Coletivo de arquitetas feministas quer tornar Lisboa “uma cidade de todas e de todos”

REPORTAGEM
Andreia Friaças

Texto

António Castelo

Fotografia

VIDA NA CIDADE
URBANISMO

Cidade de Lisboa

12 Setembro, 2018

A cidade é o espaço da democracia, a casa partilhada de quem a preenche. Mas Patrícia Santos Pedrosa e Joana Pestana Lages, membros da Associação Mulheres na Arquitetura, criticam o facto de a capital portuguesa ser “concebida por homens e para homens”. Tornar Lisboa numa cidade feminista é tornar Lisboa numa cidade segura, confortável e convidativa a ser ocupada por todos e todas, defendem. É garantir que é co-projetada e co-gerida a pensar na diferença. Uma cidade plural significa uma sociedade mais justa? O coletivo Mulheres na Arquitetura acredita que sim – e mostra-o através das crianças.

“A arquitetura e o urbanismo não são disciplinas neutras”. Patrícia Santos Pedrosa, professora, investigadora, arquiteta e feminista. Se estivéssemos numa das suas aulas, esta seria inequivocamente a primeira lição a ser dada. Na conceção de uma cidade nada é inócuo, seja a escolha dos pavimentos, da iluminação, dos tipos de percursos delineados, a localização dos serviços, a conceção de estabelecimentos ou espaços públicos. “A suposta neutralidade em que a arquitetura acontece é só mesmo suposta, porque os projetistas, os decisores, são genericamente, maioritariamente, homens”, acrescenta Patrícia.

 

Se recuarmos à génese da cidade, percebemos que ela é idealizada para ser o espaço da democracia. Contudo, muitas cidades, e Lisboa é mais exemplo do que exceção, não está pensada para ser vivida por todos e por todas. Ao ser problematizada, projetada e concebida maioritariamente por homens – e somam-se os privilégios de serem, também na maioria, brancos e cisgénero [ou seja, quando a identidade de género e o sexo biológico se coadunam] – a arquitetura e o urbanismo sofrem uma ausência de reflexão “em termos de classe, de questões de género e de diversidade funcional”, argumenta a arquiteta.

A equação é viciosa. Se não se ouvem as experiências, perceções e histórias de outras forças vivas da cidade, as suas necessidades de vida urbana continuarão desconhecidas, e, portanto, descuradas no processo de projeção da urbe. “Os arquitetos e técnicos acharem que sabem tudo, que têm esse poder divino [de representar o que não conhecem], é muito injusto e obliterador para milhares de pessoas”.

 

Joana Pestana Lages, arquiteta, feminista e investigadora no Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design, alerta que as cidades conseguem ainda “produzir e reproduzir desigualdades”, figurando-se num palco que enfatiza os privilégios de uns e as dificuldades de outros. “Por exemplo, é muito diferente ser homem e ser mulher numa cidade, na forma como experienciamos a cidade”, acrescenta Joana.

 

“Tu perguntas informalmente às mulheres e às raparigas que conheces ‘já mudaste de passeio porque viste um grupo de homens e, pelo sim pelo não, não quiseste confronto? Sim. Já pensaste no que vestes antes de sair à noite? Sim. Já alteraste o teu percurso para ir de A a B porque sabes que ali, às vezes, podes ter problemas?”, exemplifica Patrícia. “Isto são violências permanentes a que tu és sujeita desde tenra idade e que nunca paras para pensar e, portanto, normaliza-as. É preciso trabalhar estes assuntos do direito à cidade desde tenra idade”.

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Joana Pestana Lages: "É muito diferente ser homem e ser mulher numa cidade”

A experiência da violência na vida urbana acontece em várias frentes e formas e atingindo, na maioria, aqueles e aquelas cuja voz é afastada do centro das atenções. Patrícia conta-nos que já fez um exercício, junto de colegas, em que cada pessoa saía à rua vestido de uma nova identidade – como uma mulher transgénero, uma criança negra de 10 anos ou uma mulher idosa de cadeira de rodas de 90 anos. A arquiteta garante que basta “quatro ou cinco quarteirões” para se perceber que, para algumas pessoas, a ocupação da cidade tem dificuldades ímpares.

 

Pode uma mulher transgénero sentir-se segura em qualquer rua? Quantas alterações um idoso tem de fazer no percurso para conseguir chegar onde deseja? Que trajeto percorre um jovem que sai do trabalho à noite? Para as arquitetas, é urgente que a cidade deixe de ser desenhada “para uma minoria”. Mas, por outro lado, é efetivamente possível pensar e implementar modelos mais inclusivos, criativos e diversos de fazer cidade e arquitetura? Sim. Como? Para perguntas difíceis, respostas simples: concebendo cidades feministas.

 

A cidade não se faz de cima para baixo

 

A conversa com O Corvo acontece num espaço que se dedica exclusivamente às mulheres – fenómeno pouco frequente na capital. Entramos na Casa das Associações, no Parque Infantil do Monsanto. Atualmente, este é o espaço de trabalho da Plataforma Portuguesa dos Direitos das Mulheres. O nome de Maria Alzira Lemos, feminista, deputada do primeiro governo de Mário Soares e representante da Associação Intervenção Feminina, está gravado na porta.

 

No centro Maria Alzira Lemos, as paredes são espelhadas, permitem-nos admirar os eucaliptos, acácias, pinheiros e até os sobreiros que se escondem no Parque. Por dentro, é amplo, fresco, de tons claros, sem espaços ocultos nem paredes internas, convidativo ao trabalho coletivo. À porta, somos recebidos com um cartaz que grita visualmente. Diz-nos que as mulheres são mais de 50% da população, mas continuam sem representatividade nos lugares de poder. As boas vindas estão dadas.

 

Há gatas e gatinhas dentro e fora do espaço. Pretas, brancas, cinzas. Patrícia recebe-nos, a trocar mimos com a gatinha Glória, de olhos verdes. Em 2010, começou a investigar sobre urbanismo feminista e a relação entre cidade e género. Contudo, foi o ano passado que lançou o desafio a um conjunto de mulher arquitetas de criar uma associação – a Associação Mulheres na Arquitetura.

 

 

Tornava-se imperativo a existência um coletivo em Portugal que refletisse o papel e o caminho das mulheres arquitetas. “Como é que elas podem ter uma maior representatividade? Que trabalho é que fazem, se desistem da profissão, desistem porquê?”, questiona Joana Pestana Lages, uma das 30 arquitetas que dá corpo à associação.

 

Joana Pestana Lages, doutorada na FAUL, já trabalhou na Willy Müller Architects, em Barcelona, na dRMM Architects, em Londres, e com o arquitecto Renzo Piano, em Génova. Agora, em Monsanto, esclarece-nos acerca da ideia que a move. “A cidade feminista é uma cidade pensada por todos e todas e para todos e todas. É uma cidade que é co-construída, co-gerida, em que se pensa na multiplicidade de vivências diferentes e acolhe essa diferença, não como uma ameaça mas como uma oportunidade de criar laços humanos. Uma cidade que, no fundo, até é mais livre”.

 

A abordagem feminista do urbanismo impõe uma disrupção com o modelo que tem vindo a ser feito. “Do que é que me interessa que me digam que estão a construir uma cidade inclusiva para as mulheres, se arranjam um manual uniformizador e a cidade não é uniforme? E quem é que lhes disse que aquela é que é a cidade inclusiva? Onde é que foram buscar a informação?”, continua Patrícia. “Quase me apetece ser provocadora. Diz-me uma coisa que tenha acontecido nos últimos cinco anos na cidade que tu aches que saiu de uma experiência de uma mulher?”

 

A cidade não se faz de cima par abaixo – garante-nos a arquiteta. “É necessário estudar, conversar, estar no terreno” a fim de ter equipas com técnicos e técnicas que tragam outras consciências e diversidades.

 

Patrícia Santos Pedrosa: “A arquitetura e o urbanismo não são disciplinas neutras”

 

O Corvo pede a Patrícia Santos Pedrosa, fundadora da associação, que fale dos principais problemas urbanos da cidade de Lisboa. Responde com um “ui” arrastado, seguido de uns segundos de silêncio. Há tanto por onde pegar mas começa pela mobilidade, que, para a ativista, tem vindo a ser perigosamente esquecida. Admite que tem sido feito algum esforço junto das pessoas com mobilidade reduzida – nomeadamente nos passeios e passadeiras –, mas longe do desejado, alertando que continuam a existir estações de metro impossíveis de serem utilizadas por pessoas com problemas de mobilidade ou até mesmo para quem tenha de andar com um carrinho de bebé.


 

“Lisboa precisa de uma estratégia urbana urgente, com objetivos e orçamento”, diz-nos. “Se não circulas pela cidade quando e como queres – seja de bicicleta, a pé, de transportes públicos e vou dizer, no final, o carro, porque acho que as cidades têm de reverter as prioridades com as quais se movem – torna-se um problema fundamental”.

 

Além da questão urgente da mobilidade, os transportes públicos de Lisboa têm ainda vários problemas, como serem completamente desadequados à quantidade de passageiros. “Para uma mulher, é muito mais fácil ser abusada fisicamente num autocarro ou metro cheio, do que numa condição em que sejam respeitados os mínimos da distância aceitável”.

 

Patrícia ilustra com a uma história: uma menina, colega da sua filha, com 11 anos, negra, imigrante. “Ela desloca-se para o autocarro, que aos 11 anos devia ser uma coisa banal, da qual não devíamos ter medo. E no autocarro foi apalpada por um homem que estava ao lado dela. Ela não tinha capacidade de reclamar a situação, por causa de todos os níveis de opressão. E, se alguém viu, não fez nada? E, se vissem, o que é que faziam? Estão os condutores e condutoras dos autocarros preparados para estas situações? E a polícia?”.

 

Encontrar soluções urbanas exige perceber todos os recursos que podem ser utilizados. É-nos dado o exemplo do norte de Espanha, onde, em Vigo e em Bilbau, a pedido de mulheres, os autocarros começaram a parar fora das paragens oficiais. A medida diminuiu o medo que as mulheres sentiam no percurso, uma vez que as permitiu ficar mais perto de casa.

 

Além da questão da segurança, a relação entre o espaço público e as mulheres faz-se de vários outros aspetos, como, por exemplo, da vida familiar. O facto de as mulheres “trabalharem o dobro em casa, naquele que é o trabalho reprodutivo” faz com que a vivência na cidade seja mais reduzida, ou, ao acontecer, aconteça em apenas determinados espaços. “Todas estas dinâmicas contribuem para uma vivência na cidade que é distinta dos homens e penalizadora”, diz Joana Pestana Lages.

 

(Foto: O Corvo)

 

Plurais são os problemas e têm de ser as soluções. Patrícia Santos Pedrosa recusa a ideia de que existe uma solução mágica ou uma receita-tipo. “Uma solução que funcione em Lisboa num determinado bairro pode ser fantástica e depois chegas a Cascais e é uma tremenda de uma desilusão”, continua. “O que é fundamental para ti no teu bairro pode não ser o que é fundamental no meu. Para cada vila e contexto, tem de se trabalhar com mulheres para perceber o que é fundamental”. E aqui sublinha-se a palavra mulheres, no plural. “Esta questão do feminismo nunca foi, não é, nem pode ser, uma questão de um outro privilégio das mulheres brancas, tem de ser generosidade, empatia e solidariedade, se não não funciona”.

 

Mulheres invisíveis. Até quando?

 

A representação nasce torta, desde logo no berço que são as universidades. Joana Pestana Lages, doutorada em Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, confessa ter tido poucas professoras no seu percurso escolar. Patrícia Santos Pedrosa, doutorada na Universidade da Catalunha, nunca teve uma professora na disciplina de Projeto – a mais importante do curso.

 

Ainda que com poucas professoras, Joana garante que as turmas têm cada vez mais alunas. Contudo, a forma de lecionar continua desfasada da realidade. “Ainda se passa a ideia de que conceber a cidade é conceber a cidade para um cidadão neutro, que é, se pararmos para pensar, um homem, uma vez que outras dimensões de diversidade nunca são incluídas. Se elas não são ensinadas, dificilmente serão reproduzidas em contexto profissional”.

 

Joana Pestana Lajes acrescenta ainda que continua a ser difícil os alunos ou alunas se lembrarem, por exemplo, de 10 arquitetas que tenham marcado o seu percurso ou que achem inspiradoras. E não é que elas não existam. Existem, e são muitas. São é afastadas da luz dos holofotes.

 

(Foto: O Corvo)

 

Denise Scott Brown. Judaica, de 86 anos, completou em 1958 o seu mestrado em planeamento na Universidade da Pensilvânia. Foi na academia que conheceu o arquiteto Robert Venturi, com quem mais tarde casou. Juntou-se à empresa do marido, Venturi e Rauch, onde era co-autora de várias obras.

 

Em 1991, Robert Venturi foi anunciado vencedor do prémio internacional Pritzker. Scott Brown não compareceu na cerimónia em protesto – nesse ano, a Fundação Hyatt decidiu só honrar arquitetos individualmente, medida que só foi alterada em 2001. Em 2013, a organização de estudantes Women in Design da Harvard Graduate School of Design, levou avante uma petição para Denise Scott Brown receber, 22 anos depois, o reconhecimento conjunto com Robert Venturi.

 

Alvar Aalto, arquiteto finlandês, recebeu o prémio Eugénio, a Medalha de ouro da Royal Institute of British Architects, da American Institute of Architects, e a medalha Alvar Aalto. A sua obra é considerada exemplar, um marco da arquitetura moderna da primeira metade do século XX. Segundo Joana Pestana Lages, é possível verificar duas fases no seu percurso profissional. A fase em que trabalhava com a sua primeira esposa, a arquiteta Aino Aalto, em que se dedicavam, em conjunto, ao conceito Gesamtkunstwerk, ou seja, a ideia de “uma obra de arte por inteiro”, em que se projetava não só o edifício mas também os pormenores das superfícies internas. E a segunda fase, que corresponde à segunda esposa, Elissa Mäkiniemi, também arquiteta. Ambas foram parceiras e influenciadoras do seu percurso, mas permaneceram à penumbra.

 

“Há uma invisibilização evidente, e até se sabe que muitos dos grandes nomes da arquitetura homens tiveram apoio, suporte, contributo e co-autoria de mulheres, que algumas foram apagadas”, continua Joana.

 

Em Portugal, só nos anos 1940 é que as mulheres arquitetas chegaram à profissão, com a validação da formação académica. Atualmente, representam 44% dos inscritos na Ordem dos Arquitetos. Contudo, Joana alerta que se encontram sub-representadas nos resultados dos concursos, nos júris, nos convites dos média ou nos seminários.

 

(Foto: O Corvo)

 

Por exemplo, este ano, no seminário Poder e Arquitetura, organizado pela Casa da Arquitetura, em Matosinhos, e da responsabilidade de Roberto Cremascoli, o programa incluía 28 “arquitetos de referência nacional e internacional”, sendo que apenas 3 eram mulheres.

 

Desconstruir: do espaço aos preconceitos

 

O primeiro ano da Associação Mulheres na Arquitetura foi intenso, mergulhado em reuniões na casa da fundadora Patrícia. Fizeram parte de discussões, conferências e ciclos de conversas tanto em Portugal como no estrangeiro – por exemplo, no MoMoWo (Women’s Creativity Since the Modern Movement) em Turim.

 

Para a associação, a partilha de conhecimento e a aquisição de consciência são imprescindíveis. “O espaço, a arquitetura e o desenho urbano não contêm em si uma mudança estrutural se ela não for acompanhada por uma mudança de mentalidades, essa tem de acontecer desde cedo, tem de acontecer nos lugares que nós ocupamos”, diz Joana Pestana Lages.

 

Tendo as palavras de Joana como lema, este ano, a Associação Mulheres na Arquitetura recebeu financiamento do programa da Câmara Municipal de Lisboa  BIP-ZIP – Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária de Lisboa – para o projeto “Um género de Escola”, que vai ser testado na Escola Gil Vicente, na Graça, e na Escola Patrício Prazeres, na Penha de França.

 

A escola é um dos primeiros espaços de socialização de uma criança, o que acaba por ter um impacto significativo na construção da sua identidade. A partir daquilo que é o espaço da escola, a missão do projeto passa por desconstruir, com os alunos e alunas, os preconceitos de género – utilizando, por exemplo, o espaço do recreio que tem uma demarcação evidente entre aquilo que são as atividades socialmente construídas para os rapazes e para as raparigas.

 

De forma participada e co-construída, os alunos vão mapear os preconceitos de género que acontecem na ocupação do espaço da escola, ganhar consciência deles e, por fim, pensar na transformação, nas alterações necessárias ao contexto escolar.

 

Começar pelas crianças para mudar toda uma sociedade. A aprendizagem é feita passo a passo, até lhes ser transmitida a lição final: a cidade pertence a todas e a todos. A cidade é o espaço da democracia, a casa partilhada que tem de ser segura e confortável a quem a ocupa. Abraçar a diversidade e incorporá-la na cidade. Se é verdade que o urbanismo lisboeta tem sido palco de desigualdades, também é verdade que é possível o prefixo cair. E se cair, quem sabe se o espaço não será uma alavanca para tornar a sociedade mais justa. “É importante pensar que isto surge no espaço, é produzido e reproduzido no espaço, mas que também pode ser transformado no espaço. É esse o caminho”, conclui Joana.

 

NR: texto editado às 16h15 de 13 de Setembro. Clarifica a correcta designação do Centro Maria Alzira Lemos – e não “Centro Maria Alzinda Lemos”, como antes estava escrito.

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COMENTÁRIOS

  • Vitor Miguel Correia
    Responder

    Ui, já cá faltava uma tipa do movimento SJW. Deve ser mal casada ou de mal com a vida de certeza.

    • Ana Coucello
      Responder

      “Isso” é o único comentário que a sua inteligência (?) consegue produzir? Olhe que anda muito atrasado… pelo menos uns cinquenta anos!

    • Jo Santi
      Responder

      Esta temática é uma desculpa para justificar uma associação. Assim acedem a subsídios e financiamento (o próprio artigo dá conta de um financiamento da CML) e a própria sede deve ter sido cedida pela CML. Duvido que alguém lúcido e racional ache estas ideologias coerentes.
      Salve-se o facto de as terem desterrado em Monsanto. Só foi pena não as terem desterrado junto da futura mesquita de Lisboa também patrocinada pela CML…
      O que vale é que a CML não tem ideologia, subsidia todos os movimentos.
      Espero que não injectem este vitriol nas crianças e jovens que frequentarão as suas acções e programas…

  • Ana Coucello
    Responder

    Corrijam p.f., o Centro chama-se Maria Alzira Lemos e não “Alzinda”.

    • Samuel Alemão
      Responder

      Obrigado pela chamada de atenção. Está corrigido o erro. Cumprimentos

  • Ana Coucello
    Responder

    “Isso” é o único comentário que a sua inteligência (?) consegue produzir? Olhe que anda muito atrasado… pelo menos uns cinquenta anos!

  • Catarina de Macedo
    Responder

    A sério que há quem pense que a criminalidade e falta de civismo/respeito para com os outros é um problema que se resolve com arquitectura urbana?.. E que tal simplesmente aumentar o policiamento nas ruas e aplicar uma justiça exemplar para quem não cumpre a lei, nomeadamente os criminosos que fazem assédio, etc? Achar que mudar a estrutura de uma cidade para proteger eventuais vítimas é também uma forma de proteger os agressores, já que é um tipo de princípio que só revela que as vítimas têm de ser protegidas ao dificultar a proximidade com o agressor e não protegidas ao prender o agressor que ainda por cima se sente em liberdade para fazer o que quer. As pessoas têm direito a andar onde quiserem, às horas que quiserem, sem se sentirem em perigo. Claro que as coisas não podem ser sempre assim, não há polícia suficiente para tal (se bem que o número de efectivos tem de ser reforçado) e a justiça tem de passar a ser eficaz. Mas isso não quer dizer que mudar o planeamento urbano da cidade seja solução. É o princípio que está mal. A melhor maneira de proteger as vítimas é identificar os criminosos e aplicar uma pena justa. Basta que isso se generalize para que haja um efeito dissuasor noutros potenciais criminosos. A sociedade é que tem de mudar e não a arquitectura. Não acho que seja a arquitectura que vá mudar a sociedade. Para além do mais, dão a entender que só as mulheres é que são penalizadas e que os homens são beneficiados porque a cidade é desenhada por homens. Que tamanho disparate. Então um homem, independentemente da idade que tiver também não corre riscos ao andar sozinho em certas zonas ou a certas horas? Claro que não os mesmos riscos que uma mulher, mas o que não falta são homens agredidos e assaltados nesta cidade. Basta lembrarmos-nos até do rapaz que foi encontrado morto perto de uma discoteca assim que se separou do seu grupo de amigos e enveredou por uma rua sozinho. Tudo o que aqui está, para além de altamente tendencioso é do mais ideológico e discriminatório que já li. As cidades não devem, e estou convencida de que não são, concebidas para homens ou mulheres, ou outro tipo de discriminação que se possa fazer da pessoa (idade, géneros, etc.) As cidades são concebidas para todos. É claro que muitas vezes não tem em conta o verdadeiro interesse e conforto da população em geral, mas isso explica-se não pelo facto de os arquitectos serem homens, mas pelo facto de estarem fechados numa sala a fazer planos conforme aquilo que aprenderam e alguns estejam um bocado alheados da realidade ou presos a concepções de “moda”. Mas não tem nada a ver com o facto de serem homens. Dizer que a cidade é feita para os homens só porque foram homens a desenhá-la é a coisa mais sexista que já ouvi.

  • Jo Santi
    Responder

    Que energia mal empregue.

    Concordo plenamente com o comentário da Catarina de Macedo.

    Gostaria de ouvir estas doutas arquitectas dizerem como resolver o problema de ter de mudar de passeio quando se vê um grupo de homens e se quer evitar confronto. Eu sou homem e já passei por isto várias vezes na minha juventude. Pela mesma altura também pensava no vestuário a usar antes de sair à noite, geralmente optava por botas de biqueira de aço (afirmação e defesa pessoal) e calças que me permitissem movimentos amplos. Mas se calhar a melhor opção é eliminar um passeio num dos lados das ruas e assim já ninguém muda de passeio…

    E o discurso é completamente discriminatório e tresloucado:

    “A cidade é concebida maioritariamente por homens – e somam-se os privilégios de serem, também na maioria, brancos e cisgénero.” Uau.

    “Espaço que se dedica exclusivamente às mulheres”. Uau. Isto parece-me profundamente discriminatório e inconstitucional.

    Já para não dizer que tudo neste artigo soa a um cliché tremendo. Associação de mulheres cheia de gatas? Os gatos não entram?

    Quando andei na faculdade havia nas minhas turmas igual número de homens e mulheres. Havia 3 ou 4 negros (dos quais apenas 1 português), 1 ou 2 chineses (1 era sino-português), 1 ou 2 japoneses, alguns franceses/belgas, 1 ou outro húngaro/croata (brancos, portanto).
    Não me lembro de nenhum transgénero.
    Todos os não portugueses regressaram aos seus países, o português negro e o sino-português marimbaram-se na arquitectura e dedicaram-se a áreas mais lucrativas no campo das tecnologias e realidade virtual.

    Mas isto reflecte a população portuguesa. Não se pode esperar muita representatividade de franjas da sociedade quando são isso mesmo, franjas.
    Falando em género, as mulheres que frequentaram o curso comigo dedicaram-se sobretudo a funções públicas ou imobiliário, os homens a prática privada ou a outras áreas extra-arquitectura. Decisões pessoais que poderão estar relacionadas com o género. Ou não.

    Mais relevante do que o género no acesso à arquitectura e no sucesso da prática e na experiência na cidade é o rendimento individual e o estrato social.
    As pessoas com menores rendimentos e vindas de zonas com maior pobreza têm muito mais dificuldades. Nos meus colegas de faculdade a maioria dos que provêm de famílias nesta situação tiveram (e muitos ainda têm) maiores dificuldades.
    Já entre o corpo docente havia paridade de homens e mulheres. Tive 4 professoras de Projecto. E várias noutras cadeiras. E eram tão más professoras quanto os homens.

    Quanto à pergunta “Diz-me uma coisa que tenha acontecido nos últimos cinco anos na cidade que tu aches que saiu de uma experiência de uma mulher?”, eu respondo: o MAAT, o Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia em Lisboa. Idealizado por uma mulher, Amanda Levete. Só foi pena não ter sido idealizado por uma portuguesa. Aposto que só algumas gastam as sua energias com este tipo de discursos discriminatórios e tresloucados.

  • Anónimo
    Responder

    Como é que os apalpanços nos transportes públicos e outras coisas do género se resolvem com arquitetura???
    O que resolve é intervenção cívica, e disso não há quase nada em Lisboa ou em Portugal.
    São todos uns carneiros que vão atrás da malhada.

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