Corte de árvores nos Anjos suspenso até se conhecerem resultados de nova avaliação

ACTUALIDADE
Samuel Alemão

Texto

AMBIENTE

Arroios

9 Dezembro, 2016


O planeado corte de oito tílias, nas escadarias da Rua Cidade de Manchester, nos Anjos, foi suspenso pela Junta de Freguesia de Arroios, que pediu uma nova avaliação da real condição das árvores. A intervenção programada para a próxima segunda-feira (12 de dezembro), na sequência de uma inspecção prévia realizada por uma empresa especializada e avalizada por um relatório técnico feito pelos serviços municipais, motivou forte contestação de muitos dos moradores do antigo Bairro das Colónias e do Bairro de Inglaterra, separados pelo referido arruamento. “A intervenção está suspensa, até que tenhamos resultados do novo relatório com mais um diagnóstico”, confirma ao Corvo Margarida Martins (PS), presidente da autarquia. Só depois disso se definirá como se procederá ali às obras de remodelação do espaço público.

Uma decisão tomada na sequência da reunião pública de esclarecimento, realizada por iniciativa da junta, na noite de terça-feira (6 de dezembro), na Escola Secundária Dona Luísa de Gusmão. A nova avaliação foi agora pedida a uma entidade pública, o Laboratório de Patologia Vegetal Veríssimo de Almeida, do Instituto Superior de Agronomia, para afastar quaisquer dúvidas sobre a clareza do processo, explica a autarca. “Pedimos o estudo com a máxima urgência, porque o assunto assim o determina. Além disso, solicitamos ainda à Câmara Municipal de Lisboa (CML) toda a documentação existente sobre aquelas árvores, contendo o histórico de todas as intervenções a que já foram sujeitas”, explica Margarida Martins, depois de sublinhar que “qualquer corte, a realizar-se, teria que ter sempre a última palavra da câmara.

Mas a presidente da junta, frisando já ter o seu executivo sido responsável pela plantação de 156 árvores na freguesia, faz questão de defender o papel desempenhado até aqui pela empresa contratada, a Sequoia Verde, cujo relatório original recomendava o abate das tílias. “Esta é uma empresa credível e já salvou diversas árvores nesta freguesia. Não podemos pôr em causa a seriedade do seu trabalho”, afirma, respondendo desta forma aos que colocaram dúvidas sobre a idoneidade da avaliação feita pela firma especializada. A indicação para o corte dos oito exemplares surgia da conclusão que “a espécie arbórea em questão é desadequada para o espaço envolvente disponível”. O conflito com as fachadas e os danos causados no pavimento, associados a “patologias associadas a podridão de lenho”, justificariam o abate.

Um dos moradores da Rua Cidade de Manchester contestatário de tal operação, e que participou na sessão de esclarecimento, disse ao Corvo que a decisão da autarquia confere optimismo sobre o desfecho do processo. “A reunião correu muito bem. A suspensão do corte é uma boa notícia. Estamos a falar de árvores que atingiram a maturidade. Estar a plantar outras árvores não faz muito sentido, até porque estamos a falar de terrenos pobres e os novos exemplares podem não se adaptar. Estamos perante uma oportunidade única de, pela primeira vez, serem as obras a adaptarem-se às árvores e não o contrário”, diz.

MAIS ACTUALIDADE

COMENTÁRIOS

  • Ana Rita Sá Pimentel
    Responder

    se um dia destes alguma cair em cima de algo ou alguém, cai o carmo e a trindade porque nada se fez…é assim…

  • Ines B.
    Responder

    É de louvar a decisão da Presidente. Foi-se pedir – e muito bem – um relatório ao Laboratório de Patologia Vegetal, que, espera-se, esclareça o estado fitossanitário das árvores e não venha dizer que as árvores precisam de ser abatidas por causa das futuras obras ou que não é a espécie mais adequada ao local, como era o caso da Sequóia Verde, porque isso já nós todos sabemos. Espero que este caso faça jurisprudência sobre duas situações recorrentes em Lisboa quando há obras: (1) que arquitectos que planeiam estas obras, seja nas JF ou na CML, passem a considerar as pré-existências, sobretudo tratando-se de árvores e sobretudo se for na malha urbana consolidada, evitando-se assim este tipo de situações e gastando-se menos dinheiro público (não é admissível invocar o argumento de abate de árvores por causa de obras); (2) que as árvores plantadas em Lisboa sejam não só as adequadas ao local, mas que sejam sobretudo objecto de manutenção e rega (não é admissível invocar o argumento de que a espécie não é adequada ao local, porque isso faria com que a maioria das árvores de Lisboa de médio e grande parte fossem abatidas e sabemos que por muitas árvores jovens que se plantem, estas levarão muito tempo até atingir os benefícios de árvores adultas).

  • Maria De Fátima Carmo
    Responder

    A designação correcta do laboratório é Veríssimo de Almeida, e não Veríssimo Ferreira. Quanto às árvores caírem, Ana Rita, cairemos nós seguramente primeiro… O que podem cair é galhos, ali como noutro local qualquer onde haja árvores, se a poda não for feita regularmente.

    • Ana Rita Sá Pimentel
      Responder

      eu também gosto de árvores e não acho que se deva cortar a eito mas todos sabemos que cuidado regular nos verdes urbanos…enfim; no entanto, escadaria com folhagem….

    • Maria De Fátima Carmo
      Responder

      Melhor limpeza urbana resolveria 🙂 As obras também facilitarão a limpeza, acredito.
      E sim, em meio urbano é (ainda mais) preciso manutenção regular. Estamos de acordo.

    • O Corvo
      Responder

      Obrigado pela clarificação. O nome do laboratório já foi corrigido.

  • Filipe Raposo
    Responder

    Catarina Maia

  • Gomes Gomes
    Responder

    acho muito bem!

  • Joao Villalobos
    Responder

    Corte de árvores nos Anjos suspenso até se conhecerem resultados de nova avaliação https://t.co/WQG3XZzcp1

  • Graça Horta
    Responder

    Ainda bem que suspenderam… E esperemos que as avaliações sejam honestas. De um momento para o outro todas as árvores de Lisboa passaram a estar doentes… tratar delas, podá-las (sem exageros), etc. como dantes se fazia sai caro e o melhor é inventar doenças e tirar tudo o que nos “estorve” da frente…árvores, calçada portuguesa, etc. e pôr a cidade nua, cheia de estacionamentos por todo o lado.

Deixe um comentário.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografías 

Paula Ferreira
Fotografía

Margarita Cardoso de Meneses
Dep. comercial e produção

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com

Send this to a friend