Se imagem mais emblemática se procurasse, seria difícil encontrá-la. Os dois hectares com encepamentos das castas Arinto, Touriga Nacional e Tinta Roriz resplandecem na sua vitalidade vegetativa, sob um sol generoso, implantados num terreno de Marvila virado para a pista do Aeroporto Humberto Delgado. Há aviões a aterrar e a levantar a toda hora. A meio-caminho da pista, num plano mais aproximado, o fluxo contínuo dos carros e camiões não nos deixa esquecer que a Segunda Circular é logo ali. E, no entanto, do alto desta encosta denominada Vinha de Lisboa ou Parque Vitícola de Lisboa, a tranquilidade prevalece.

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“De facto, este não é um lugar qualquer. É gratificante ver que isto está a frutificar, depois do trabalho que aqui fizemos”, diz ao Corvo José Luís Silva, o director da Casa Santos Lima, empresa que estabeleceu um contrato de arrendamento com a Câmara Municipal de Lisboa (CML) para explorar esta vinha, que foi pela primeira vez aberta aos olhares de visitas, ao princípio da tarde desta quinta-feira (9 de junho) – o momento serviu de cenário para a conferência de imprensa de apresentação do Encontro de Vinhos de Lisboa, que decorrerá nos dias 30 de junho, 1 e 2 de Julho no Mercado da Ribeira e se prolonga até 10 de julho, na Rua Augusta, com uma feira e mostra de vinhos e produtos da Região de Lisboa.

 

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Neste momento, as vinhas situadas junto ao aeroporto ainda estão na sua juventude, visto que começaram a ser plantadas em Março de 2015, na sequência do acordo estabelecido, há dois anos, entre a autarquia e a empresa sedeada em Alenquer. Ainda não será na próxima vindima, portanto, que se poderá esperar obter daqui a fruta em quantidade e qualidade suficientes para vinificar. Para 2017 será diferente. “Respondemos a este desafio da Câmara de Lisboa e estou satisfeito por o termos feito. Quando avançámos para isto, alguns chamaram-me maluco”, recorda José Luís Silva, que lembra o facto da sua empresa fazer já a exploração das vinhas do Instituto Superior de Agronomia, na Ajuda.

 

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Ao Corvo, o vereador da Estrutura Verde, José Sá Fernandes, não escondeu também o orgulho na aposta aqui feita. “Isto é muito importante do ponto de vista paisagístico, ajudando a revitalizar a cobertura vegetal da cidade. Ao mesmo tempo, tem um carácter simbólico, pois Lisboa é a única capital do mundo que tem uma região vinícola a menos de meia-hora de distância. E na Europa não encontra nenhuma capital com uma vinha no seu perímetro urbano. Berlim, Madrid ou Paris não têm uma coisa destas”, assevera o autarca.

 

 

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O mesmo salientou Vasco Avillez, presidente da Comissão Vitivinícola Regional de Lisboa, lembrando a singularidade da localização deste vinhedo urbano. “Todos temos, em Portugal, uma relação especial com a vinha e o vinho. Fazia falta haver uma coisa destas, que serve de montra. O aeroporto de Lisboa é um ponto de encontro de todos nós, portugueses”, afirmou ao Corvo o dirigente associativo, lembrando a felicidade de a região vitivinícola que dirige ter o nome da capital do país – algo só concretizado a partir de 2007, quando se deixou para trás a designação Estremadura. “No nosso país, há dois grandes nomes para vinhos: o Porto já estava entregue e Lisboa foi uma escolha acertada”.

 

Texto: Samuel Alemão

 

  • INTER
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    So many things to discovery at my city https://t.co/pE46jhFaNG

  • Tuga News
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    [O Corvo] Há vinha a crescer junto ao aeroporto https://t.co/Ng9qZ3EDP2 #lisboa

  • Lxwalk
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    Também há vinha em Montmartre…

  • Emídio Petinga
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    Esta vinha tem uma extraordinária beleza por se encontrar ao lado duma das artérias mais concorridas de Lisboa, a Av. Marechal Gomes da Costa, e a dois passos do aeroporto da capital. Foi plantada no morro vizinho à Rotunda do Relógio, e só pode ser vista, para quem viaja de carro, a partir da descida da 2ª circular rumo ao Oriente. É de apreciar.

  • Vasco
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    Lugar parvo para fazer vinhas. É um terreno ligeiramente inclinado, cuja localização seria boa para construção. O vale de chelas perto da linha férrea, esse sim, é muito melhor para espaços verdes e óptimo para vinhas.

    • JOAQUIM LOPES
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      Que parvos foram quem plantou vinhas nas margens do Douro. Aquilo com tanto declive era bom para construção.

      • Vasco
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        As vinhas do douro não são dentro da cidade do Porto. E mesmo que fossem, são terrenos e encostas de grande declive. Em Lisboa usem os locais de grande declive para tais fins e guardem os terrenos planos para futura construção. Não tem sentido construir em vales e depois usar terrenos quase planos para espaços verdes.

    • Isabel
      Responder

      Neste terreno não se pode construir, devido à proximidade do aeroporto. Se fosse possível construir, de certeza que não haveria vinha.

  • Carlos Maciel
    Responder

    Há vinha a crescer junto ao aeroporto https://t.co/MDYAbUy93n

  • Lonha Heilmair
    Responder

    O Sr. José Sá Fernandes diz muita coisa. Viena de Áustria tem, dentro dos seus limites, por volta de 400 ha de vinha, até Berlim, numa zona pouco propícia para tal cultivo, tem vinha bem no centro da cidade. O que não tira o brilho ao facto em si, mas deixem-se lá de bazófias!

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