Começa a funcionar em Agosto o elevador do Arco da Rua Augusta, que dará acesso cómodo ao terraço de um monumento que oferece das melhores vistas para o rio Tejo, o castelo de São Jorge e a Baixa, anunciou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

O acesso ao terraço do arco triunfal tem sido feito por uma escada interior muito apertada. A instalação do elevador – no âmbito de uma intervenção que, segundo o jornal PÚBLICO, anda perto dos 900 mil euros – exigiu a colaboração do Supremo Tribunal de Justiça, que cedeu alguns espaços nos pisos superiores. Foi também preciso fazer sair do piso térreo do nº47 da Praça do Comércio a Associação de Socorros Mútuos dos Empregados do Estado, a quem o município arranjou outras instalações.

O ascensor também dará acesso a um salão de abóbadas, onde fica a maquinaria do relógio do arco, e a uma sala de exposições. O Estado, por intermédio da Direcção-Geral do Património Cultural, receberá 30% das receitas de bilheteira do elevador e de espaços comerciais que a CML ali venha a alugar.

O anúncio de António Costa constou do balanço de mandato que apresentou terça-feira, dia 2, à Assembleia Municipal de Lisboa (AML), na última intervenção que ali fará até às eleições autárquicas. O que estava agendado era Costa referir-se ao que fizera o seu executivo entre 1 de Abril e 15 de Junho, mas o político socialista achou que tinha de contextualizar este período “particularmente rico na vida da cidade”. O PSD não gostou, o MPT disse que “nestes três meses não fez nada por Lisboa” e PCP e BE acusaram a iniciativa de “propaganda” e “publicidade enganosa”.

Mas Costa seguiu na sua e mencionou uma série longa de boas acções. Da redução da dívida da CML, na ordem dos 790 milhões de euros, à criação do Centro de Arqueologia de Lisboa ou à reabertura da Estufa Fria, passando pelo apoio à reabilitação urbana. Hoje, 95% das licenças emitidas pela Câmara são para obras de reabilitação. E lembrou aos deputados municipais que depende deles a aprovação de uma proposta de subsídios às rendas de casa para acudir a situações mais dramáticas causadas pela nova lei do arrendamento. E tudo isto feito “em contraciclo desde 2009”, ao arrepio das crises.

“A próxima década será de particular incerteza, mas Lisboa estará preparada para aproveitar um novo ciclo de desenvolvimento, se ele surgir”, rematou para aplauso dos seus apoiantes.

O comunista Modesto Navarro usou o debate em torno da informação prestada por António Costa para acusar o “inefável vereador Manuel Salgado”de estar a preparar operações urbanísticas onde hoje existem hospitais. Fudamentou-se no facto de – disse – a Direcção Municipal de Planeamento, Reabilitação e Gestão Urbanística, dependente de Salgado, produzir informação escrita referente ao que chama os “antigos hospitais” de São José, Capuchos, Miguel Bombarda, Desterro e Santa Marta.

“Vai o carro à frente dos bois, mas a gente adivinha o negócio já tracejado em riscos aqui e ali, mesmo sobre hospitais ainda vivos e a concentrarem doentes vindos de outros hospitais ameaçados de morte em vida, como o de Curry Cabral e o Pulido Valente”, afirmou. O executivo camarário, acrescentou, está a “ajudar a destruir equipamentos e serviços públicos essenciais”. Prepara-se um “regabofe” para os “bancos e grupos financeiros envolvidos no negócio da saúde privada”, previu.

 

Texto: Francisco Neves     Fotografia: João Paulo Dias

Comentários
  • Jaime Santos
    Responder

    Qual vai ser o valor do bilhete???

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