A Escola Básica do Parque das Nações está inacabada, mas a funcionar há três anos, com cerca de 350 alunos, repartidos pelo 1º ciclo e Jardim de Infância. Não tem zonas comuns, ginásio, cantina ou sala de convívio para os alunos – espaços previstos para uma segunda fase de obras, que se devia ter iniciado em 2011, mas que nunca chegou. Ontem, a associação de pais desta escola lançou uma petição dirigida ao Ministro da Educação, a quem pedem uma tomada de posição célere sobre o início dos trabalhos.

“O que queremos é uma decisão rápida sobre o arranque das obras da segunda fase. A verba está prevista no Orçamento de Estado de 2014 e a obra tem um prazo de conclusão de um ano, pelo que, se fosse lançada em breve, poderia estar concluída em Agosto de 2015, para que a escola pudesse funcionar em pleno no ano lectivo de 2015-2016”, disse Jorge Bonito,  presidente da Associação de Pais da Escola Básica do Parque das Nações.

Cerca de 40 pessoas compareceram no lançamento desta petição, que começou a ser subscrita às portas daquele estabelecimento de ensino e vai também estar online no site da Associação de Pais da Escola do Parque das Nações, como afirmou também Jorge Bonito.

“O problema não é desta escola, nem é apenas dos pais e dos alunos que a frequentam, é um problema da nossa comunidade. As salas de aula que foram construídas não chegam e há aulas a funcionar em contentores”, sublinhou o presidente da associação de pais.

Na ausência de uma verdadeira cantina, “os alunos almoçam num refeitório que foi improvisado numa sala de aula que estava ainda em tosco e que foi adaptada. Mas esse espaço também já não é suficiente”, disse ao Corvo Alexandre Marvão, vice-presidente da Associação de Pais. O recreio, um pátio exterior junto à fachada principal, “que se destinava exclusivamente às crianças do Jardim de Infância, é actualmente partilhado pelos mais de 300 alunos”, acrescentou.

Quando foi criada, a escola Básica do Parque das Nações destinava-se a receber alunos até ao nono ano, mas desde que foi inaugurada, em 2011, só está a acolher crianças no Jardim de Infância e no 1º ciclo, porque não tem capacidade para mais. Há alunos a ter aulas num monobloco situado nas traseiras da escola, numa área que confina com um parque de estacionamento, algo que preocupa bastante os pais das crianças.

E, mesmo assim não é fácil conseguir ter lugar nesta escola, como explicou ao Corvo Marina Borges, mãe de um aluna que só aos seis anos conseguiu entrar na EB1 Parque das Nações, porque no Jardim de Infância nunca conseguiu entrar. Nem ali, nem na Escola Vasco da Gama, que se situa na zona Norte, e que já há muito que não tem capacidade para acolher mais crianças, apesar de funcionar já em duplo turno, com aulas de manhã e à tarde, algumas delas ministradas também em contentores.

Estes são os dois únicos equipamentos escolares na vasta área da freguesia do Parque das Nações, onde se estima residirem “entre 30 mil a 35 mil pessoas”, de acordo com o presidente da junta, José Moreno, que esteve presente no acto público do lançamento desta petição dirigida ao Ministério da Educação.

“Andamos a ser iludidos há 15 anos em relação ao parque escolar desta área”, disse ainda José Moreno, recordando que a verba para a construção da escola existe e a obra era para se ter iniciado em 2011, quando terminou a primeira fase.

“Se a escola tem projecto e a verba está inscrita no orçamento de Estado, então porque não se constrói?”, questionou o presidente da Junta de Freguesia do Parque das Nações.

A ausência de equipamentos públicos começa a ser demasiado frequente em novas urbanizações. Marina Borges, residente na zona Norte do Parque das Nações há 12 anos, explicou que, antes de vir para ali morar, viveu durante bastante tempo na Portela de Sacavém, onde, disse, sucedia o mesmo. “Quando, enfim, construíram a escola o que era preciso já era um lar de idosos”, afirmou. “Agora, moramos num bairro que não tem escolas para os seus moradores”.

 

* Notícia actualizada às 11h30 de 7 de Março

 

Texto e fotografia: Fernanda Ribeiro

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