Lamentável. Assim qualifica o presidente da Junta de Freguesia das Avenidas Novas, o social democrata Daniel Gonçalves, a atitude da Câmara Municipal de Lisboa (CML), por permitir que o Pavilhão Carlos Lopes, abandonado há mais de 10 anos e a degradar-se, continue sem solução à vista.

O pavilhão, para o qual a autarquia revelara, em 2014, haver um projecto de recuperação que o transformaria num Centro de Congressos – ideia essa a desenvolver em parceria com várias instituições, entre elas a Associação de Hotelaria de Portugal (AHP) –, volta agora a não ter destino definido, nem reabilitação garantida.

A Câmara Municipal de Lisboa decidiu pôr de parte a ideia, na sequência do protesto da AHP contra a criação da taxa de Turismo, com cujas verbas a autarquia pensava financiar a construção do Centro de Congressos.

A desistência do projecto foi anunciada pelo vice-presidente da CML, Fernando Medina, numa reunião do executivo, no passado dia 28 de Janeiro. Segundo a Lusa noticiou na altura, a câmara, disse Fernando Medina, “não irá apoiar nem financiar o centro de congressos”, devido ao “pronunciamento público” da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).

Nessa reunião, Fernando Medina disse também que “o projeto não era da Câmara, era apenas uma pretensão acompanhada por várias instituições públicas” e para a qual não foi possível obter fundos comunitários.

No entanto, tal não impedira antes o vereador Manuel Salgado de o assumir como seu, quando em Março de 2014 apareceu no programa da SIC “Abandonados”, numa edição dedicada àquele exemplar do património da cidade. Nela, o vereador do Urbanismo não só apresentou o projecto, que disse ter um custo previsto de 50 milhões de euros, como afirmou que a autarquia esperava tê-lo “em obra até ao final do mandato”.

Na sequência do anúncio da desistência do Centro de Congressos, O Corvo questionou a autarquia sobre qual a alternativa então prevista. Mas, para já, nada está definido.

“Quando houver informação nova, ela será anunciada pela Câmara Municipal de Lisboa”, limitou-se a dizer fonte do gabinete de comunicação da autarquia.

Esta situação é “lamentável”, considera agora o presidente da Junta de Freguesia das Avenidas Novas, em cujo território se localiza o pavilhão – inicialmente construído no Rio de Janeiro, Brasil, para a Grande Exposição de 1922, só mais tarde foi erguido junto ao Parque Eduardo VII, onde funcionou como Pavilhão dos Desportos, antes de, na década de 80, se transformar no Pavilhão Carlos Lopes.

“Fico chocado, mas acima de tudo triste, por ver o desprezo que a CML tem tido no caso do Pavilhão Carlos Lopes. É lamentável que a CML tenha deixado degradar um edifício com tremendo valor cultural, patrimonial e afetivo para os Lisboetas” disse ao Corvo Daniel Gonçalves.

O autarca não apresenta qualquer ideia para a reabilitação daquele património, algo que, disse, “é da competência exclusiva da câmara”.

“Relativamente ao que deverá ser feito julgo que compete ao Dr. António Costa encontrar uma solução para financiar a recuperação deste emblemático Pavilhão de Lisboa, recorrendo, eventualmente, a parcerias que permitam resolver com urgência esta questão”, diz.

O Corvo tentou igualmente ouvir a direcção da Associação de Hotelaria de Portugal sobre a questão que inviabilizou a recuperação do Pavilhão, mas na AHP ninguém se quis pronunciar. Apenas remeteram O Corvo para o parecer enviado a 3 de dezembro de 2014, à Câmara Municipal de Lisboa.

Nele, considera: “Já quanto ao Centro de Congressos (…), a escassa informação que se conhece e a parca fundamentação apresentada não permitem uma adequada e rigorosa avaliação por parte da AHP. A matéria carece de profunda reflexão (…) e um estudo independente, rigoroso e exaustivamente fundamentado que justifique um grande investimento numa infraestrutura deste tipo”.

“Para o efeito, será necessário avaliar, quer as variáveis económico-financeiras que o sustentem, quer a procura internacional para essa megaestrutura, quer a já existente oferta de espaços, seja em hotéis, ou outros, já aptos ou facilmente reconvertíveis para acolher eventos de média e grande dimensão”, acrescenta.

 

Texto: Fernanda Ribeiro

  • Paulo Magalhães
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    Apesar de não concordar com o estado de abandono do edifício, mas tenho a curiosidade se Presidente da Junta fosse socialista se a posição dele seria a mesma ?

  • Catarina Morais
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    Basta dizer que qd o PSD esteve na CML não resolveu nada.

  • Salomão Antunes
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    João, ainda vamos a tempo de transformar isto numa arena de espectáculos.

  • Helena Galamba
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    É inacreditável.

  • Maria José Pinto
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    Uma autêntica tristeza.

  • josemssantos
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    Futuro do Pavilhão Carlos Lopes volta à estaca zero e junta responsabiliza câmara | O Corvo | sítio de Lisboa http://t.co/xtfQXChpRp

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