Se a vida de qualquer peão já não é fácil em Lisboa, a dos cegos e pessoas com visibilidade reduzida revela-se ainda mais difícil. Sendo certo que os avisadores sonoros dos semáforos os podem ajudar de forma decisiva a atravessar as ruas, a verdade é que eles são escassos e muitos se encontram avariados. A Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) encara, por isso, como fundamental a decisão de fazer um levantamento exaustivo das passadeiras semaforizadas da capital sem avisadores acústicos, depois de ter sido aprovada por unanimidade uma moção nesse sentido, apresentada na última reunião de executivo da Câmara Municipal de Lisboa (CML) pelo vereador João Gonçalves Pereira (CDS-PP).

 

“Há uma grande necessidade de sinais sonoros para que as pessoas nestas condições consigam fazer os seus percursos diários com maior autonomia. Mas, além de eles estarem concentrados sobretudo na zona central da cidade, muitos encontram-se desligados”, diz ao Corvo Paulo Santos, presidente da delegação de Lisboa da ACAPO, que reuniu com o vereador centrista antes deste redigir a moção agora aprovada (24 de Março) pelo executivo municipal – a qual “defende que seja reforçada a colocação de avisadores sonoros, em especial junto às saídas do metropolitano, interfaces de transportes e estabelecimentos de ensino, num processo conjunto entre a Direcção Municipal de Mobilidade e Transportes e as associações de deficientes invisuais”.

 

A colaboração neste levantamento por parte das associações, como a ACAPO, revela-se importante, por permitir “sinalizar prioridades e necessidades mais veementes, respondendo assim aos anseios destes cidadãos”, lê-se no texto merecedor da concordância de todos os vereadores e que pede: “Depois de feito o referido levantamento e priorizados os possíveis locais a intervir, reafectar parte da verba necessária inscrita nas Grandes Opções do Plano 2015/2018, viabilizando assim a colocação dos referidos avisadores acústicos”. Uma solução que, defende o CDS-PP, deve continuar a ser implementada pela CML, “procurando garantir a maior cobertura possível das vias públicas e dos cruzamentos semaforizados”.

 

Uma ideia também preconizada pela ACAPO. “É evidente que terá de ser feito um estudo a nível técnico, mas parece-nos claro que estes dipositivos devem, progressivamente, ser alargados a todas as zonas da cidade, por serem essenciais às pessoas”, afirma Paulo Santos, lembrando que “ninguém vive fazendo apenas o percurso entre o trabalho e os transportes”. O dirigente associativo lamenta que, apesar de escassos, muitos dos avisadores acústicos dos semáforos estejam desligados, como é o caso de uma zona tão central como a do Marquês de Pombal junto à Avenida António Augusto de Aguiar.

 

No texto da moção, o vereador João Gonçalves Pereira relata as dificuldades que um cidadão lhe fez chegar por email, dando conta que, diariamente, após chegar à estação de Cais do Sodré, tem que se deslocar da estação da CP para as paragens de autocarro da Carris. “Neste testemunho, o munícipe refere que necessita de apanhar o autocarro na paragem localizada no local oposto à estação dos comboios. Desta forma, apesar de estar habituado a esta caminhada, este cidadão invisual referiu que os semáforos não têm sinalização sonora, dificultando em muito o atravessamento das diferentes passadeiras existentes nesta zona do Cais do Sodré”, conta o eleito do CDS-PP.

 

Texto: Samuel Alemão

 

  • Raquel Fernandes
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    Em Madrid os semáforos fazem um som que parece um pássaro, boa ideia! também deviam mudar o som das portas do metro em Lisboa quando fecham. É que o som actual parece mais a cena do duche do filme Psycho!

  • Vitor Sabino
    Responder

    Acho muito bem, nas cidades mais evoluídas da Europa, já existe esses sinais sonoros (em tudo) desde os primórdios.

  • Manuela Soares
    Responder

    Acho muito bem

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