Uma vez por ano, é uma porta que se franqueia para o interior da história de Lisboa. As galerias romanas da Rua da Prata, construídas no século I, estarão abertas a visitas gratuitas do público, desta sexta-feira até domingo, entre as 10h e as 18h. Como nos anos anteriores, é aconselhável a quem esteja interessado em lá entrar a jogar na antecipação, pois as filas e os tempos de espera são por regra grandes. Ir munido de calçado com sola antiderrapante será uma boa dica, pois o pavimento está sempre molhado.

 

Tal sucede porque, à excepção destes momentos em que as galerias são abertas a visitas – altura em que se tem que recorrer a moto bombas para de lá retirar a água -, o seu interior se encontra quase sempre submerso pelos lençóis freáticos. É ali que se vão depositar, antes de se encontrarem com o caudal do Tejo, as águas aluviares das antigas ribeiras de Valverde e de Arroios, hoje ocupadas respectivamente pelas Avenidas da Liberdade e Almirante Reis. De fundo arenoso, sempre foi, por isso, uma zona muito instável na sua geologia.

 

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Os romanos perceberam-no e trataram de construir esta estrutura, conhecida como criptopórtico – tipo de construção abobadada utilizada em terrenos considerados instáveis ou de topografia irregular com o objectivo de criar uma plataforma de suporte a outras edificações. A sua edificação foi realizada sobre uma espessa camada de uma argamassa usada pelos romanos na época dos Imperadores Júlio-Cláudios (primeira metade do século I d.c.), a qual serviu de embasamento sobre as areias fluviais. Por cima dela, levantaram-se abóbadas em cantaria de pedra almofadada.

 

As galerias, que durante muito tempo – e, por vezes, ainda hoje – foram chamadas de “termas romanas”, cumpriam assim a função de cama ao que se pensa terem sido construções relacionadas com as actividades comerciais e portuária. Após o fim desse época histórica, a sua existência manteve-se desconhecida até 1771, quando se realizavam trabalhos relacionados com a reconstrução causada pelo terramoto de 1755. Dessa descoberta, resta hoje uma inscrição romana dedicada a Esculápio, o Deus da Medicina.

 

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As galerias viriam então a servir de alicerce aos prédios erguidos durante o período pombalino. Já em meados do século XIX, a Câmara Municipal de Lisboa decidiu estancar o edifício, passando o mesmo a funcionar como “Conservas de Água da Rua da Prata”, cisterna na qual se abastecia a população local – foi durante esses trabalhos que se observaram, pela única vez, os resquícios das edificações romanas outrora existentes sobre as galerias. Análises posteriores à qualidade da água determinavam, pouco anos depois, o encerramento. Voltaram a abrir para visitas regulares do público na década de 1980.

 

A entrada nas galerias é gratuita e realiza-se  junto ao  número 77 da Rua da Conceição.

 

Texto e fotografias: Samuel Alemão

  • Hugo Mendes
    Responder

    Galerias romanas abertas (Rua da Prata) até domingo. http://t.co/UV4rs9HuA2 #lisboa #lisbon #lx

  • mendes joao-carlos
    Responder

    RT @hmendes: Galerias romanas abertas (Rua da Prata) até domingo. http://t.co/UV4rs9HuA2 #lisboa #lisbon #lx

  • Jaime Ribeiro
    Responder

    A malta de cá gosta da unidade (o farol do Bugio ce la meme chose). Hoje às dez e tal a fila já tinha umas boas dezenas de metros (mmo assim entram 20 a 25 pessoas por grupo e dura uns 15´) de maneira que fica pró ano sr. antónio costa.

  • Ana Paula Cardoso
    Responder

    O Sr António Costa não tem culpa… As galerias só são abertas uma vez por ano por questões de segurança… Cheguei às 9h e às 11h já estava a entrar 🙂

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