Não é nem só livraria, nem só mercearia. Por isso, para os seus donos, o mais óbvio foi chamar-lhe Leituria. Uma loja que vem trazer mais um pouco de vida de bairro à muito central zona da Estefânia.

 

Texto: Rui Lagartinho           Fotografia: Paula Ferreira

 

Haja vida de bairro nas ruas da Estefânia, que loja com ar destes tempos já existe para servir esta aldeia de Lisboa. Loja dentro do tempo significa aqui uma capacidade de abarcar várias “expressões culturais”, o subtítulo da Leituria, sonho de Margarida Mendes, designer, e Vítor Rodrigues, livreiro, que, desde que deixaram Lisboa para viver em Aveiro, sonhavam regressar à capital para dinamizar um espaço com estas características. Os livros estão no centro de tudo, as outras expressões culturais são as artes e a gastronomia.

 

“Propomos um espaço em que haja, por parte de quem nos visita, uma descoberta e um prazer renovado em voltar”, explica Vítor Rodrigues. Algo que é perceptível pela secção de cervejas artesanais portuguesas, um negócio novo e que só agora permite começar a encher uma estante. Nos vinhos escolhidos a dedo e noutros produtos gastronómicos, nota-se o conhecimento adquirido na mercearia que o casal teve em Aveiro.

 

Nos livros, a ideia é estar um pouco “em todas as frentes, sem querer concorrer com as grandes cadeias de distribuição.” Na tarde do início de Maio em que O Corvo visitou o espaço, as novidades editoriais estavam todas numa bancada perto da entrada. Depois, é partir à descoberta: há um canto de livros usados e escolhidos com critério, para que sejam mesmo livros apetecíveis, descobertos a preço simpáticos, e um fundo de catálogo amplo, coisa rara hoje em dia nas livrarias portuguesas.

 

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Vítor e Margarida mostram-nos com orgulho as capas quadradas da editora & etc. Há ainda um canto colorido e lúdico, dedicado às crianças e aos livros destinados a um público mais jovem.

 

Por todo o espaço, há salpicos de objectos bonitos: cadernos, canetas, artesanato português. Ajuda a tornar o espaço urbano e trendy quanto baste, mas sem que isso seja feito de uma forma impositiva ou agressiva.

 

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Aberta em Março de 2015, a Leituria não passa despercebida por quem trabalha ou reside aqui – e que faz questão de “nos dar os parabéns” no final de visita, explicam.

 

Na cave da loja, fica a galeria e o espaço onde decorrem lançamentos e workshops diversos. Actualmente, pode ser vista a exposição de pintura e escultura de Gabriel Miltenyi “Pedras Vivas”.

 

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Até ao fim do mês de Maio, haverá vários lançamentos de livros, com destaque para os romances “O que não pode ser salvo”, de Pedro Vieira, e “Xerazade: a última noite”, de Manuela Gonzaga.

 

Ana Oliveira orienta em três sessões, sempre à terça-feira, a partir de dia 12, um workshop de ilustração de pequenas histórias.

 

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Leituria

Rua Dona Estefânia, 123 A

Programa completo em www.facebook.com/leituria

 

* Texto editado às 15h20 de 14 de Maio. Rectifica autoria do livro “O que não pode ser salvo”.

 

  • Pedro Vieira
    Responder

    Pobre Pedro Almeida Vieira, foi-lhe atribuída a autoria de um livro que, enfim. Um homem talentoso não merecia tal desdita.

    • Pedro Almeida Vieira
      Responder

      Pior do que isso seria aterrar em cima de uma azinheira em certo 13 de Maio, Pedro 🙂

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