Dificilmente será este Verão que se poderá andar de barco no jardim do Campo Grande. Para já, nem vogar nas águas do lago, nem passear pelas alamedas da ala norte do jardim. As obras, que tiveram conclusão prevista para 30 de Junho, prometem durar mais um mês. Aparentemente, ainda há muito trabalho a fazer, mas a câmara quer agora tê-las prontas até finais de Agosto.
Quem veja hoje o jardim do Campo Grande, a partir do topo norte – o mais próximo da Segunda Circular e da estação de metro – apesar da vedação, poderia pensar que as obras de requalificação estariam por dias. Mas não. Poucos metros a seguir já não há relva a crescer, há obras. A vedação metálica, colocada há quase um ano, permanece a envolver todo o jardim até à zona da Reitoria da Universidade e a empreitada de requalificação parece estar ainda longe do fim. Apesar disso, a expectativa da autarquia é ter a obra pronta até ao fim de Agosto. “Em princípio deverá estar concluída na segunda quinzena de Agosto, o mais atardar no fim do mês”, disse ao Corvo João Camolas, assessor do vereador Sá Fernandes, responsável pelos Espaços Verdes.
A conclusão dos trabalhos fora anunciada para dia 30 de Junho passado, num cartaz afixado no local pela empresa que tem esta empreitada a cargo, a Luis Frazão. Nele via-se um carimbo com a data marcada para o fim das obras. Em Maio passado, quando questionado pelo Corvo, o assessor do vereador Sá Fernandes, responsável pelos Espaços Verdes, admitia também que as obras pudessem estar terminadas a 30 de Junho. Tal não sucedeu e agora no local há um novo cartaz, idêntico ao primeiro, mas já sem o carimbo com a data de conclusão dos trabalhos.
Caminhando pelas bermas do jardim – já que a vedação impede a aproximação da zona de obras – vê-se que ainda há bastante a fazer. O lago ainda está seco e rodeado por pilhas de terra. O edifício do Caleidoscópio exibe os mesmos tags de há anos, e a zona está transformada num parque de carros e máquinas, que ainda terão muito que trabalhar até dali saírem.
A recuperação do Caleidoscópio não faz parte da empreitada assumida pela câmara, na ala norte do Campo Grande. Essas obras cabem à Universidade de Lisboa, segundo um acordo estabelecido entre as partes. Já a recuperação do lago faz parte do projecto e está incluída na obra camarária que, presumivelmente, era para inaugurarem Junho.
A passagem pedonal, ligando a zona da Universidade Lusófona ao Museu da Cidade, no outro lado do jardim, continua interdita. Derrubado permanece um acesso à passagem de peões, uma estrutura em betão que abateu parcialmente no Inverno passado, quando uma árvore o terá deitado abaixo. Também esta reparação está fora da empreitada que a Luis Frazão tem em mãos, e cabe a um outro departamento da CML, o das Obras de Arte. Mas ontem havia operários a trabalhar nessa zona, o que poderá indiciar que a recuperação deste acesso seja feito a par das restantes obras de requalificação.
Já próximo da Alameda da Universidade, onde havia a pista para bicicletas – que esteve fechada durante um ano, quando o jardim foi vedado  -, quinta-feira passada estavam cantoneiros a partir pedra da calçada. A pista de bicicletas é interrompida pelos novos caminhos do jardim, que são ladeados por pedra que os cantoneiros vão colocando. Mas eles próprios não sabiam dizer se, terminado esse trabalho, as pistas de bicicletas serão repostas.
Já na ala sul reina a calma. Vêem-se mães com filhos, a brincar no parque infantil. Avós que passeiam com os netos, pela fresquinha, e vão sendo salpicados por jactos de água da rega automática, a funcionar em pleno às 10h00 da manhã, o que se transforma logo numa brincadeira, num jogo: o de passar pelos caminhos do jardim sem se ser molhado pela rega. A água só não chega ainda à piscina do Campo Grande, que continua seca e abandonada, à espera da salvadora empresa espanhola a quem a câmara concessionou há já vários meses a sua reparação.
Palco de muita animação ao longo de décadas e frequentada por pessoas de diversas camadas etárias e sociais, a piscina do Campo Grande chegou a ser o cenário favorito de muitos habitantes do bairro de Alvalade. Foi lá que muitos aprenderam a nadar e outros começaram a namorar.  Mas hoje ela é um cenário triste no meio do jardim. Isso poderá mudar, quando a recuperação se iniciar, o que, de acordo com as declarações feitas pelo vereador Manuel Brito, recentemente numa reunião da câmara, está “para breve”.
O que todos esperam é que a requalificação do Campo Grande avance e o jardim volte a ser parte da cidade, e não uma ilha envolta em obras, como sucede há já mais de um ano.

 

Texto e fotografia: Fernanda Ribeiro

  • Paula Brito
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    Todos os dias passo junto ao jardim….e todos os dias aprecio as obras. Tenho uma certeza: o jardim não vai estar pronto no final deste mês. Só esta semana é que começaram a por os tubos vermenlhos por baixo da terra…só esta semana é que começaram a tratar da esplanada…e ao fim de 12 meses ainda continuam de volta do lago. Eu não acredito que o jardim reabre essa ala antes de Outubro/Novembro. Com muita pena minha

  • Madalena Valente
    Responder

    Para além da demora na conclusão desta parte da obra no Jardim do Campo Grande, será que os montes de terra com cobertura verde, ladeados por bancos corridos em pedra, que estão a surgir lateralmente são para “esconder” o interior do jardim e assim o tornar mais apetecivel para os “utlizadores” menos bem intensionados que por ali circulam constantemente? Neste jardim embora de vez em quando se veja policiamento a cavalo, a segurança é muito comprometedora. O jardim é para ser usufruído na totalidade, não apenas pelos arruamentos laterais, pois lá “dentro” é que não nos vamos sentir seguros.

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