A ideia de que a cidade de Lisboa tem, ao longo das últimas décadas, conhecido uma enorme perda populacional e, em simultâneo, as suas ruas e avenidas cada vez mais estão tomadas pelo automóvel foi sendo assimilada pela comunidade. Tanto que a inversão desta realidade, cristalizada no mote “uma cidade para as pessoas e não para os carros”, faz já parte do discurso oficial, tendo mesmo guiado algumas das mais importantes decisões políticas do executivo camarário, nos últimos anos. Disso são exemplos emblemáticos o Programa Uma Praça em Cada Bairro, que se propõe melhorar o espaço público à custa da redução da presença do automóvel em vários pontos de Lisboa, ou o mais recente e polémico projecto de reformulação da Segunda Circular.

 

Mas mesmo tal acção municipal é considerada insuficiente por muita gente, que vê esses projectos como gestos demasiado tímidos face ao que Lisboa tem perdido em termos de qualidade de vida e empobrecimento do espaço público. Quem assim pensa é João Pimentel Ferreira, engenheiro e ativista urbano, que com frequência denuncia na comunicação social o espaço e a influência político-financeira que o automóvel tem tido na sociedade portuguesa, Lisboa em particular. Decidiu, por isso, fazer um exercício simples, que foi o de cruzar os números da população residente na cidade (dados do INE) com os do parque automóvel dos residentes em Lisboa (dados da Associação do Comércio Automóvel de Portugal/ACAP). Os valores mais recentes são de 2012. Mas o gráfico é tão elucidativo que dispensa outras explicações.

 

Texto: Samuel Alemão

 

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Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

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