Conservação de Monsanto vai ter um debate especial na Assembleia Municipal

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Samuel Alemão

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AMBIENTE

Cidade de Lisboa

27 Janeiro, 2016


A situação de aparente indefinição quanto às garantias de preservação do Parque Florestal de Monsanto e a perspectiva de nele virem a ser realizados diversos projectos urbanísticos privados justificam a realização de um debate especial sobre o mesmo pela Assembleia Municipal de Lisboa (AML). A discussão pública, a realizar em duas sessões a ocorrer entre Fevereiro e Março, acontecerá por iniciativa do Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV), que a apresentou ao plenário da assembleia, nesta terça-feira (26 de Janeiro), onde foi aprovada por unanimidade. A Câmara Municipal de Lisboa, que tem sido acusada de ser permissiva para com os interesses privados e de fechar os olhos à degradação daquela área, diz-se satisfeita por poder debater.

A proposta de realização da cimeira– que terá um enfoque na “importância da conservação da natureza e a estratégia integrada para as diversas áreas do Parque Florestal de Monsanto” – surge na sequência de uma recomendação no mesmo sentido, também apresentada pelo PEV e votada igualmente por unanimidade, em Abril de 2015. Na altura, o vereador José Sá Fernandes, responsável pelos espaços verdes, prometeu a realização de um “grande debate” sobre Monsanto, até Setembro seguinte. Mas tal discussão nunca veio a realizar-se. Um facto ontem recordado pelo deputado municipal Ricardo Robles (BE).

O debate acontecerá um ano depois da polémica em torno da decisão do pelouro de Sá Fernandes de avançar para a concessão a privados da exploração de diversas áreas, como a Quinta da Pimenteira ou uma zona contígua ao campo de jogos do Moinho do Penedo, ambas situadas no coração do parque florestal. Por causa disso, a Plataforma Por Monsanto, grupo cívico que agrega diversas entidades, como a Quercus ou o Fórum Cidadania Lisboa, chegou a acusar a Câmara Municipal de Lisboa de encarar o pulmão da cidade “como um ‘banco de terrenos’ para os mais variados projetos de índole privada”. A plataforma será uma das convidadas a participar na discussão que agora se avizinha.

Os interesses privados no parque florestal foram referidos pelo deputado municipal Magalhães Pereira (PSD), antes da votação de ontem que confirmou a realização do debate. “Esperemos que, aos olhos de algumas pessoas da câmara municipal, Monsanto deixe de ser visto como uma reserva de projectos urbanísticos”, disse o eleito social-democrata sobre a discussão pública a ocorrer em breve – a realização prévia da qual havia sido colocada, através de uma outra recomendação, como uma condição para o eventual avanço do empreendimento turístico na Quinta da Pimenteira, sob pena da sua suspensão.

O vice-presidente da CML, Duarte Cordeiro, garantiu ao plenário da assembleia municipal a sua satisfação pela realização do referido debate. “A câmara associa-se com todo o gosto ao debate, em relação ao qual não tem nenhuma reserva, e espera que continuem a existir muitos projectos para Monsanto”, disse. A deputada municipal socialista Sofia Cordeiro também manifestou a concordância plena do seu partido com a realização da discussão, por considerar ser “muito importante conhecer a estratégia existente para aquela zona”.

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COMENTÁRIOS

  • Zé Miguel
    Responder

    Quando se leva o assunto do Parque de Monsanto a discussão é porque vão cortar-lhe mais uma fatia. É perfeitamente natural. Nós somos assim, gostamos de tuc-tucs.

  • Paulo Ramos
    Responder

    Depois dos crimes praticados que vão fazer mais ?

  • Manuel Pestana
    Responder

    A verdade é que trabalhando como eu trabalhei durante 50 anos nos jardins de lisboa nunca houve uma gestão tão ruinosa para os jardins da cidade como a que está a acontecer agora e pelos vistos não vão parar.

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