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Faça chuva ou sol, as sessões de autógrafos são um dos factos que justificam a existência de Feira do Livro de Lisboa tal como a conhecemos. Reportagem sobre a caça da assinatura, numa tarde de sábado escaldante.

 

 

Texto: Rui Lagartinho       Ilustração: Sofia Morais

 

Madalena Sabino esperou sob um calor inclemente por um autógrafo de Miguel Campos, mas não se queixa. A compra do livro do Feromonas permitiu-lhe ter a assinatura do seu ídolo. Com mais de dois milhões de seguidores no Youtube, plataforma onde diariamente lança “os desafios mais estúpidos de toda a galáxia internáutica, de forma explosiva com estes disparates”, Miguel Campos, 25 anos, é um fenómeno.

 

Na sua primeira edição na Feira do Livro de Lisboa, Miguel lançou a confusão na zona de autógrafos da editora Manuscrito, pelo menos este ano, com dezenas de fãs efusivos e pais resignados porque, afinal, “é um livro, e o meu filho afinal até gosta de ler.”

 

Noutra galáxia, longínqua, mas afinal tão perto, cinquenta metros acima, no pavilhão do Relógio D`Água, Maria José Neto recebe um abraço do filósofo José Gil, mas também um autógrafo de um homem que “tem o dom de a pôr a pensar.”

 

Pelo altifalante da Feira, ficamos reconfortados ao saber que, este ano, mais uma vez, como um metrómetro, a tradição cumpre-se e cá estão, na praça Leya, António Lobo Antunes e Alice Vieira a assinar livros. “Dos sete aos setenta e sete”, poderia ser o mote dos “meus fregueses”, ri com gosto Alice Vieira, que assume “adorar este contacto directo e único com os seus leitores”. Leonor tem sete anos, sabe quem é a autora, o autógrafo não é capricho dos pais, e sai feliz com as suas histórias assinadas.

 

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António Lobo Antunes, profissional, disfarça o tédio e mostra entusiasmo com as edições das suas crónicas de revista encadernadas que Luísa Matos lhe veio mostrar e pedir que assinasse. Está rodeado de admiradores a quem, de vez em quando, lança algumas boutades incompreensíveis, mas cujo eco se assemelha ao de um sacerdote que é escutado com desvelo e onde a percepção do que diz não é o mais importante.

 

De repente, cheira um dos livros que lhe dão para assinar. Fica inebriado de prazer. Não é para menos, garante-lhe a editora sentada ao seu lado: “Os seus livros são impressos no melhor papel que a Dom Quixote utiliza.”

 

A Feira do Livro, numa tarde de calor de sábado ou de domingo, é isto: estoicismo e alegrias mais ou menos místicas.

 

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