A planeada introdução, durante o mês de Março, de estacionamento tarifado nas ruas da zona histórica de Carnide poderá constituir um fortíssimo golpe para a actividade dos muito populares restaurantes ali existentes e para a vitalidade daquela comunidade. Quem o diz é Fábio Sousa (PCP), presidente da junta de freguesia, que considera “inoportuno” e “completamente desfasado” o plano de expansão da actividade da EMEL (Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa) à área também conhecida como Carnide Velha. “Fazer uma coisa destas, nesta altura, é matar a zona”, afirma ao Corvo, antecipando a visita ao local dos dois vereadores do seu partido, João Ferreira (candidato à presidência da CML pela CDU) e Carlos Moura, a realizar esta quinta-feira (2 de março), às 11h30, e subordinada a este assunto.

 

O presidente da junta contesta, sobretudo, o facto de se anunciar agora o alargamento do parqueamento pago naquela zona, quando ainda estão por cumprir quer as obras de requalificação do espaço público previstas em projectos vencedores as edições de 2014 e 2015 do Orçamento Participativo (OP) de Lisboa, quer a construção de um prometido parque de estacionamento com capacidade para 200 lugares. E ainda estão por fazer também as obras de repavimentação de alguns arruamentos, a realizar no âmbito do plano municipal Pavimentar Lisboa. A requalificação da Azinhaga das Carmelitas viu serem-lhe contemplados 150 mil euros no OP 2014 e à recuperação da Rua da Mestra foi atribuído igual montante em resultado da votação do OP 2015. “Infelizmente, estes projectos ainda não avançaram”, constata Fábio Sousa.

 

O autarca acha, por isso, que “não faz muito sentido” iniciar a aplicação naquela área, neste momento, de um sistema de estacionamento pago, quando essas obras estão ainda por concretizar. Isto porque as mesmas implicarão trabalhos no espaço público – o mesmo se colocando em relação ao previsto arranjo de algumas ruas incluídas no plano Pavimentar Lisboa 2015-2020. A isso acrescenta a também incumprida promessa de construção de um parque de estacionamento com capacidade para duas centenas de viaturas, a situar em terrenos adjacentes a Carnide Velha e destinado tanto a residentes como a visitantes. Segundo informações recolhidas pelo autarca, a demora na concretização desta obra estará relacionada com a demora na negociação entre a CML e um particular para a compra do terreno onde será instalado o parqueamento.

 

 

“Estas são soluções claramente estruturantes, que estão por cumprir e sem as quais não faz sentido estar agora com os parquímetros”, considera Fábio Sousa, lembrando a importância económica e social do negócio da restauração, responsável por trazer muita gente até aquele núcleo urbano da zona norte da capital. “Estamos a falar de algo muito relevante, são 18 restaurantes. Se não forem salvaguardados os lugares para os clientes, podemos estar a criar um problema grande”, avisa Fábio Sousa, apesar de admitir que a actividade tem um claro impacto no número de lugares disponíveis para os residentes. Por isso mesmo, defende a rápida construção do parque para 200 viaturas, na Azinhaga das Carmelitas.

 

Algo que é pedido também na petição lançada, há cerca de duas semanas, por um grupo de cidadãos e comerciantes “indignados com a tentativa de entrada abrupta da EMEL em Carnide Centro sem que sejam resolvidos os problemas de estacionamento de forma integrada e sem que sejam requalificadas as ruas conforme prometido”. Além da não criação do referido estacionamento, o documento lembra que estão por concretizar os projectos do OP, abrangendo a Azinhaga das Carmelitas, a Travessa do Pregoeiro, a Rua General Henrique de Carvalho, a Rua das Parreiras e a Rua da Mestra.

 

Neste momento, a EMEL regula o estacionamento na via pública em três pontos da freguesia de Carnide: Quinta da Luz, Bairro Novo Carnide e Quinta do Bom Nome. A introdução de parquímetros na zona histórica de Carnide deverá ser concretizada neste mês de Março, segundo sabe o presidente da junta, que não dispõe, porém, de informações sobre o número de lugares incluídos nesta nova bolsa de parqueamento tarifado.

 

Texto: Samuel Alemão

 

  • Paulo Magalhães
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    Não “matam” nada. Pode nos primeiros tempos haver alguma baixa de frequência, mas é temporária. As pessoas já estão habituadas a pagar o estacionamento, até já existe app para o fazer.

  • Responder

    ah, bom eu vou de metro……já agora façam mais qualquer maldade/melhoramentwo

  • Rosa
    Responder

    A zona histórica de Carnide não devia era ter circulação automóvel. O resto é demagogia barata.

  • Paula Andorinha
    Responder

    Ainda gostava de saber porque é que só alguns lisboetas é que têm de pagar estacionamento? Se se reside numa zona com comércio e serviços temos menos estacionamento e ainda pagamos? Porquê?

  • NdaF
    Responder

    Não há problema, passo a ir almoçar à Costa da Caparica. O parquímetro dá para a portagem da Ponte.

  • Ricardo Pingo
    Responder

    Até agora safo-me pq pontinha é Odivelas e não CARNIDE..mas ainda vai correr muita tinta em CARNIDE lol

  • Cláudio da Silva
    Responder

    Quem vai ao restaurante tb tem uma moedinha.

  • Jorge Parente Baptista
    Responder

    Mais um artigo alarmista.

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