Os automobilistas já podem circular na Avenida de Brasília, na proximidade do Cais do Sodré, sem terem de fazer um desvio pelo interior de um parque de estacionamento. A obra custou 25 mil euros. Entretanto, a Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (Emel) adiou o novo sistema de pagamento por telemóvel devido a “problemas técnicos”.

“Em virtude de problemas técnicos inesperados e entretanto detectados, o sistema de pagamento do estacionamento por telemóvel em Lisboa não avançará na data prevista”, anuncia a Emel na sua página na Internet. O porta-voz da empresa, Diogo Homem, acrescentou que “não há prazos” para a entrada em funcionamento do novo sistema de pagamento, que estava prevista para ontem, e que estão a ser adoptados os procedimentos para resolver os problemas, que não quis pormenorizar.

Quanto ao facto do novo sistema poder implicar um custo acrescido com o envio de uma mensagem por parte dos utentes, a mesma fonte da Emel garantiu que estão a ser estudadas “diversas soluções, com diferentes operadores” e que o pagamento poderá não exigir gastos com um “sms”, nomeadamente para quem use uma aplicação específica desenvolvida para “smartphones”. A empresa já possui a aplicação Emel Mobile, que disponibiliza informações sobre a localização de parques de estacionamento na cidade.

A Emel gastou 25 mil euros na obra de reposição da circulação na Avenida de Brasília. O tráfego entre o restaurante Meninos do Rio e o Cais do Sodré foi cortado em Outubro de 2011, através da construção de um passeio e de duas rotundas, de forma a obrigar os automobilistas a fazerem inversão de marcha naquela zona e a desincentivar o atravessamento do troço rodoviário entre o caminho-de-ferro e o Tejo. No entanto, muitos condutores optavam por entrar num parque de estacionamento situado junto ao rio e, após pagarem o montante mínimo, seguiam viagem.

A medida gerou contestação, por configurar uma espécie de “portagem” num dos acessos da cidade. As cancelas do parque acabaram por ser removidas, apesar do parqueamento continuar a ser pago, com os automobilistas a poderem contornar sem custos o passeio construído no meio da avenida. Os eleitos do PSD na Câmara de Lisboa chegaram a reclamar no executivo municipal a reposição das condições iniciais. As principais críticas residiam na insegurança provocada pela circulação dentro do parque e no aumento de tráfego na Avenida 24 de Julho, uma vez que aquela artéria do lado do rio costuma ser utilizada como “alternativa” na travessia da Baixa.

No início de Outubro, arrancaram as obras para remoção do passeio e das rotundas. Embora os trabalhos tenham ficado concluídos há cerca de duas semanas, a vedação manteve-se mais algum tempo e só nos últimos dias a circulação foi reaberta. As barreiras metálicas e um monte de pedras de calçada à portuguesa continuam na zona de estacionamento lateral da via e os trabalhos deverão prosseguir agora com o arranjo dos acessos ao parque.

A reposição da circulação vem facilitar a vida aos automobilistas nesta zona ribeirinha da cidade. Mas a travessia junto à estação do Cais do Sodré continua a privilegiar os utilizadores dos transportes públicos – do comboio, na Linha de Cascais, e do barco, para a margem sul –, já que neste ponto de acesso da avenida as viaturas são obrigadas a ceder passagem aos peões, o que costuma gerar alguma demora na circulação rodoviária.

 

Texto e fotografia: Luís Filipe Sebastião

Comentários
  • RF
    Responder

    Mais um passo atrás no caminho para uma cidade com menos carros, e mais um sinal de que os autarcas continuam com medo de fazer o que é necessário, quando se trata de retirar “direitos” aos automobilistas.
    Uma vergonha!

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