Concurso de ideias ditará futuro do antigo restaurante panorâmico de Monsanto

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Samuel Alemão

Texto

Rui Gaiola

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URBANISMO

Benfica

17 Julho, 2017


Desde o início do século, a indecisão persiste: o que fazer com o antigo restaurante panorâmico de Monsanto? Deixado ao abandono a partir de 2001, depois ter sido tecto para actividades tão distintas como uma discoteca, um bingo, um escritório ou um armazém de materiais de construção, o edifício com cerca de sete mil metros quadrados, situado no Alto da Serafina, no coração do Parque Florestal de Monsanto, deverá ver o seu futuro decidido por um concurso de ideias a lançar pela Câmara Municipal de Lisboa (CML). A intenção foi manifestada pelo presidente da autarquia, Fernando Medina, na semana passada, perante a Assembleia Municipal de Lisboa, atirando a decisão final para o próximo mandato. Até lá, o espaço funcionará como miradouro, estando a ser realizados trabalhos de limpeza, para ainda este verão reabrir o espaço com tal funcionalidade.

“A nossa intenção, neste momento, mas no próximo mandato, se viermos a manter as funções que temos, é, em primeiro lugar, lançar um concurso de ideias sobre qual a utilização e o destino relativamente a um equipamento desta natureza”, disse Medina, na sessão de 11 de julho da assembleia, respondendo a uma interpelação sobre o assunto por parte da deputada municipal Cláudia Madeira, do Partido Ecologista Os Verdes (PEV). A eleita havia lamentado que nenhuma das recomendações de requalificação do espaço, feitas pelo seu partido naquele órgão, tivessem surtido efeito. “Não temos ainda projectos concretos para o edifício, nem de uso, muito menos de arquitectura ou de execução”, reconheceu o presidente da câmara, antes de anunciar a intenção de lançamento de um concurso de ideias para o espaço, construído em 1968 e propriedade municipal.

As reconhecidas qualidades paisagísticas da estrutura têm motivado, ao longos dos últimos anos, visitas frequentes de muitos curiosos, apesar do crescente estado de degradação – e sem as devidas condições de segurança. Algo que, garante José Sá Fernandes, vereador da Estrutura Verde, deverá mudar dentro de semanas. “Neste momento, está a ser tudo limpo por dentro para não criar qualquer problema. Algumas partes serão emparedadas, para não oferecer perigo às pessoas que visitam o local”, afirmou o autarca, garantindo que tal está ser feito “gastando muito pouco dinheiro”. “Até ao final do mês, vão ser postos alguns gradeamentos, para as pessoas poderem usufruir da extraordinária vista que aquilo tem. Isto poderá acontecer em agosto, com tudo limpo e lavado. Aquilo pode ser um miradouro até termos uma decisão sobre o que fazer lá”, disse Sá Fernandes – que, em 2009, terá afirmado que “a reabilitação daquele elefante branco custaria 20 milhões de euros”.

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