Freguesia de Santa Maria Maior aperta fiscalização para quem não cumprir regras do lixo

REPORTAGEM
Sofia Cristino

Texto

AMBIENTE

Santa Maria Maior

31 Maio, 2018

Santa Maria Maior é uma das freguesias com mais lixo de Lisboa e, por isso, a Junta de Freguesia andou esta quarta-feira (30 de Maio), numa acção de sensibilização junto de comerciantes e moradores para que limpem o espaço público e separem os resíduos. Alguns foram receptivos ao apelo, mas outros estranharam o pedido, argumentando que “toda a gente coloca o lixo na rua”. Há ainda quem atribua a culpa aos outros. “Isto está uma javardice. E é sujo por gente que não é nossa. A culpa é deles!”, acusava um morador. Nesta iniciativa pedagógica também houve espaço para a participação de crianças de escolas da freguesia, que receberam ecopontos. Na freguesia onde vivem menos pessoas do que aquelas que por lá passeiam, a preocupação da junta tem vindo a aumentar nos últimos anos. “Ou servimos os residentes ou os turistas. E, claro, a nossa prioridade são os residentes”, diz o presidente da junta de freguesia, sem deixar de criticar os alojamentos locais que metem o lixo na rua ao meio-dia.

 

“Qual é o problema de colocar o lixo aqui, agora? Toda a gente o faz”, diz um morador de nacionalidade brasileira, na Rua Benformoso, no Martim Moniz, quando é abordado pelo presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho (PS), que andou na tarde desta quarta-feira (30 de Maio), a sensibilizar os moradores e comerciantes para a importância de manterem as ruas limpas. O autarca respondeu prontamente ao habitante. “Mas o facto de os outros não o fazerem não quer dizer que tenhamos o direito de o fazer. Veja no panfleto, só pode colocar o lixo na rua depois das 19h”, explicava. “Se todos utilizarem esta justificação, vamos viver numa imundice completa. É por isso que temos mesmo de sensibilizar as pessoas”, dizia, depois, em declarações a O Corvo. Os moradores e os comerciantes foram ainda elucidados a remover os dejectos dos seus animais domésticos da via pública e a não alimentar os pombos, portadores de doenças transmissíveis ao homem e responsáveis pela degradação do património.

Um pouco mais à frente, um habitante português não poupava nas críticas ao comportamento dos seus vizinhos estrangeiros e dos visitantes do bairro. “Isto está uma javardice. E é sujo por gente que não é nossa. Tem de fazer alguma coisa, a culpa é deles!”, acusava o morador num tom irritado. Enquanto os moradores iam aproveitando para fazer queixas, os elementos da divisão de Higiene Urbana da Junta de Freguesia iam distribuindo panfletos informativos da hora de recolha do lixo e do valor das coimas que os infratores podem pagar, se não cumprirem estes horários. Multas que podem ir até aos 727 euros.

 

Os comerciantes do Bangladesh, uma grande percentagem da população deste bairro multicultural, aceitavam as informações sem se manifestarem muito, até porque o idioma é diferente do presidente da Junta de Freguesia. A O Corvo dizem que a acção faz sentido. “É preciso a ajuda de todos para manter as ruas limpas, não é? É um grande problema, há lixo por todo o lado”, comentava um deles, enquanto assistia a uma conversa do presidente da junta com outro morador sobre quem teria colocado uma caixa de cartão no contentor do lixo orgânico.

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A pedagogia para a higiene pública faz-se porta a porta

Uma das grandes dificuldades em inspeccionar eficazmente quem coloca o lixo na rua, explica Miguel Coelho, é a falta de acompanhamento da Polícia Municipal nos momentos da fiscalização. “Não podemos exigir que as pessoas se identifiquem sem a presença da polícia e acabam por não sentir tanto os efeitos dos seus actos. Por isso, vamos incrementar o nosso nível de fiscalização para que elas sintam que não cumprir também pode trazer consequências, designadamente pôr o lixo na rua a qualquer hora e de qualquer forma, sem disciplina”, explica Miguel Coelho.

 

Depois de percorrida a Rua Benformoso e de uma subida pela Rua dos Cavaleiros, até ao coração do bairro, a marcha prosseguiu até ao Largo Adelino Amaro da Costa, onde se encontravam oitenta de crianças do jardim de infância da Escola Básica Maria Barroso, da Escola Básica do Castelo e do ATL (Actividades de Tempos Livres) Ambijovem. Estes estabelecimentos de ensino receberam cerca de duas dezenas de mini ecopontos da Junta de Freguesia – um para cada sala de aula – para começarem a fazer reciclagem na escola.

 


 

“O verde é para as garrafas de vidro”, diz logo Guilherme, um dos alunos, antes do presidente da Junta de Freguesia voltar a assumir as rédeas do discurso e alertar para a importância da reciclagem. “Para que possamos substituir todo o papel que deitamos fora precisamos deitar uma árvore abaixo e se abatermos uma árvore temos menos oxigénio para respirar.  Uma garrafa de plástico demora 200 anos a renovar-se. Por isso, temos obrigação de aproveitar tudo, até o lixo”, explicava, para surpresa de alguns dos alunos, que depois desfilariam pela rua até à Sé de Lisboa em cânticos em prol da limpeza. “Lixo no chão, não!”, cantavam, recebendo elogios de vários turistas que por ali passeavam.

 

“A minha rua é linda! Quando está limpa” foi o mote da terceira edição de sensibilização para a limpeza das ruas realizada uma vez por ano pela freguesia que perdeu mais moradores e ganhou mais turistas nos últimos seis anos. Em Santa Maria Maior vivem 12 mil pessoas, um número bastante inferior ao de visitas diárias, estimado em cerca de 250 mil, dados que acrescem a preocupação já “elevada” da autarquia com a limpeza e manutenção do espaço público. “Infelizmente, já são poucos os residentes, com todo este Alojamento Local (AL). Por vezes debatemo-nos com a questão: ou servimos os residentes ou os turistas. E, claro, a nossa prioridade são os residentes. O impacto desta carga diária de visitantes é brutal”, explica Miguel Coelho.

 

 

O presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior reconhece que o lixo é um dos maiores problemas da freguesia e, por isso, tem solicitado, junto da Câmara Municipal de Lisboa (CML), uma quota da taxa turística. “Temos a expectativa de que possamos vir a fazer parte da distribuição da taxa turística. Penso que é o que a CML está a tentar fazer, mas quanto mais tempo demorar, pior para todos. Se não for possível, espero que possa ser criada uma espécie de dotação financeira extra, um contrato entre a junta e a câmara, de forma a que o município nos possa compensar da circunstância da carga turística enorme que temos”, propõe.

 

Miguel Coelho realça ainda que, mesmo que estas soluções sejam postas em prática, “nada disto funcionará, se as pessoas forem indisciplinadas e continuarem a colocar o lixo a qualquer hora do dia na rua, com o AL a colocar ao meio-dia o lixo das casas que gere”. “Só funcionará, se houver uma corresponsabilização de todos pela defesa do espaço público, a começar pelos próprios comerciantes e residentes. Tem de ser feito com mais periodicidade talvez, vamos ver se conseguimos fazer outra logo no Outono”, promete.

 

A recolha do lixo é uma competência da Câmara de Lisboa, mas acaba por ser a própria Junta de Freguesia a fazê-lo durante o dia, quando este toma proporções desmedidas, tal como O Corvo pôde presenciar nesta iniciativa pedagógica de separação de resíduos. “Investimos muito nisto em termos de recursos humanos e meios, nomeadamente em carrinhas para andarem durante o dia a recolher o lixo, como se viu hoje. Precisamos de mais meios financeiros e logísticos, claro”, concluiu.

*Nota: texto editado às 22h50 de 31 de Maio. Rectifica nome da Rua dos Cavaleiros, na anterior verão erradamente identificada como Rua de Santo António dos Cavaleiros

*Nota 2: texto editado às 12h00 de 4 de Junho. Clarifica número de frequentadores diários da freguesia de Santa Maria Maior.

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COMENTÁRIOS

  • João Pedro
    Responder

    Infelizmente esse é um problema que acontecem em toda parte em Lisboa e já estou farto de andar a chocar com sacos do lixo e ver lixo espalhado pelo chão!

  • João Pedro
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    é verdade que as pessoas são porcas mas tb é verdade que os caixotes do lixo são pequenos e totalmente inadequados. Porque não fazem como por exemplo na Amadora onde os moradores dispõem de enormes contentores de lixo ? Graças a isso nunca vejo sacos do lixo por lá, enquanto aqui em Lisboa estão por todo o lado

  • Graziano
    Responder

    Como seu hábito, o Presidente da freguesia nao podia deixar de falar mal do AL e dizer que o lixo é sobretudo responsabilidade dos turistas. Mentira. Comprei casa em Alfama no 2010, bem antes da vaga de turistas. O bairro estava uma porcaria imunda, lixo em todo lado. O “jardim de Santa Helena”, no omónimo beco, estava sempre repleto de lixo deitado pelos residentes assim como as escadinhas do beco do Garcês no cruzamento com a rua do Castelo Picão: eram verdadeiros “pontos de recolha de lixo” informais (=ilegais). Isso só para dizer da minha zona, pois não faltariam exemplos noutros cantos do bairro.
    Além disso, demonizar os turistas pela propria falta de capacidade administrativa (porque quem administra tem de resolver os problemas, não culpar os outros) faz mesmo sorrir. Ou zangar.

  • Mais alfama do que os santis
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    Este Miguel Coelho é um demagogo do pior, o grosso do lixo é feito pelos comerciantes e lojístas. E se na Mouraria eles efectivamente não votam porque não são cidadãos, em Alfama tal não acontece, pois a grande maioria são restaurantes e esses salvo raras excepções são quase todos de Portugueses, mas sim claro que a culpa para não variar é dos turistas e acima de tudo do alojamento local que é o bandido do costume. O sr. presidente precisa de se lembrar que o grosso do AL é feito por pequenos empreendedores e esses podem e devem mudar a sua residência oficial para Santa Maria Maior e acabar-lhe com a sede de protagonismo bacoco.

  • Marilia Silveira
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    Não é verdade que sejam os turistas . Os habitantes desde há muitos anos colocam o lixo à porta de casa dentro de um saco. Nem vão ao local onde estão os caixotes. Pequenos pátios não têm caixotes e as pessoas não se deslocam para deixar o lixo onde devem. Não são os turistas. Já era assim.

  • Graziano
    Responder

    Como seu hábito, o Presidente da freguesia nao podia deixar de falar mal do AL e dizer que o lixo é sobretudo responsabilidade dos turistas. Mentira. Comprei casa em Alfama no 2010, bem antes da vaga de turistas. O bairro estava uma porcaria imunda, lixo em todo o lado. O “jardim de Santa Helena”, no omónimo beco, estava sempre repleto de lixo deitado pelos residentes assim como as escadinhas do beco do Garcês no cruzamento com a rua do Castelo Picão: eram verdadeiros “pontos de recolha de lixo” informais (=ilegais). Isso só para dizer da minha zona, pois não faltariam exemplos noutros cantos do bairro.
    Além disso, demonizar os turistas pela propria falta de capacidade administrativa (porque quem administra tem de resolver os problemas, não culpar os outros) faz mesmo sorrir. Ou zangar.

  • Marilia Silveira
    Responder

    O turismo e mais turistas nas ruas acabou com outro tipo de lixo: seringas. Dado que com mais gente nas ruas e menos prédios decadentes, também tende a desaparecer esse tipo de comportamentos/ consumos publicamente ou dentro de prédios sem portas ou com portas de escada em mau estado. Há menos medo e menos lixo desta natureza. De ano para ano se vê enorme diferença para Até se pode dizer que o turismo e mais turistas nas ruas acabou com outro tipo de lixo: seringas. Dado que com mais gente nas ruas e menos prédios decadentes, também tende a desaparecer esse tipo de comportamentos/ consumos publicamente ou dentro de prédios sem portas. Há menos medo na rua e menos lixo desta natureza. De ano para ano se vê enorme diferença para melhor.

  • Fernando Palma
    Responder

    Ora aqui esta um tecto a roçar a xenofobia: os que vêem de fora ė que estragam tudo. Não admira com um presidente da junta destes que gosta é da probreza e até corre com quem trás riqueza e ate mesmo quem ajuda os mais desfavorecidos. Precupa-se muito com os que não pagam a renda defende-os mais em simultâneo desaloja a Refood que ajudava esses mesmos moradores com dificuldades. Devia ter vergonha.

    • Catarina de Macedo
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      Quem é que traz (e não trás) a riqueza? Os turistas? Isso é sempre um pau de dois bicos. O turismo traz riqueza para quem trabalhar directamente com o sector: alojamento, restauração, transportes e comércio local. Para o comum morador que não se senta à porta de casa a vender ginjinha não há riqueza nenhuma. Só há pobreza. Preços inflacionados de casas, restauração e comércio local. Menos qualidade de vida por onde ser quer que ande porque, sejam estrangeiros ou não, qualquer sítio apinhado de pessoas permanentemente perde qualidade. As ruas ficam naturalmente mais sujas, só pelo facto de ter mais gente a andar por lá. E depois tal como em todo o lado, nem toda a gente deita o lixo onde deve. Se há portugueses que não o fazem, garanto-lhe que há estrangeiros que também não (daí o problema de haver um elevado número de pessoas todas concentradas no mesmo sítio que não tem capacidade para tanta gente). Há mais lixo nas ruas porque os restaurantes e AL também estão mais sobrelotados e isso reflecte-se no lixo. Os esgotos da cidade ficam mais sobrecarregados e no entanto quem pratica AL ou tem um restaurante tem desconto na taxa de esgotos enquanto o habitante de Lisboa paga mais. Quem paga a recolha do lixo e a limpeza de rua são os habitantes de Lisboa através das várias taxas que a CML nos cobra. E se é preciso mais recursos financeiros por causa do aumento exponencial de pessoas, quer dizer que se vão aumentar as taxas. A quem? Não é aos turistas. É aos habitantes. Os transportes públicos nessa zona da cidade perdem qualidade por estarem permanentemente sobrelotados. Se for preciso pôr mais transportes públicos a circular adivinhe de onde vem o dinheiro? É privado? Não. É público, ou seja, somos todos nós que estamos a pagar. Xenofobia? Não me parece que seja o caso do presidente da junta até porque ele falou no AL e nos turistas e não mostrou qualquer preocupação com a comunidade estrangeiras residente na zona. Se ele o fizesse, isso sim era xenofobia. O turismo ajuda os mais desfavorecidos? Onde? Ao fazer com que os senhorios corram com inquilinos idosos para a rua para poderem ganhar dinheiro com o AL? Ao darem gorjetas aos sem-abrigo? Coisa que não fazem? Não sem de que riqueza está a falar. Uma coisa sei, é que desde de que esta moda do turismo começou, que perdi qualidade de vida na minha cidade e perdi rendimentos directamente relacionado com a inflacção de preços no mercado imobiliário. Por isso não sei de que riqueza é essa que fala, que se centra toda nos que detêm alojamento e restaurantes nas zonas turísticas da cidade.

  • Manuela Coelho
    Responder

    Realmente sim devem ser os turistas a deixar caixas de cartão com mercadorias e encomendas. Eles fartam-se de receber encomendas qdo cá estão hospedados. Que trite!!!

  • Ana Ferreira
    Responder

    Esta preocupação, com a limpeza das ruas da freguesia que preside, é justíssima!
    Mas não chega pregar e atacar! Isso fazem os incompetentes! Que tal encontrar uma solução eficaz como, por exemplo, mais contentores? Ficava-lhe bem reconhecer que a CML não disponibiliza contentores suficientes! Há imensos pedidos de contentores por satisfazer!
    Ligar a sujidade das ruas ao turismo é outra sacanice deste senhor!
    Toda a gente sabe que os turistas trazem e abandonam, em Lisboa, as enormes embalagens de papelão que a foto ilustra!
    Acresce dizer que só agora é que este presidente viu lixo em SMMaior??? Onde tem andado, nos últimos anos? Há mais de 20 anos que vejo lixeira parecida com esta!!!
    Se esta raiva que tem ao AL resultar em ruas limpas…..ainda bem que lá se abriram AL’s!!!
    Obrigada AL por, apesar de não terem qquer culpa, contribuírem diretamente para o despertar do presidente desta junta, para a preocupação ambiental deste senhor!
    Não fosse o AL e as ruas de SMMaior iriam continuar sujas…..por muitos mais anos!
    Encontrado o bode expiatório, que se actue! 😉😉😉

  • Paulo Matos
    Responder

    A perseguição do presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho (PS), ao Alojamento Local é perturbadora e devia ser caso de investigação jornalística. Ainda há pouco tempo tem mentido nos media e na televisão sobre o número de habitantes que a freguesia perde e as respectivas causas. Agora aproveita uma acção de sensibilização sobre as regras do lixo para mostrar novamente o seu ódio ao AL. Investigue-se, por favor!

  • Filipe
    Responder

    Pela imagem apresentada, imagino que os turistas de Lisboa chegam à cidade com malas de cartão, como a Linda de Suza há umas décadas chegou a França.

  • Filipe
    Responder

    É também visível numa das imagens que, no local onde o cartão está acumulado, existem 2 contentores para resíduos indiferenciados cheios e não existem contentores para recolha de papel e outros materiais reciclados. Como é quem uma autarquia quer ser europeia se nem tem meios de recolha de resíduos? Foi assim durante décadas, com o lixo a acumlar-se na rua, como numa aldeola de terceiro mundo. Felizmente o turismo faz chamar à atenção para problemas que até agora eram bem tolerados pelos residentes, mas não por pessoas que estão habituadas a cidades limpas, como no norte da Europa.

  • “A minha rua é linda! Quando está limpa”
    Responder

    Inevitável não comentar esta publicação. Moro na Mouraria desde 2013. A qualidade de vida também depende do estado de saneamento e higiene da via pública, e esta é utilizada por TODOS sem exceção (moradores, visitantes, emigrantes… ninguém escapa). O Presidente da Junta SMM – Sr. Miguel Coelho – sabe que este problema do lixo é muito anterior ao aparecimento de qualquer turista nestas ruas, tenha VERGONHA das suas afirmações, em vez de criticar e apontar o dedo, saia da inércia e atue já que diz “(…) a nossa prioridade são os residentes”.
    Já assisti a muitas situações repugnantes em relação à quantidade de lixo (orgânico, dejeto animal, plástico, papel, vidro, grandes volumes… enfim tudo) mas não quero continuar a reclamar, temos de agir mesmo com todas as limitações (monetárias, estratégicas, políticas, etc) e fazer perceber à sociedade que esta situação insuportável – obrigada por esta publicação chamar a atenção de todos para esta problemática!
    Há melhorias e bons exemplos a seguir em zonas contiguas à Mouraria, que no final de 2017 (ex.: Graça, Intendente, Campo dos Mártires da Pátria, e até no próprio Rossio) onde foram colocados contentores subterrâneos utilizados por todos a qualquer hora do dia. Acabar com a colocação de lixo na via pública é uma luta que tem de ser batalhada por todos. Fica aqui o apelo à colocação de contentores subterrâneos na Mouraria, por exemplo na Praça Martim Moniz, Rua Benformoso, … por favor!

    • Maria João Duarte
      Responder

      Absolutamente de acordo com o teor do comentário acima exposto” A minha rua é linda! Quando está limpa!”:
      Subscrevo integralmente como inicialmente referido, e faço-o como cidadã/residente da Rua das Farinhas -SMM, rua cujo estado é o de um aterro urbano puro e duro onde vale tudo, desde a convivência diária com graves e voluntárias más práticas do único comerciante de restauração do meio da rua – de sublinhar esta prática ultrajante do “gerente” deste sitío que resolveu denominar como ” “solar” de são cristóvão”, sítio de pequena dimensão (mas grande na produção de resíduos sólidos, e maior ainda a conspurcar o espaço que é de todos), um verdadeiro “figurão” que no quotidiano impõe aos residentes um comportamento a todos os níveis deplorável/desrespeitador, a saber: com uma aviltante tranquilidade, enche – literalmente – o único grande contentor de lixo destinado a residentes e instalado no ínicio do Beco do Castelo (que já não é bastante), com um sem número mas na ordem das dezenas largas, de garrafas de vidro vazias de vinho, de garrafas minis/cerveja, latas sumo/cervejas, todas elas resultantes do que vai vendendo/facturando ao longo do dia, resultando por consequência no avolumar da área do contentor que por não “aguentar”mais (sacos de lixo que vão sendo depositados) deixa de ter profundidade, caindo para o chão outros tantos sacos de lixo indiferenciado molhos/liquidos incluídos, que acabam por verter para o passeio, originando surtos de insectos (mosquitos, baratas e primos/afins, que passeiam em plena rua, e se esgueiram para o interior das habitações) com o cheiro nauseabundo necessáriamente associado, bem sabendo/conhecendo o referido sujeito, ser obrigatório o depósito no vidrão existente a 5 minutos da porta do restaurante (e para ser mais exacta, a dois determinados dias da semana/restauração) culminando esta sua “prática” à 1/2madrugada, quando os contentores são manipulados pelos camiões para despejo dos resíduos que invertidos, geram um ensurdecedor ruído com o “chocalhar” das dezenas de garrafas acordando tudo e todos; como entende que esta rua é o seu “quintal”, à medida que vai confeccionando mariscos, vai depositando as várias caixas de papelão que serviram de cama (p.ex. a camarões), que destapadas (tampas para um lado, recipientes para outro) são possíveis verem-se restos de “bigodes” deste produto/ cheiro a céu aberto; como é “democrático” com o lixo que gera, amontoa no mencionado contentor/ ao lado deste/espaço que resta, resmas de papelão formato caixa/embalagem, a que junta “ufano” umas quantas garrafas de plástico, e como que para “marcar o seu território” “sela” esta sua já decadente e incivilizada forma de estar, trazendo de casa (lá para a Rua do Salitre) logo pela manhã/ao abrir do estaminé (tem picos), viajando uma série de quarteirões (desde aquela artéria da cidade) com o seu lixo doméstico que deposita neste nosso contentor que lhe é distante- o caus completo provocado por um só ser, que não obstante alguma manifesta indignação pela sua postura de aversão ao ambiente que é de todos, teima com ar vitorioso e desafiador, em dar-lhe continuidade, e não se pense que é pessoa idosa, não, o figurão está na casa dos 50!
      Mas avanço que há um forte suporte fotográfico, em jeito de histórico, um vómito de histórico com um vómito de personagem, mas ainda assim, histórico.
      Como se extrai, este tipo de personagem sem civismo tem que ser travado, isto é, infractor, pagador!! E as coimas têm forçosamente que ser duras, uma vez que a dureza do que lhes sai do bolso, é com efeito, a única via de dissuasão.
      Vendo este “aterro”, outros seguem-lhe o exemplo: neste mesmo canto, são depositados diáriamente, provenientes das obras ali em curso, garrafões que foram de água, aproveitados para urinar, e aqui depositados, isto porque decorrentes de construções de raiz, ou remodelações, as casa de banho estão desativadas – É um escandalo!! Em suma, um retrato que “retrata” esta infame realidade, que espelha o laxismo de quem supervisiona, quem admnistra..
      Em jeito de conclusão, dizer que a recolha de lixo é uma competência do Município -CML, e quando este toma proporções desmedidas é a Junta de Freguesia que se subrroga à Autarquia implicando naturalmente a utilização de mais meios humanos e técnicos (segundo li), e digo eu, a ser assim, mais despesa!
      Citando o Presidente da Junta de Freguesia que disse algures e cito “Pôr o lixo na rua, a qualquer hora, de qualquer forma, sem disciplina..”, parecendo desagradado com semelhante situação, pergunta-se – onde está a fiscalização?! Vamos continuar a assistir a esta pura conspiração do silêncio, com toda a gente mais ou menos indignada mas a conviver quase que diria harmoniosamente com esta indecente realidade?! Urge travar esta ausência de educação para o ambiente – não é uma situação urgente, é uma situação que carece de dispositivos EMERGENTES!
      Basta!!!

      Basta, e por isso vou assinar!

  • A.nazaré
    Responder

    250 mil turistas por dia? ou seja, 91 milhões por ano? (os turistas são uma praga, mas não se reproduzem tão rapidamente…)

    • Samuel Alemão
      Responder

      Tem razão, Andrea. O número refere-se às pessoas que diariamente frequentam a freguesia de Santa Maria Maior e não aos turistas. Obrigado pela chamada de atenção. O erro foi corrigido. Cumprimentos.

  • luiscantantefernandes@gmail.com
    Responder

    Esta questão resolvia-se prontamente com fiscalização a sério e aplicação de coimas e desse modo a questão de turistas e residentes deixava de ter sentido.

    Mas em Portugal gostam de falar em coresponsabiliação, em sensibilização e demais outras formas brandas que roçam a demagogia.

    Sem fiscalização nada feito.

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