de vinhos e produtos da Região de Lisboa.

Há vinha a crescer junto ao aeroporto

Neste momento, as vinhas situadas junto ao aeroporto ainda estão na sua juventude, visto que começaram a ser plantadas em Março de 2015, na sequência do acordo estabelecido, há dois anos, entre a autarquia e a empresa sedeada em Alenquer. Ainda não será na próxima vindima, portanto, que se poderá esperar obter daqui a fruta em quantidade e qualidade suficientes para vinificar. Para 2017 será diferente. “Respondemos a este desafio da Câmara de Lisboa e estou satisfeito por o termos feito. Quando avançámos para isto, alguns chamaram-me maluco”, recorda José Luís Silva, que lembra o facto da sua empresa fazer já a exploração das vinhas do Instituto Superior de Agronomia, na Ajuda.

Há vinha a crescer junto ao aeroporto

Ao Corvo, o vereador da Estrutura Verde, José Sá Fernandes, não escondeu também o orgulho na aposta aqui feita. “Isto é muito importante do ponto de vista paisagístico, ajudando a revitalizar a cobertura vegetal da cidade. Ao mesmo tempo, tem um carácter simbólico, pois Lisboa é a única capital do mundo que tem uma região vinícola a menos de meia-hora de distância. E na Europa não encontra nenhuma capital com uma vinha no seu perímetro urbano. Berlim, Madrid ou Paris não têm uma coisa destas”, assevera o autarca.

Há vinha a crescer junto ao aeroporto

O mesmo salientou Vasco Avillez, presidente da Comissão Vitivinícola Regional de Lisboa, lembrando a singularidade da localização deste vinhedo urbano. “Todos temos, em Portugal, uma relação especial com a vinha e o vinho. Fazia falta haver uma coisa destas, que serve de montra. O aeroporto de Lisboa é um ponto de encontro de todos nós, portugueses”, afirmou ao Corvo o dirigente associativo, lembrando a felicidade de a região vitivinícola que dirige ter o nome da capital do país – algo só concretizado a partir de 2007, quando se deixou para trás a designação Estremadura. “No nosso país, há dois grandes nomes para vinhos: o Porto já estava entregue e Lisboa foi uma escolha acertada”.

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