Como utente dos transportes públicos de Lisboa, nunca, até à data, senti necessidade de utilizar os serviços sanitários em qualquer estação de Metro. No entanto, há sempre uma primeira vez. Com a abertura da Linha Vermelha, o acesso entre as diferentes linhas de Metro tornou-se muito mais longo, em especial na estação da Alameda, com características de Centro Comercial, que exige do utente uma caminhada mais ou menos longa entre linhas ou de acesso ao exterior. Também recentemente, o tempo de espera entre as composições aumentou significativamente, podendo mesmo atingir mais de 15 minutos.

Tendo ainda de mudar de transporte para chegar a casa, perguntei num café onde se encontravam as instalações sanitárias e fui confrontada com um “Não há. Estão avariadas”. Fiquei perplexa, considerando a possibilidade desta situação poder acontecer a qualquer um, em particular a uma pessoa de idade que tivesse de fazer um itinerário parecido, ou ainda mais longo que o meu, a um deficiente ou mesmo a uma criança que ainda não tenha grande controlo dos seus esfíncteres. Também me questionei sobre as necessidades fisiológicas dos muitos funcionários que trabalham quer para o Metro, quer nos muitos estabelecimentos comerciais, e, certa que haveria uma alternativa, dirigi-me a um segurança que me deu a mesma resposta. “Está avariada”, deixando passar a ideia que já é recorrente.

Com a bexiga a dar sinais de impaciência não resisti e perguntei: “Ora essa! Onde posso apresentar uma reclamação?” O segurança respondeu apontando para o guichet de Informações, fora da área de controlo de bilhetes. Como tenho passe Navegante, saí do perímetro e dirigi-me ao balcão, onde de dois, havia um guichet encerrado e outro sem qualquer funcionário. Aguardei cerca de 10 minutos, já a contorcer-me um pouco, mas em vão. Acabei por subir as escadas e entrar no Café Pão de Açúcar para poder dar descanso à bexiga e oxigenar um pouco o cérebro. Depois desci, voltei a entrar no Metro e rumei ao meu destino final. Só não acontece a quem não se desloca de transportes públicos…!

Questões a colocar: O Metro de Lisboa, explorando um serviço público, não tem a responsabilidade de assegurar o bom funcionamento dos equipamentos? Numa superfície como a da estação da Alameda onde se faz a intersecção da linha Vermelha, que vem do Aeroporto, com a linha Verde, que dá acesso à Baixa, onde circulam diariamente milhares de utentes, grande parte deles turistas, não existem instalações sanitárias a funcionar? Então, onde é que pára a ASAE? Se são tão exigentes face ao funcionamento dos equipamentos necessários a um café de bairro de 15 metros quadrados, como podem não o ser face a uma superfície de milhares de metros quadrados?

 

Texto: Manuela Rocher         Ilustração: Hugo Henriques

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