Passado mês e meio sobre a tomada de posse como presidente da autarquia, O Corvo quis saber que expectativas têm os vereadores dos diferentes partidos sobre o sucessor de António Costa. A dois anos de distância das próximas eleições autárquicas, Medina terá de escolher entre continuar o legado do antecessor ou reinventá-lo. Há quem alerte, porém, que a candidatura de 2017 apenas se começará a definir após as próximas legislativas. O fantasma de Costa poderá condicionar bastante o seu percurso.

 

Texto: Diogo Marcelo

 

Pouco depois de ter assumido o cargo de presidente da Câmara Municipal de Lisboa – fez, a 6 de Maio, um mês que tomou posse -, Fernando Medina é um nome que, apesar de poder parecer desconhecido para muitos, carrega consigo um percurso sustentado na vida política e na militância do PS. E se para os socialistas isso pode ser suficiente, para os restantes partidos com assento na vereação camarária, Medina terá ainda que realizar um grande esforço para provar o que vale como líder da mais importante autarquia do país.

 

Uma opinião não partilhada por Duarte Cordeiro, vereador do PS que assumiu a vice-presidência da câmara municipal. “Fernando Medina é uma pessoa com experiência política, provou-o quando foi secretário de estado do Emprego e de Economia e ainda durante o período em que estive com ele como vice-presidente da câmara. Tem capacidade de liderança, […] um espírito de equipa presente e possui todas as qualidades necessárias para assumir a liderança da câmara”, assegura.

 

Esta não é, no entanto, a avaliação de João Gonçalves Pereira, vereador do CDS-PP, que, apesar de ressalvar a capacidade de trabalho de Fernando Medina, entende não existir um plano definido para a cidade. “Não se reconhece ainda a sua verdadeira estratégia para a cidade de Lisboa, visto não ser um município qualquer, e é com alguma expectativa que se observa se há alguma estratégia. Espero que não seja mais um presidente de câmara que vê o município como um trampolim para outros cargos políticos”, especula.

 

Carlos Moura, do PCP, também não vê grandes mudanças relativamente à transmissão de testemunho, na liderançada autarquia lisboeta, entre Medina e António Costa. “A nível político, é um candidato do PS com o programa que [o partido] apresentou e em relação ao qual o PCP tem diferenças e divergências. Seguirá, por isso, essa política à frente da Câmara de Lisboa”, observa.

 

As opiniões divergem também quanto à avaliação do seu trabalho como vice-presidente e responsável pela pasta das finanças do executivo municipal. Enquanto Duarte Cordeiro faz um “balanço muito positivo” do trabalho de Medina, já João Gonçalves Pereira afirma que as contas apresentadas revelam alguma “engenharia orçamental” para apresentar resultados positivos. E António Prôa, do PSD, reitera que os resultados positivos se devem a factores externos, como o aumento de impostos e não tanto pela atuação da liderança socialista.

 

Quanto ao que poderá vir a distinguir Fernando Medina de António Costa, o vereador Duarte Cordeiro é peremptório: são diferentes e terão uma actuação singular. “Fernando Medina será um presidente de câmara diferente de António Costa. Apaixonado pela cidade, muito focado, será um presidente que irá gerar confiança e estabilidade”, garante. Algo não partilhado por Carlos Moura, o qual prefere sublinhar que o executivo vai manter as políticas singulares do PS, apesar da mudança da pessoa a desempenhar o cargo.

 

João Gonçalves Pereira (CDS-PP) afirma que Medina terá de tomar uma decisão difícil para se perceber que líder poderá afinal ser. “Ele, neste momento, está num dilema. Ou aparece com uma nova política, e vai entender que aquilo que foi feito foi mal feito, ou não faz rigorosamente nada e pode condicionar uma candidatura para 2017. É uma questão de estratégia e o futuro dirá o que poderá fazer. Quem ouvia o discurso de tomada de posse do presidente da câmara, parecia que nada estava feito e estava tudo para fazer”, critica.

 

Já António Prôa considera que Medina está à espera das legislativas para decidir o que poderá fazer à frente da autarquia. “Se Costa ganhar, Fernando Medina estará condicionado na questão de se emancipar, pois acredito que o António Costa vai tutelar a câmara. Se perder, Fernando Medina terá de se emancipar, de forma a se afirmar perante o seu próprio partido”.

 

Quanto ao que esperar de Fernando Medina como presidente da Câmara Municipal de Lisboa, os partidos da oposição mostram-se hesitantes. Se no CDS se pede mais acção por parte do executivo, em vez da realização de promessas, o PSD deseja que o novo líder da autarquia queira ser um efectivo presidente de câmara e não utilize esse posto apenas como um trampolim para voos maiores. Já o PCP afirma que espera uma abertura na discussão de propostas e na negociação com a oposição.

 

Perfil

Nascido no Porto, em Março de 1973, Fernando Medina começou o trilho político ao vencer as aleições para a Associação de Estudantes na Faculdade de Economia do Porto, antes de ingressar as fileiras do Partido Socialista.

 

Foi chamado por António Guterres, na altura chefe de governo, como adjunto nas áreas da Educação, Ciência e Tecnologia. Dois anos depois, foi nomeado secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional, sob alçada de Vieira da Silva, Ministro do Trabalho.

 

Após as eleições de 2009, e depois de muitas vozes falarem de que poderia assumir a tutela de uma pasta governativa, Fernando Medina assume a secretaria de Estado da Indústria e Desenvolvimento.

 

Em 2013, e já com uma bem definida possibilidade de António Costa poder aspirar a outros voos antes do final do mandato, Medina foi escolhido como o número dois da Câmara, onde assumiu o pelouro das finanças.

 

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