A Câmara Municipal de Lisboa apresentou, em Maio do ano passado, o programa “Lojas com História”. Depois da saída para o Governo da ex-vereadora da Economia e Inovação, Graça Fonseca, o projeto municipal que engloba os pelouros da Economia, Cultura e Urbanismo, fica a cargo do vice-presidente Duarte Cordeiro. A autarquia espera, brevemente, abrir o processo dos critérios de seleção das lojas históricas ao Conselho Consultivo do programa.

 

Texto: Rita Neves Costa

 

O comércio tradicional de Lisboa continua a dar que falar, sobretudo pela preocupação de inúmeros cidadãos face ao encerramento, nos últimos anos, de várias lojas históricas lisboetas. Tal levou inclusive ao lançamento, pelo Fórum Cidadania Lx, em Novembro passado, da petição Por uma nova alteração à lei do arrendamento, pela salvaguarda das lojas históricas. A necessidade de preservar o comércio local motivou, em Maio de 2015, o anúncio e a preparação de um programa da autarquia denominado “Lojas com História”.

 

Ao que o Corvo conseguiu apurar, depois de alguns meses parado, o programa está, neste momento, a “testar os critérios de seleção, de acordo com a atividade económica, história e património, para uma distinção de ‘Lojas com História’”, de acordo com o Departamento de Marca e Comunicação da Câmara Municipal de Lisboa.

 

A saída da vereadora Graça Fonseca do pelouro da Economia e Inovação, quando era responsável por este programa municipal, para a Assembleia da República e, logo depois, para o Governo – onde foi ocupar a pasta de Secretária de Estado Adjunta e da Modernização Administrativa -, terá mergulhado “Lojas com História” numa aparente indefinição.

 

Catarina Portas, membro do Conselho Consultivo do programa, referiu o facto num texto que assinou, em Janeiro, no Diário de Notícias: “Infelizmente, o programa está parado há três meses”. O gabinete de comunicação da autarquia informa que o projeto estará agora a cargo do vice-presidente Duarte Cordeiro, que ficou com os pelouros em causa.

 

Os próximos passos de “Lojas com História” seguem com a definição dos critérios de seleção das lojas que poderão candidatar-se ao programa e assim usufruir da distinção municipal. O Conselho Consultivo será chamado a pronunciar-se em breve.

 

Com esta medida, a autarquia espera impedir os despejos e operar mudanças nas leis do arrendamento e de reabilitação urbana dos estabelecimentos. A proposta final será apresentada em reunião de Câmara com as “regras de candidatura e apoios a lojas” que usufruam do reconhecimento.

 

Comentários
  • JOÃO BARRETA
    Responder

    – “LOJAS COM HISTÓRIA” – UMA IDEIA E/OU PROJETO A “REPLICAR”, DESEJÁVEL E NECESSARIAMENTE, PARA O CONTEXTO NACIONAL –

    Conseguir tirar partido do facto de termos uma “nova tutela governamental” para o Comércio (relembremo-nos que o Comércio, agora, tem uma Secretaria de Estado própria) deverá constituir um desígnio das Associações Comerciais de todo o país, não se devendo restringir a Lisboa e/ou à Baixa/Chiado (e pouco mais!). Há muito know how aproveitável nas Associações Comerciais distribuídas um pouco por todo o país e o amplo conhecimento das realidades locais é uma mais-valia que só as estruturas associativas possuem. Será mais fácil “convencer o Governo” para se “envolver e disponibilizar verbas” para um projeto de âmbito nacional do que “apenas para Lisboa”. Acreditem!!

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