“Fotografias e medições a câmara tem vindo aqui fazer muitas, mas obras…nada. Já estou a imaginar que vou ter inundações, outra vez, mal comecem as grandes chuvas, como sucedeu nos invernos anteriores”. As palavras são do alfaiate José Aguiar, gerente do Hospital das Camisas, um estabelecimento onde ainda se fazem arranjos e camisas por encomenda, há décadas, alojado na cave de um prédio pertencente à Câmara Municipal de Lisboa, na Rua do Poço do Borratém, 25, perto do Martim Moniz.

 

Este ano, antes que começasse a chover, José Aguiar escreveu uma carta ao presidente da câmara, Fernando Medina, alertando para o perigo de nada se fazer para travar as inundações e a falta de segurança que reina naquela zona do prédio municipal, que é conhecido pelo arco gótico que exibe na fachada.

 

“Devido à antiguidade do prédio e à falta de manutenção do mesmo, por parte da Câmara Municipal de Lisboa, as nossas instalações encontram-se demasiado degradadas”, afirma este inquilino da autarquia, na carta que há duas semanas enviou a Fernando Medina.

 

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A degradação, explica José Aguiar na missiva, deve-se às inundações que, a cada Inverno, atingem a cave onde está o Hospital das Camisas, desde que a câmara construiu um centro de dia num prédio contíguo. Desde então, “fomos ficando com o tecto partido e desabado, com os fios eléctricos suspensos, podendo a qualquer momento causar um curto-circuito e consequente incêndio, com resultados imprevisíveis, num prédio que acolhe também pessoas idosas e acamadas”, alerta, na carta, o gerente do Hospital das Camisas, que apela “ao sentido humanista” de Fernando Medina, para que “mande resolver o problema”.

 

Em declarações ao Corvo, José Aguiar acentua as suas preocupações. “Não é só o prejuízo que nos causa, com caixotes e caixotes de camisas dos clientes estragadas e deitadas ao lixo. É um perigo até para o próprio edifício, porque temos máquinas a trabalhar e, se há um curto circuito, isto pega fogo. No prédio, vivem pessoas acamadas, o que até me deixa em sobressalto, quando fecho a loja ”, diz.

 

“Já aqui estamos há 40 anos – antes, funcionávamos na Rua do Marquês de Alegrete – e só desde que, há três anos, fizeram umas obras nas traseiras do prédio é que isto começou a suceder. Chove e a água entra a rodos cá dentro. É um perigo até para o próprio edifício, onde a câmara já fez obras nos andares superiores ”, acrescenta o alfaiate.

 

Há pouco mais de ano e meio, O Corvo alertara para a situação do edifício municipal, onde, entretanto, a câmara fez obras nos andares superiores. Mas na zona do Hospital das Camisas, a cave, nada foi feito pela autarquia, que, ainda assim, aplicou ao locatário José Aguiar um ligeiro aumento de renda: de 300 euros passou a pagar 317.

 

O Corvo tentou apurar junto da câmara se esta tem alguma intenção de reparar as instalações que continua a alugar ao Hospital das Camisas. Mas, tal como o gerente do estabelecimento, um mês depois, ainda não obteve qualquer resposta.

 

Texto: Fernanda Ribeiro

 

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