A Polícia Municipal (PM) de Lisboa interrompeu, a meio da tarde desta quinta-feira (1 de Outubro), a actuação do grupo de artistas de dança hip-hop/break-dance que costuma atrair a curiosidade e os aplausos de muita gente junto à estátua do poeta Chiado, mesmo em frente à esplanada do café A Brasileira. Os elementos do colectivo de dançarinos foram intimados, por um agente da PM montado num veículo segway, a suspender de imediato a sua exibição de dotes artísticos, por não possuírem a devida licença. Caso persistissem em fazê-lo, poderiam vir a ser autuados e ver apreendido o equipamento sonoro utilizado nas suas performances.

 

“Infelizmente, não nos deixam estar aqui, porque dizem que é preciso ter licença para tal. Mas nós até já tentámos obtê-la e foi-nos dito que não é possível passar mais nenhuma licença para este zona, pois já existem aqui artistas a mais”, explicou ao Corvo Filipe Silva, 23 anos, um dos membros do colectivo informal. O dançarino, que vive na Amadora e vem para ali actuar todos os dias – para deleite dos transeuntes, muitos dos quais turistas -, diz que as gratificações dos espectadores são a sua única forma de sustento. Ele já não estuda e não tem trabalho. O mesmo sucederá com os outros elementos do grupo, que varia entre os quatro e os oito membros, provenientes de diversos pontos da periferia de Lisboa (sobretudo Amadora e Margem Sul) e mesmo de alguns bairros da capital.

 

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Lisboa foi palco, entre 14 e 18 de Julho do ano passado, de uma festa internacional denominada “Lisboa Capital Europeia dos Músicos de Rua”. A festa, organizada pela rádio TSF – em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa e a empresa municipal EGEAC -, reuniu artistas oriundos de vários países europeus em nove pontos da cidade. Uma iniciativa ocorrida cerca de dois meses e meio após a polémica causada pela intervenção da PM na Rua Augusta, ao multar o violoncelista Guilherme Águas Rodrigues, da banda Urban String Music, por não possuir licença de músico de rua. O caso foi muito criticado nas redes sociais e levou a que, na sequência, a CML prometesse encontrar soluções para, eventualmente, baixar o preço do licenciamento dos músicos de rua – que custaria 39 euros.

 

A actuação da Polícia Municipal tem sido criticada pela sua postura “musculada” face aos artistas de rua. Uma desproporção, consideram muitos, quando comparada com a decisão de não interferir na actividade dos indivíduos que, nas zonas centrais da cidade, assediam os transeuntes para lhes vender pretensos estupefacientes. No final de Julho passado, a Assembleia Municipal de Lisboa discutiu uma petição pedindo o reforço da actuação da autoridade contra “pretensos traficantes de droga a agir no centro histórico de Lisboa”. Nessa sessão, o vereador com o pelouro da Segurança, Carlos Castro, disse que a PM pouco poderia fazer, porque os indivíduos em questão estariam a vender “louro prensado e outras substâncias” e não estupefacientes. Mas prometeu solicitar, junto do Ministério da Administração Interna, a alteração da legislação para criminalizar tal actividade.

 

Texto: Samuel Alemão

 

  • Tuga News
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    [O Corvo] Dançarinos de rua proibidos de actuar no Chiado pela Polícia Municipal de Lisboa http://t.co/g8vP9Fbpnr

  • Ana Pires
    Responder

    Atenção à gralha: assediam (não acediam) …Bom artigo!

    • O Corvo
      Responder

      O erro foi corrigido. Obrigado.

  • afd
    Responder

    Já agora, ‘assediam’.

    • O Corvo
      Responder

      O erro foi corrigido. Obrigado.

  • manuel coelho
    Responder

    Samuel… fofo

    “acediam os transeuntes” WTF !

    ASSEDIAR vem de assédio, ok ?

    de resto, fizeste um bom trabalho ! A malta percebeu a … ideia 🙂

    • O Corvo
      Responder

      O erro foi corrigido. Obrigado.

  • Rb
    Responder

    Acho muito bem este tipo de intervenção por parte da PM, pena é como referido que não fiscalizem da mesma forma a ocupação da via publica das esplanadas (R correiros, por ex.) nem o estacionamento abusivo na zona de residentes.
    Bom artigo

  • Reinaldo Queiroz
    Responder

    a policia municipal para alem de não ter razao nenhuma de existir, onde vão só estragam, com atitudes racistas! Principalmente uma loira que anda sempre nos segways e no carro eletrico… deve ter um par de cornos do marido e depois e super mal educada até com idosos… A frente de turistas e tudo! Vergonha! à maneiras e maneiras de falar com as pessoas! e estes não têm formação nenhuma!

  • Reinaldo Queiroz
    Responder

    a policia municipal para alem de não ter razao nenhuma de existir, onde vão só estragam, com atitudes racistas! Principalmente uma loira que anda sempre nos segways e no carro eletrico… deve ter um par de cornos do marido e depois e super mal educada até com idosos… A frente de turistas e tudo! Vergonha! à maneiras e maneiras de falar com as pessoas! e estes não têm formação nenhuma!

  • Cristina Herzl
    Responder

    Não percebo a indignação. Não têm licença, bloqueiam a passagem de transeuntes, conspurcam o espaço com ruído permanente… Só lamento que não tenham mão pesada com os bares e com as esplanadas que fazem exactamente o mesmo.

  • Bruno Cartucho
    Responder

    Se os miudos andassem a roubar viravam os olhos e fingiam que não viam… Mais ou menos como a corja que anda a “vender louro” e que os senhore(a)s da PM dizem que nada podem fazer…

  • José
    Responder

    Se toda a gente, tivessem a ideia, de irem para a rua actuar???
    Conseguem imaginam o CAOS que seria???.

  • Helena Martins
    Responder

    É triste,a PM poderia ir correr o Bairro Alto para ver se está la a escumalha do costume, deixe quem faz um bom trabalho, eu vi e gostei.

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