A descoberta de vestígios de cerca de meia centena de cadáveres, de data e origem ainda por apurar, está a motivar o atraso nas obras de construção do Jardim da Graça. O grande espaço verde deveria ter sido inaugurado em Setembro passado, antes das eleições autárquicas. Mas só deverá abrir ao público em Abril, garante ao Corvo o vereador dos Espaços Verdes, José Sá Fernandes. Os trabalho estão suspensos desde antes do Natal e apenas recomeçarão quando as condições meteorológicas o permitirem, já que os terrenos se encontram encharcados pelas chuvas das últimas semanas.

 

“Foram encontradas ossadas de mais de cinquenta cadáveres, que se suspeita possam ser ou do terramoto de 1755 ou de algum surto de peste. Isso ainda está por apurar”, explica Sá Fernandes, referindo que, sempre que tal acontece, dá-se a suspensão imediata dos trabalhos e são chamados os técnicos do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) para averiguarem os vestígios. Neste caso, as descobertas ocorreram por diversas vezes, levando a que as obras tenham vindo a decorrer aos soluços, motivando assim o atraso já verificado.

 

O Jardim da Graça, cujas obras começaram há cerca de um ano com um polémico abate de árvores, situa-se num terreno situado na encosta junto ao Convento da Graça, com uma vista priviliegiada sobre o Tejo e a Baixa – para a qual garantirá um novo eixo de atravessamento a partir da Graça. Orçado em 847 mil euros, o jardim de 1,7 hectares constituir-se-á como o maior parque público localizado no coração da cidade. Prevê-se que lá sejam plantadas 178 espécies vegetais, entre pereiras, amendoeiras, medronheiros ou ciprestes. Para a continuação dos trabalhos, em Junho do ano passado, foi demolida a horta comunitária que ocupava um baldio junto à Calçada do Monte.

 

O novo parque, cuja inauguração chegou mesmo a ser prevista para as vésperas das eleições autárquicas de 2009, contará, além do relvado central, com três miradouros, um parque infantil, um parque de merendas, um pomar e ainda um quiosque com esplanada. “Não me quero comprometer com um dia, mas, se tudo correr bem, o jardim será inaugurado, certamente, em Abril”, diz José Sá Fernandes ao Corvo, salientando ainda os problemas tidos com a manutenção de um muro situado no perímetro do parque.

 

Relacionada com esta empreitada está a requalificação do contíguo Largo da Graça, que é umas das propostas vencedoras do Orçamento Participativo de 2012. Isto porque o grupo que a apresentou está a tentar incluir uma ligação do Largo da Graça ao novo jardim – obrigando, previsivelmente, a um aumento da verba inicial de 120.000€ para cerca de 300.000€, para construir os passeios e as passadeiras.

 

Texto e fotografia: Samuel Alemão

 

  • Nuno Roby Amorim
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    A terminologia de cadáveres induz a noticia em erro. Trata-se obviamente de esqueletos ou mais correctamente ossadas

  • Bruno
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    Tristemente o abate de árvores continua. Uma nogueira enorme foi abatida no mesmo lugar onde agora há um quiosque. Não estava doente pero parece que para eles estava no lugar errado… triste..

    • Mara
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      As noites que eu passei no baloiço de que lá havia…

  • Afonso
    Responder

    E a PJ agora está muito ocupada com o caso dos telemóveis “limpos” por uma empregada de limpeza nas instalações da PJ.É só um aparte ah ah.

  • abelhinha
    Responder

    O cadáver é um ser humano morto que ainda conserva os seus tecidos. Facilmente é de q querer como está escrito no texto estamos perante ossadas e não cadáveres. Sempre existe uma diferença por isso o titulo engana e muito e faz toda a diferença. Assim ainda obrigam a PJ a intervir na investigação dos cadáveres.

  • Terra_Firme
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    Descoberta de cadáveres atrasa Jardim da Graça até Abril http://t.co/xq7N2tCLtr

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