Pode ser um indício do que aí vem. Juntando-se a outras comunidades escolares que a nível global têm aderido ao projecto desenvolvido em parceria com o Massachusetts Institute of Technology (MIT), a cidade de Lisboa está a testar o ensino de programação informática às suas crianças. O projecto “Academia do Código Júnior”, promovido pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) e financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), está a ensaiar o ensino de programação através da linguagem de código Scratch, a 65 alunos de três escolas do 1º ciclo do ensino básico. A linguagem em causa foi desenvolvida pelo MIT precisamente para este uso.

 

“Com este projecto pretende-se não apenas ensinar a linguagem do futuro – o código – mas também melhorar a capacidade de resolução de problemas dos alunos e o seu desempenho escolar a Português e Matemática, de forma a combater as taxas de insucesso escolar e retenção, assim como contribuir para novas técnicas de aprendizagem que promovam um melhor envolvimento com o sistema de ensino”, diz a autarquia em comunicado, antecipando a apresentação pública do programa, na manha desta sexta-feira (6 de Fevereiro), na Gulbenkian, numa cerimónia que conta com a presença do presidente da CML, António Costa.

 

Iniciado em 2003, pelo Lifelong Kindergarten Group do MIT Media Lab, a Scratch foi pensada para utilizadores entre os 8 e os 16 anos – embora seja utilizado por pessoas de todas as idades -, permitindo-lhes desenvolverem estórias, jogos e animações interactivas e partilhá-las com os outros. Usado por mais de cinco milhões de pessoas em 150 países, e em 40 línguas, o programa, desenvolvido pela comunidade científica como forma de democratizar o acesso à programação informática e ajudar a “aprender estratégias importantes para a resolução de problemas, a concepção de projectos e a comunicação de ideias”, tem-se adaptado a uma grande variedade de contextos: escolas, museus, bibliotecas, lares e centros comunitários.

 

Na implementação da “Academia do Código Júnior” em Lisboa, serão gastos 120 mil euros, suportados pela FCG, através de uma modalidade inédita em Portugal, o Título de Impacto Social (TIS). Trata-se de um mecanismo pelo qual uma entidade do sector público celebra um contrato com investidores privados, para atingir resultados sociais específicos. Neste caso, o objectivo passa por “contribuir para o desenvolvimento do mercado de investimento social no nosso país e, simultaneamente, para a introdução no ensino em Portugal da linguagem de código, com reflexos a longo prazo na formação de profissionais numa área com elevada taxa de empregabilidade”.

 

O TIS em causa resulta de uma parceria entre a Fundação Calouste Gulbenkian, Code for all, Laboratório de Investimento Social e Universidade Nova de Lisboa. E os 120 mil euros em causa “serão apenas reembolsados caso os objetivos do programa sejam atingidos. Se não forem alcançados os resultados pretendidos, os investidores não são reembolsados, assumindo assim o risco da intervenção”, anuncia-se no comunicado da câmara.

 

Texto: Samuel Alemão

 

Comentários
  • Rui Barradas Pereira
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