Os muros podem e devem ser uma forma de criar e unir as pessoas, independentemente da sua cultura, não um meio de as dividir. Sob a influência da realização da Lisboa Capital Ibero- Americana de Cultura 2017 e da prometida construção pelo presidente norte-americano, Donald Trump, de uma estrutura do género ao longo da fronteira com o México, este foi o mote da apresentação, na tarde desta quinta-feira (27 de Abril), do Muro Festival de Arte Urbana_Lx17, que decorrerá em Marvila entre 25 e 28 de maio.

 

“A arte urbana é uma forma de promover o diálogo. Um muro, na nossa perspectiva, deve pretender criar e não separar, porque através da criatividade consegue-se atenuar as diferenças culturais”, sintetizou Inês Machado, coordenadora da Galeria de Arte Urbana (GAU) da Câmara Municipal de Lisboa, na apresentação do festival, na Biblioteca de Marvila. Uma ideia depois repetida por Paula Marques, vereadora da Habitação, e Catarina Vaz Pinto, vereadora da Cultura.

 

A escolha do local para apresentar o Muro 2017 não foi fortuita, pois o mesmo prevê a criação de um conjunto de 15 obras de grande escala em empenas de edifícios situados na zona envolvente à biblioteca. Será ali o epicentro de um evento cultural que se realiza este ano pela segunda vez, após a estreia no Bairro Padre Cruz, em 2016.

 

A essa dezena e meia de intervenções maiores juntar-se-ão outras superfícies e outros suportes, que totalizarão uma área de intervenção artística de cerca de 4.000 metros quadrados. Será a parte principal de um festival com uma programação bem mais vasta e diversificada, na qual se contarão visitas guiadas, workshops de arte urbana, concertos, espectáculos, debates, aulas de skate, exposições e encontros de hip-hop, entre outras actividades. Sempre com a preocupação de integrar a população de Marvila em todas as actividades, levando-as a interagirem com os artistas convidados, salienta a vereadora Paula Marques.

 

O trabalho com a comunidade local – parte do esforço de “dar centralidade a esta parte da cidade”, frisou a mesma vereadora – será este ano assegurado pelo artista venezuelano FLIX. A sua residência artística nesta freguesia de Lisboa durará um mês, durante o qual desenvolverá um projecto específico em vários suportes e sempre com o objectivo de garantir o envolvimento da população juvenil dos vários bairros de Marvila. Algo que corresponde a uma das linhas de força do festival.

 

“Queremos encontrar zonas da cidade onde possamos ter novas centralidades culturais e, ao mesmo tempo, permitir o acesso à produção artística a todos os elementos da população, disponibilizando-a de forma mais democrática”, afirmou Inês Machado, a coordenadora da GAU, entidade responsável pela organização, em parceria com a empresa municipal de habitação GEBALIS, a Junta de Freguesia de Marvila e as Bibliotecas de Lisboa.

 

 

A programação de criação de arte urbana do festival estará dividida em três vertentes. Uma tem como fio condutor a participação de um alguns dos mais importantes criadores portugueses, tais como Godmess, Hazul, Kruella d’Enfer, Miguel Brum e LS (Ak Crew). Outra vertente está relacionada com o facto de Lisboa ser a Capital Ibero- Americana da Cultura 2017, garantindo-se a participação de artistas originários de países como a Colômbia (Gleo), Brasil (Kobra), Equador (Steep), Espanha (Zesar Bahamonte) e México (Cix Mugre). A presença do embaixador deste país foi, aliás, destacada pelas duas vereadoras, tendo Paula Marques feito questão de manifestar o “repúdio” da cidade de Lisboa para com o muro prometido por Trump.

 

Uma terceira categoria de artistas será a constituída por um conjunto de cinco criadores vencedores de concursos lançados para a concepção e realização de intervenções em empenhas: Alecrim (Portugal), Coletivo Medianeras (Argentina), Jhon Douglas (Brasil), Krammer (Brasil) e The Caver (Portugal).

 

A partir de 1 de maio (segunda-feira), estará disponível no sítio festivalmuro.com uma aplicação através da qual qualquer visitante poderá participar na pintura de um muro virtual localizado num cenário semi-desértico. A estrutura visível no ecrã pretende representar o muro com uma extensão de 3.100 quilómetros que o presidente norte-americano tem vindo a prometer construir junto à fronteira mexicana. E, também de forma simbólica, será “demolida” no dia em que começa o Muro Festival de Arte Urbana LX_2017, a 25 de Maio. Uma evidente conotação política, aproveitando a ocasião da celebração, este ano, em Lisboa, da cultura ibero-americana.

 

No campo das actuações musicais haverá lugar para Noiserv, PAUS, Dj Riot e Orquestra Original Bandalheira. No último dia, pelas 18h, poder-se-á assistir a um espectáculo de Herman José, na Rua Alberto José Pessoa.

 

Mais informações : festivalmuro.com

 

Texto: Samuel Alemão

 

  • Paulo Ramos
    Responder

    Preocupem-se com os políticos de cá e deixem ou outros

  • Rui Alves
    Responder

    Estes politicos brincam com as pessoas,em vez de olhar ao que se passa no bairro da Picheleira (R.Capitão Roby) que tem um prédio a cair (nª71)e apesar de várias denuncias á C.M.L. e Junta de Freguesia do Beato,a Srª Vereadora Paula Marques não quer se preocupar com munícipes,em vez disso preocupa-se com o que se passa com o Sr.Tramp.

  • Rui Alves
    Responder

    Como estamos em vésperas de Eleições pode ser que a coisa mude pois os meus votos não irão para os mesmos.

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