O Salão de Festas do Vale Fundão foi pequeno e as concertinas saíram para a rua, ao desafio, numa exibição pouco usual num meio urbano como o de Marvila, em Lisboa, onde neste domingo (25 de Janeiro) se ouviram centenas de tocadores da concertina, num encontro que se prolongou por várias horas, sem que a assistência desarmasse.

 

A tarde de sol ajudou. Ainda faltava meia hora para o início do X Grande Encontro de Concertinas e já dezenas de pessoas chegavam à Azinhaga do Vale Fundão, onde está instalado o Salão de Festas, no qual se realiza regularmente as sessões da Assembleia de Freguesia de Marvila. Ontem, porém, ele travestiu-se de cores, de brilhos e de sons bem mais musicais do que aqueles que habitualmente ali se ouvem.

 

Pouco passava das três, quando a festa começou e já o salão estava lotado. Houve que ir buscar mais cadeiras para sentar as 100 pessoas que conseguiram lugar. Dezenas de outras ficaram de pé, a assistir a ao encontro, que abriu com a exibição dos tocadores do grupo da Casa do Concelho de Arcos de Valdevez – instituição que é uma das organizadoras desta festa, em parceria com a Junta de Freguesia de Marvila.

 

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E para quem pense que só os mais velhos sabem ainda tocar concertina e conhecem as canções do folclore português que a este instrumento recorre, como sucede em particular com o da região do Minho, esta festa veio demonstrar o contrário. Porque há muita gente nova com garra e com gosto pela concertina.

 

Esta é também uma festa sui generis, porque nunca se sabe quem vai comparecer. Cada um traz o seu instrumento, e as inscrições, seja de grupos ou de indivíduos, fazem-se na própria hora do arranque do encontro. Neste domingo, pelo palco do Salão de Festas do Vale Fundão passaram perto de duas dezenas de grupos de tocadores e mais de 50 concertinas.

 

 

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Vinham de diversos pontos da Grande Lisboa, da Charneca da Caparica a Cascais, mas também de outras regiões do país, em especial do centro e do norte.

 

Na assistência havia, é certo, muita gente com idades acima dos 50 anos, mas também muita gente nova e até crianças. Uma das quais era Dinis, que, com apenas seis anos e um mês de aulas de concertina, ali foi ensaiar os seus primeiros toques em público.

 

 

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Já então tinham tocado o grupo do Catujal, o grupo de concertinas do Verde Minho e o animado Seca Adegas, grupo de tocadores da Pampilhosa da Serra, que faz questão de conquistar a plateia e a chama a cantar ao som da concertina. O grupo de Carenque e o grupo de Vale da Cavala preencheram a primeira parte do encontro, mas já então a festa saíra à rua. E do lado de fora do Salão já se ouviam alto e bom som as concertinas dos tocadores que ainda não tinham sido chamados ao palco.

 

Sem pedir licença, e sem ter de esperar vez para subir ao palco, vários tocadores juntaram-se espontaneamente lá fora e ali mesmo fizeram a festa, para gáudio de muita gente que, não tendo conseguido lugar dentro do Salão, teve ainda assim direito a uma bela festa – se não mesmo a melhor, porque mais liberta de todos os trâmites.

 

 

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Segundo Joaquim Brito, vogal da Junta de Freguesia de Marvila e simultaneamente membro da Casa do Concelho de Arcos de Valdevez, para uma próxima festa haverá que encontrar um espaço ainda maior do que o do Salão de Festas, que neste X Encontro se revelou pequeno para as centenas de pessoas que nele participaram.

 

“Já no ano passado, reunimos mais de 200 tocadores e a festa durou até às oito da noite. Esta é a maior festa da concertina que se realiza em Lisboa e com ela demonstra-se que um instrumento como a concertina, que é tão querido das gente do Norte, tem afinal muitos seguidores e é apreciado por todos, sejam ou não da terra onde é mais tocado”, disse ao Corvo.

 

A demonstrar isso mesmo estava a assistência, que na plateia aplaudia as actuações de cada grupo. “Isto é para se viver e aproveitar, que a música é o melhor que a gente tem!”, dizia satisfeita e alegre uma alentejana, de Ourique, sentada numa das primeiras filas e parecendo estar encantada com a Festa da Concertina.

 

Texto e fotografias: Fernanda Ribeiro

 

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