A circulação de ar em Lisboa é deficiente. A construção urbana a norte da cidade, ocorrida nas últimas décadas, reduziu os ventos na zona central da capital, aumentando as partículas atmosféricas em suspensão, em especial das partículas inaláveis (PM10 ). Estas, que têm um diâmetro inferior a dez micrómetros, podem penetrar no aparelho respiratório e provocar doenças no mesmo.

 

A questão foi abordada durante o encontro subordinado ao tema “Qualidade do Ar na Cidade de Lisboa”, ocorrido na tarde de terça-feira, no Centro de Informação Urbana de Lisboa (CIUL), em Picoas, e promovido pela Câmara Municipal de Lisboa (CML). Jorge Saraiva, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), levantou a questão do planeamento urbano e o seu impacte na qualidade do ar, no que foi seguido por João Pedro Santos, do Departamento de Ambiente e Espaço Público (DAEP).

 

“A construção a norte de Lisboa reduziu os ventos na zona central da cidade”, disse Jorge Saraiva, adiantando que, actualmente, a “ventilação do ar na cidade é menor, com a densidade da ocupação e a altura dos edifícios.”

 

As partículas atmosféricas em suspensão estão presentes com especial incidência na Avenida da Liberdade, tendo origem no tráfego rodoviário, nomeadamente através das emissões do escape dos veículos, dos travões ou do desgaste dos pneus.

 

João Pedro Santos referiu que, para reduzir o impacte destas partículas atmosféricas, a autarquia reforçou as lavagens na Avenida de Liberdade, com duas limpezas diárias, às 13h00 e 00h00, utilizando água reciclada.

 

Segundo a Comissão de Coordenação da Região de Lisboa e Vale do Tejo, não se registam desde 2013 “ultrapassagens aos valores limite”, mas ainda assim verificam-se “concentrações mais elevadas” na Área Metropolitana de Lisboa Norte, registadas nas estações de tráfego da Avenida da Liberdade e de Santa Cruz de Benfica. Em Lisboa, existem mais quatro estações de medição de qualidade do ar, no Beato, Entrecampos, Restelo e Olivais.

 

Este problema está a ser acompanhado por técnicos da Comissão de Coordenação de Região de Lisboa e Vale do Tejo, envolvendo diversas instituições, como a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, a Faculdade de Ciências de Lisboa, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil e a CML.

 

Associado ao problema das partículas atmosféricas, existem ainda outros poluentes importantes em Lisboa, o ozono (O3) e dióxido de azoto (NO2) – os indicadores poluentes na cidade de Lisboa estão online no site da APA.

 

Apesar de melhoria relativa do ar na capital, existem problemas delicados a resolver pela administração central e local para reduzir as emissões poluentes, nomeadamente ao nível dos transportes públicos.

 

O técnico da autarquia, João Pedro Santos, destacou o impacte negativos da Carris na qualidade do ar da cidade, apesar de já circularem autocarros a gás natural comprimido (GNC).

 

A autarquia está ainda a preparar um regulamento para as emissões poluentes dos Tuk Tuk. A questão dos 3.500 táxis que circulam na capital é igualmente motivo de preocupação, pois estima-se que 45% da frota não cumpre as normas ambientais e emissões poluentes, isto numa altura em que a câmara quer aumentar as Zonas de Emissões Reduzidas (ZER). O que implica que as viaturas têm de ser preparadas para reduzir as emissões de gases poluentes.

 

Texto: Mário de Carvalho

 

  • Helena Galamba
    Responder

    A construção no Saldanha também contribui para aumentar a poluição e o aquecimento daquela Praça.

  • Paulo Barbosa
    Responder

    Hugo Vieira

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