Há edifícios que reconhecemos de imediato e outros nem tanto, dadas as mudanças entretanto ocorridas. Mas também se veem caras cujo olhar interpela o observador, essas sim, perdidas num tempo que já não é o nosso. O desejo de dois técnicos municipais, nos últimos anos do século XIX, de fazer um registo o mais completo possível de todos os edifícios então existentes em Lisboa permite-nos hoje ter um registo inédito sobre a cidade. E exercem um estranho fascínio em quem as vê. Podem ser contempladas na exposição “Lisboa uma grande surpresa”, desta sexta-feira (23 de setembro) até 23 de janeiro, no Arquivo Fotográfico Municipal, na Rua da Palma.

 

Os desenhadores José Cândido d’Assumpção e Souza (1856-1923) e de Arthur Júlio Machado (1867-1947) trabalhavam na Câmara Municipal de Lisboa e terão proposto aos seus superiores hierárquicos, a 20 de julho de 1898, o início de um meticuloso trabalho de recolha fotográfica das fachadas dos prédios da capital. O fim era o de catalogação do edificado de Lisboa, como acontecia através de outras formas de registo organizadas na época pela autarquia. Tal como sucedia noutras grandes cidade europeias e norte-americanas, levantamentos do género permitiam também ajudar na tomada de decisões de política urbana. Os avanços tecnológicos, resultantes da revolução industrial, faziam sonhar com uma nova cidade.

 

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A proposta do par foi aceite. Durante uma década, entre 1898 e 1908, fotografaram prédio atrás de prédio, criando um acervo de cerca de 3800 itens. Esses registos, porém, fixaram mais que os edifícios. Captaram também as pessoas e a vida de rua que ficavam no campo de captação da imagem. “Os vendedores, os transeuntes e as crianças acrescentam outras abordagens que trazem até nós uma cidade viva, onde se podem identificar as ruas, os monumentos e as praças, mas também os ofícios, o comércio, a cultura, a vivência da cidade”, diz o texto de apresentação da exposição comissariada pelo fotógrafo José Luís Neto. “Há aqui imagens absolutamente fantásticas”, diz o comissário ao Corvo.

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Conjuntamente com uma equipa de investigadores por si liderada, pesquisou e selecionou 130 imagens, que pretendem revelar “distintas sensibilidades” patentes no trabalho dos dois artistas, cuja identidade se manteve anónima durante quase um século. A escolha realizada para a mostra agora inaugurada teve como base o imenso acervo existente num núcleo fotográfico do Arquivo Municipal de Lisboa conhecido como Fundo Antigo, a que se juntou material recolhido no Museu de Lisboa. A selecção foi difícil, mas o que se mostra permite a José Luís Neto afirmar que estes “são, sem dúvida, dois nomes importantes para a história da fotografia portuguesa”.

 

Mais informações: arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/eventos/lisboa-uma-grande-surpresa

 

Texto: Samuel Alemão

 

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  • Silvio Carvalho
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    Exposição mostra fotos inéditas de prédios, ruas e pessoas na Lisboa de 1898 a 1908 | O Corvo | sítio de Lisboa https://t.co/PyiucG3wP9

  • Miguel Sampaio
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    Exposição mostra fotos inéditas de prédios, ruas e pessoas na Lisboa de 1898 a 1908 | O Corvo | sítio de Lisboa https://t.co/3orw1lEDQ3

  • contrafactos
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    Exposição mostra fotos inéditas de prédios, ruas e pessoas na Lisboa de 1898 a 1908 https://t.co/Zc7UkOwp79

  • Daniele Coltrinari
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    RT @ocorvo_noticias: Exposição mostra fotos inéditas de prédios, ruas e pessoas na Lisboa de 1898 a 1908 – https://t.co/MNVYbeJ2NN

  • paula marisa pott
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    Para fazer no feriado que aí vem! https://t.co/EKxO3wL5sd

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