“Um imbróglio”, assim qualifica o vereador Jorge Máximo a situação de aparente impasse na construção de uma ciclovia na Rua Infante Dom Pedro, em Alvalade. Isto porque, depois de diversas vicissitudes, os trabalhos foram embargados, por causa de uma providência cautelar. Os moradores da zona temem que a obra nunca mais acabe.

 

Texto: Fernanda Ribeiro

 

Os moradores da Rua Infante Dom Pedro, na freguesia de Alvalade, onde desde Maio passado estava a ser construída uma pista ciclável ligando à Rua de Entrecampos, estão preocupados com o impasse provocado pelo embargo e a providência cautelar, que originaram a paralisação dos trabalhos.

A situação, confirmada pelo vereador Jorge Máximo, que tem a seu cargo aquela obra – um “imbróglio”, como o próprio afirmou -, foi levantada por vários residentes da freguesia, na reunião descentralizada da Câmara Municipal de Lisboa, realizada quarta-feira, dia 5 de Novembro, nas instalações da Junta de Freguesia de Alvalade.

A obra, iniciada em Maio passado e que haveria de estar concluída em Dezembro, “começou a ser feita num ponto da rua, depois parou, passou para outro ponto, voltou a parar e, agora, parece que nunca mais acaba”, queixou-se Margarida Lima Rego, uma das quatro moradoras que intervieram na reunião de câmara para questionar a autarquia sobre este problema.

“Queremos saber o que nos espera e conhecer a calendarização das obras”, disse, por seu turno, a moradora Maria da Glória Ramalho, explicando que, para os residentes, o projecto em curso na zona tem como principal mais-valia “estabelecer a ligação da zona poente e nascente da Rua Infante Dom Pedro”.

“O que entusiasma os moradores nesta obra é, sobretudo, o facto de estabelecer a ligação entre as duas metades da rua, o que é um sonho com mais de 50 anos”, adiantou Margarida Rego.

Isto porque a Rua Infante Dom Pedro era interrompida sensivelmente a meio pela existência de um edifício em gaveto, que entrou em ruína e só este ano pode ser demolido, para que a obra se realizasse, como recordou depois o presidente da câmara.

Apesar do actual embargo, que obriga a autarquia a aguardar uma decisão da justiça relativamente à providência cautelar colocada por um particular, António Costa entende que alguma coisa se avançou ali, ao longo do tempo que exerce o cargo de presidente da câmara – desde 2007.

Porque, disse, “há sete anos, o que estávamos a discutir e o que os moradores queriam saber era o que é que a câmara ia fazer ao edifício que ameaçava ruir e que era propriedade da Santa Casa da Misericórdia do Sardoal. A câmara conseguiu adquirir o edifício e ele foi demolido. Isso foi resolvido”.

Face à providência cautelar interposta, acrescentou, “a obra está parada e, infelizmente, não podemos avançar, enquanto o tribunal não decidir”, disse António Costa, segundo o qual é previsível que “os atrasos tornem mais cara” a construção da ciclovia, que foi adjudicada por 275 mil euros.

Já o vereador Jorge Máximo deu alguma esperança de, em breve, se conseguir ultrapassar o impasse. “A câmara está a tentar obter um acordo extrajudicial”, que ponha termo ao diferendo entre a autarquia e o particular que embargou a obra e a levou a tribunal, cuja identidade não foi revelada.

“A informação que tenho dos serviços jurídicos da câmara é de que estará próximo o entendimento entre as partes”, afirmou Jorge Máximo, salientando que “as vicissitudes porque esta obra tem passado já fizeram derrapar os trabalhos em dois ou três meses”. O que, mesmo que o embargo seja levantado em breve, empurra para o fim do primeiro trimestre de 2015 a conclusão da empreitada.

Quando estiver finalmente construído o troço da ciclovia junto à via férrea, ligando a Rua de Entrecampos à Travessa Henrique Cardoso e à Rua Infante Dom Pedro – artéria que vai desembocar na Avenida de Roma -, será possível percorrer em bicicleta a zona compreendida entre Entrecampos e a Avenida Almirante Gago Coutinho, até à área próxima do Parque da Belavista.

Comparticipada por fundos comunitários através do QREN, esta obra, que tinha um prazo de execução de 180 dias – mas que, afinal, irá demorar mais tempo -, insere-se na rede ciclável de Lisboa. Rede que, na área da Linha de Caminho-de-Ferro, dispõe já de um outro troço executado ao longo da Avenida Frei Miguel Contreiras.

Esta ciclovia poderá ir ainda mais longe e ligar ao Parque da Belavista, se se concretizar um projecto de extensão que está ainda em estudo na Câmara, como se pode ver no mapa que a autarquia disponibiliza online da Lisboa Ciclável, acessível em

Comentários
  • Pedro
    Responder

    Notícia complexa, repetitiva e cheia de “palha”. Fica até confuso ler…

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