Fernando Pessoa, sim; Dan Brown, não

CRÓNICA
António Caeiro

Texto

VIDA NA CIDADE

Cidade de Lisboa

11 Dezembro, 2015

Crónica

 

As dezenas de turistas que se sentam na mesa de Fernando Pessoa na esplanada d’A Brasileira não se limitam a fazer uma ‘selfie’ com o mais universal poeta português. Alguns também compram livros dele.

– Pessoa vende-se todos os dias – diz o alfarrabista José Ferreira. Ainda há pouco vendi o “Livro do Desassossego” a um italiano.

Aquele livro já foi traduzido em italiano, mas, pelo que lhe disse o turista, está esgotado em Itália.

– Os espanhóis e os brasileiros também compram muito Pessoa.

Quando José Ferreira estava a dizer isto entrou um casal de turistas brasileiros. Vinham à procura de “Equador”, um romance de Miguel Sousa Tavares, publicado em 2003. (Ao fim de um ou dois anos, qualquer livro é considerado antigo: segundo a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, há quatro anos, saiam em média 160 livros novos por mês, o que esgota rapidamente a capacidade de stock de qualquer livraria). O alfarrabista tinha outro título do mesmo autor, mas o casal só queria aquele: “É uma prenda para a minha mãe, que mora no Rio”, disse o homem.


Quem desce do Largo do Carmo para o Rossio, através da inclinadíssima Calçada do Carmo, com os pés a travar a fundo, já deve ter reparado na Livraria Antiga do Carmo. É uma livraria onde não cabem mais de cinco pessoas, com prateleiras cheias até ao teto e fotocópias a preto e branco coladas no vidro da porta. Uma das fotocópias tem um excerto dos “Sermões” do Padre António Vieira que reza assim: “O livro é um mudo que fala; um surdo que responde; um cego que guia; um morto que vive. E não tendo ação em si mesmo, move os ânimos e causa grandes efeitos”.

José Ferreira estabeleceu-se ali há mais de 30 anos. Vende e compra livros.

– Só me interessam os clássicos – avisa.

Best-sellers´ tipo “O Código da Vinci, vendido aos milhões na década passada, não.

– Há alguns anos andava a toda a gente com o Dan Brown debaixo do braço. Agora estão a desfazer-se dele. Esse género de livros não me interessa.

Pessoa, pelo contrário, “vende-se sempre”.

– É imortal – garante o alfarrabista.

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