Na noite de 29 de Agosto, um “homem de cabelo branco, com idade aproximada de 50 anos” levou o veículo pertencente ao restaurante The Green Room, ao Cais do Sodré. Agora, Matt McGurn, o proprietário, só pensa em recuperá-lo. É que, além de “ser muito caro”, o triciclo garantia a ocupação a uma funcionária com síndrome de Down. Por isso, Matt duplicou agora o valor da recompensa a pagar para 500 euros.

 

Texto: Samuel Alemão

 

A angústia tomou como refém o rosto de Matt McGurn. O dono do restaurante The Green Room, a funcionar há dois anos e meio na Avenida da Ribeira das Naus, junto ao Cais do Sodré, ainda acredita que a sorte pode mudar de forma súbita. Da mesma maneira que, na noite de 29 de Agosto, pelas 21h30, o triciclo de venda ambulante do seu estabelecimento – usado também como painel publicitário do estabelecimento – foi roubado junto ao Largo do Corpo Santo. Por isso, ele está disponível a pagar 500 euros a quem fornecer informações que lhe permitam chegar à bicicleta.

 

Está assim a duplicar a oferta que tinha feito até ontem, em folhetos espalhados por diversos pontos do Cais do Sodré. “É muito importante que ela apareça, pois trata-se de uma parte substancial do nosso negócio que assim desaparece”, diz o empresário inglês, de 31 anos e originário de York, sobre o veículo de venda que mandou vir da Alemanha, há dois anos, pouco tempo depois de abrir o The Green Room. À primeira vista, pode parecer um triciclo algo banal, parecido com outros do género. Mas Matt garante que não. “É um equipamento de qualidade excepcional e que permite ter alimentos refrigerados durante muitas horas. Não existe mais nenhum como este em Portugal”, assegura.

 

O empresário diz que este modelo, Drink & Drive, da marca germânica WulfHorst, tem qualidades únicas, “é bastante caro” e que, por isso, “quem o levou do posto onde estava agarrado com um cadeado sabia muito bem o que estava a fazer”. Com base em três testemunhos, sabe-se que o triciclo foi roubado “por um homem de cabelo branco, com idade aproximada de 50 anos”. O dono do restaurante teme que, muito provavelmente, o veículo possa estar a caminho de ser vendido no estrangeiro. “Podem estar à espera que o tempo passe, para que não dê muito nas vistas”, afirma.

 

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O anúncio espalhado pelas ruas do Cais do Sodré antes de Matt dobrar a recompensa. 

 

O triciclo de Matt McGurn equipado com caixa de refrigeração– “e que tem licença de utilização para venda ambulante passada pela câmara”, frisa – possui ainda outra, e muito importante, particularidade: estava ao cuidado de Marta, uma funcionária com síndrome de Down, com cerca de 30 anos. “Ela foi contratada através do contacto com a Crinabel (Cooperativa de Ensino Especial e Solidariedade Social) e limpar o triciclo, três vezes por semana, é uma das suas funções”, diz o amargurado empresário sobre o veículo muitas vezes utilizado para vender sanduíches e outros bens alimentares junto à recentemente reabilitada Ribeira das Naus. Por isso, tudo o que Matt deseja é que a situação se resolva rapidamente.

 

Quando questionado pelo Corvo sobre se este roubo pode ser visto como mais uma prova do substancial agravamento do clima de insegurança na zona do Cais do Sodré, o dono do restaurante não tem uma resposta categórica. Admite que se têm verificado situações diversas, “desde roubos, cenas de pancadaria e até tiros”, mas, no seu entender, “isso poderia rapidamente ser resolvido se autoridades decidissem avançar com a instalação de um sistema de videovigilância nesta zona”.

 

Se tiver informações sobre o triciclo, poder ligar para os números 917002717 / 969707887

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