Inaugurado há apenas nove meses, e muito utlizado quer pela população da Baixa quer pelos muitos turistas que a visitam – para os quais surgiu como um bem, ajudando velhos e novos a vencer a encosta -, o denominado Elevador do Castelo perdeu, em pouco tempo de existência, dois terços da capacidade que tinha, quando abriu a 31 de Agosto de 2013.

Dos três ascensores que funcionavam no edifício – que foi recuperado para ali se instalar este novo equipamento, ligando a Rua dos Fanqueiros à Rua da Madalena –, hoje apenas um está ao serviço. E isto acontece já há vários dias.

Dos outros dois, um está de portas fechadas, nelas se vendo um cartaz anunciando estar “Fora de Serviço”, o outro pouco tempo funcionou. Avariou há quase seis meses, disse ao Corvo uma moradora que utiliza frequentemente este meio de acesso à zona do Castelo.

A esse ascensor nem se lhe vê o acesso, que está presentemente tapado pelos cartazes de uma exposição sobre reabilitação urbana, patente na recepção. Exposição na qual se vê, destacada em primeiro plano, a imagem do edifício do Elevador do Castelo, cujo projecto foi vencedor do Prémio Nacional de Reabilitação Urbana de 2014, na área Cidade de Lisboa.

“Se fosse a pagar, queria ver se eles não punham os três elevadores a funcionar. Mas como é grátis, deixam as pessoas à espera”. O desabafo partiu de uma moradora da Baixa, enquanto esperava lugar no único ascensor presentemente a funcionar.

Cerca do meio-dia desta quinta-feira, a fila que se formou era grande e a impaciência crescia também no grupo de turistas franceses que para ali fora encaminhado por uma guia, no seu percurso rumo ao Castelo. Eram cerca de 20 e tiveram de aguardar vez, porque a capacidade do elevador é de menos de metade.

Alguns, não compreendendo porque tinham de esperar tanto tempo ali parados à espera de um elevador, chegaram a considerar subir a pé as escadas de serviço, visíveis através da transparência dos vidros no interior do edifício. E para elas se encaminharam, felizes da vida, mas foram rapidamente travados pelo segurança de serviço.

Porque ali só os elevadores são de acesso público e gratuito. As escadas estão vedadas à generalidade das pessoas e só podem ser utilizadas pelos funcionários da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, cujos serviços funcionam nos andares superiores.

Contactado pelo Corvo, o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho (PS), encaminhou para a EMEL a questão da manutenção daquele equipamento. “É à EMEL que compete a manutenção dos elevadores”, disse Miguel Coelho, segundo o qual “ hoje mesmo, os técnicos estavam a tentar resolver o problema de um dos elevadores”. “Não sei garantir se amanhã já estará resolvido, mas estão a arranjá-lo”, sublinhou o autarca.

O outro elevador, já há mais tempo parado, aguarda a chegada de uma peça, que teve que ser importada e que não estaria disponível no mercado nacional, segundo a informação que foi prestada ao presidente da junta.

O Corvo contactou a EMEL na tentativa de saber se há já uma data prevista para a reparação dos dois elevadores avariados. Diogo Homem, porta-voz da EMEL, garantiu ao Corvo que até sábado um dos elevadores estará reparado. “Quanto ao outro, falta uma peça que é fundamental, da qual estamos a espera e que chegará, talvez, na próxima semana”, informou.

 

Texto: Fernanda Ribeiro

Comentários
  • Luis
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    O grande problema de Lisboa — a manutenção. Passei hoje na Ribeira das Naus e já há degraus com graffiti. Se não limparem já, é um incentivo a que daqui a dias esteja tudo grafitado.

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