Eborense, último ferry tradicional do Tejo, vai encostar para manutenção em 2017

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Samuel Alemão

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Cidade de Lisboa

28 Dezembro, 2016

Desmentindo os receios de um fim definitivo de atividade, a Transtejo garante que o Eborense, o último dos tradicionais ferryboats do Tejo e a mais antiga das suas embarcações ainda em operação, deverá apenas parar no próximo ano, sim, mas apenas para manutenção. Durante o período da intervenção, o navio, com capacidade para 346 passageiros e 30 veículos, e que costuma assegurar a ligação Trafaria-Porto Brandão-Belém, será substituído nesse serviço pelo catamarã Lisbonense, que também pode transportar automóveis. A necessidade de encostar a embarcação construída em 1953 pelos Estaleiros Navais de Viana do Castelo – e reconstruída em 1991, tendo os seus motores sido substituídos em 2004 – está relacionada com a obrigação de renovar o respetivo certificado de navegabilidade.

Tal é reconhecido pela transportadora, em nota escrita enviada ao Corvo. “Com periodicidade bienal, todos os navios são obrigados a renovar os certificados de navegabilidade, sendo necessário que realizem estes trabalhos em seco”, explica o texto, antes de informar que “o Ferry Eborense termina o seu certificado de navegabilidade em Janeiro e está orçamentada no plano de 2017 a sua docagem e revisão”. Ou seja, a paragem do navio, a partir de janeiro do próximo ano, será para se fazer a necessária manutenção e não para o desativar do serviço, como chegou a ser avançado nos últimos dias. No mesmo esclarecimento, a empresa avança que, “para a realização do mesmo serviço, está em operação o Ferry catamarã Lisbonense, que renovou o seu certificado de navegabilidade há pouco tempo”. Na referida nota, todavia, não é avançada uma data para o retorno ao serviço do Eborense.


Os rumores de que o ferry iria deixar, de vez, de fazer a ligação entre ambas as margens do rio levou a que, na semana passada, o grupo cívico Fórum Cidadania LX tivesse enviado uma carta endereçada ao presidente da empresa, Tiago Farias, alertando “para a necessidade da Transtejo repensar a anunciada retirada do Eborense”. Classificando como “erro estratégico monumental” não garantir, ao menos, a viabilidade do navio enquanto ferry turístico, o grupo dizia que a Transtejo “não quer ou não sabe como justificar” a renovação dos certificados de navegabilidade e segurança da embarcação – cuja tipologia singular de deck aberto “convida evidentemente a que nela se embarque, nem que seja para simples passeio e lazer, assumindo-se estes carismáticos ferries como os nossos ‘eléctricos do Tejo’”, consideram.

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