É com uma produção de Hollywood (Robocop) que inicia hoje à tarde, na Cinemateca, mais um IndieLisboa. Um arranque pouco convencional (e violento) para um festival de cinema independente, e que se justifica pelo facto de o realizador Paul Verhoeven ser o homenageado da secção Herói Independente. Mas, como há mais 288 filmes para ver até 1 de Maio, sugerimos um percurso por Lisboa através de cinco filmes.

 

Texto: César Avó

 

É fácil perdermo-nos no IndieLisboa, tal a variedade de propostas, dividida em secções, sessões e actividades paralelas entre a Culturgest, o São Jorge, a Cinemateca e o Ideal, entre outros espaços. Para nortear o espectador, além da consulta da programação em indielisboa.com e da app, Carlos Ramos, um dos directores do festival, traçou ao Corvo um mapa da cidade com uma mão cheia de filmes.

 

Chiado. Estive em Lisboa e Lembrei de Você (Culturgest, dia 28 às 19h e dia 30 às 14h45)

 

De um realizador português a viver no Brasil, José Barahona, chega esta longa-metragem (foto de abertura) que versa sobre um brasileiro que emigra para Portugal. “Lisboa é a cidade que o acolhe. Deambula pela cidade e acontecem episódios por toda a Lisboa, mas há um foco maior na zona histórica. Fica a viver numa pensão no Chiado e há cenas no restaurante Palmeira, que entretanto fechou”. Baseado num livro homónimo de Luiz Ruffato, é um dos quatro filmes a concurso na competição nacional.

 

Avenida Almirante Reis. Balada de um Batráquio (São Jorge, dia 26 às 19h e dia 28 às 21h30)

 

Vencedor do Urso de Ouro em Berlim, a obra de Leonor Teles compete nas curtas nacionais e internacionais. “Leonor Teles junta aqui a sua infância, o seu arquivo, e faz um trabalho experimental sobre o preconceito contra os ciganos de se colocarem sapos à porta das lojas. É um filme supreendente e divertido, no qual a realizadora entra de uma forma activa e militante.”

 

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Estrela. Putos da Estrela (Culturgest e São Jorge, dias 21 a 29)

 

Filmado no Jardim da Estrela e realizado por Carolina Caramujo, parte da base documental (as respostas de quatro petizes a um inquérito) para uma incursão na ficção. “O Jardim da Estrela passa a ser o cenário das personagens criadas pelas crianças e há narrativas que ali ganham vida.” O filme está incluído na secção Indie Júnior.

 

Largo do Carmo. Os Cravos e a Rocha (São Jorge, dia 25, 21h45)

 

Projectado numa sessão especial comemorativa do 25 de Abril que inclui o documentário A Ilha dos Ausentes, de José Vieira, Os Cravos e a Rocha é um documentário de Luísa Sequeira sobre a revolução e a vinda do realizador brasileiro Glauber Rocha a Portugal para filmar o momento histórico. “Assim que se deu o 25 de Abril, Glauber Rocha veio fazer uma espécie de cinema do povo, um registo colectivo da revolução dos cravos. São essas imagens que estão trabalhadas pela Luísa Sequeira.”

 

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Bairro 6 de Maio. Hora di Baio (São Jorge, dia 29 às 19h).

 

Em bom rigor, a acção (e o protagonista) desta curta fica fora dos limites do concelho de Lisboa: o Bairro 6 de Maio fica paredes meias com as Portas de Benfica. Com a assinatura de Bruno Leal, é um documentário sobre a vivência dos habitantes, de origem cabo-verdiana, naquele bairro de origem clandestina. “Há um sentimento que percorre o filme, porque por um lado há os laços criados pelas pessoas, há muitos anos, e por outro o morrer do bairro, com os depoimentos de quem ainda lá vive”. Hora di Baio está na secção Novíssimos.

 

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