A estupefacção entre os transeuntes era enorme, à hora de almoço, na Rua Morais Soares. E o assunto dominava algumas conversas, sobretudo dos mais velhos, ao balcão dos cafés. “Uma vergonha”, “não se percebe”, “destroem tudo”, “que mal é que faziam os carris?”, eram algumas das expressões saídas da boca de muita gente, indignada por se estar a cobrir com um tapete de asfalto os velhos carris das linhas de eléctrico desactivadas. Para muitos, a operação de repavimentação daquela importante artéria comercial e da contígua Praça do Chile, levada a cabo pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), está a causar mais estragos do que a ter efeitos benéficos. Com ela, parece ficar definitivamente afastada a hipótese de ser reactivada alguma das antigas linhas e, simultaneamente, enterra-se a memória de um tempo marcado pelo atravessamento da Morais Soares pelas garbosas carruagens amarelas.

A repavimentação desta rua e da Praça do Chile, iniciada pela autarquia, esta semana, acontece em simultâneo com outras operações semelhantes, levadas a cabo em diversos pontos da cidade – aproveitando o aparente fim da temporada de chuvas e o surgimento do sol. A intervenção surge, com carácter de urgência, numa altura em que a profusão de buracos no pavimento se evidenciava quase como pandémica. A CML havia dito, na semana passada, que iria intervir, assim as condições meteorológicas o permitissem, procedendo mesmo à colocação integral de novos tapetes. O que muitos não suspeitavam é que tal ímpeto a levaria a tapar algumas linhas de eléctricos. Neste caso, da Morais Soares e Praça do Chile. Ficam agora soterradas pela massa asfáltica os carris que, outrora, serviram as linhas 1, 8, 13, 17, 17A, 21, 23, 24 e 27. “Pode ser que, no futuro, venham a desenterrá-las e voltem a dar-lhes uso. Agora, só promovem o automóvel e a poluição”, queixava-se, emocionado, o dono de um café. Aparentemente indiferentes, muitos passavam pela zona, com passo apressado.

 

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Texto e fotografia: Samuel Alemão

  • o corvo
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    Câmara tapa carris de eléctricos na Morais Soares e Praça do Chile – http://t.co/aPAyIv2pfk

  • Ricardo Venâncio
    Responder

    Finalmente, a rua já merecia uma revisão. E os carris eram um terror para passar de bicicleta.

  • Carla Ribeiro
    Responder

    “….o assunto dominava algumas conversas, sobretudo dos mais velhos, ao balcão dos cafés. “Uma vergonha”, “não se percebe”, “destroem tudo”, “que mal é que faziam os carris?”, eram algumas das expressões saídas da boca de muita gente, indignada por se estar a cobrir com um tapete de asfalto os velhos carris das linhas de eléctrico desactivas….. é por estas mentes que o nosso país anda assim há mts anos. Raios se não era usados prejudicavam a passagem e não só aos carros tb aos peões e mesmo assim reclama-se. reclamam de tretas do que deviam reclamar calam.

  • Zé Nuno
    Responder

    que triste ideia. em vez de termos mais eléctricos e bicicletas teremos este alcatrão mal amanhado que dura mal e funciona mal necessariamente… é gastar dinheiro 🙁

  • José Manuel de Almeida Marques
    Responder

    Enquanto andam a plantar pontos par carros movidos a aletrecidade sem utilizadores, enterram os carris que, seguramente, serão o futuro de uma cidade sustentável.Tudo isto é triste tudo isto é fado!

  • Cristina
    Responder

    Em Maputo fizeram o mesmo, em toda a cidade. O tempo encarregou-se de demonstrar o quão errado foi.
    OK: há muito tempo que já não passavam eléctricos naquela zona, mas será que não poderiam repensar a introdução dos mesmos? Aquela zona tem um trânsito terrível, não há metro pela Morais Soares até ao Alto de São João e os autocarros demoram eternidades a descer a rua.
    Pois eu estou com os que reclamam. Impossibilitar o uso e a reintrodução do transporte público num sítio tão desgastado pelo excesso de automóveis como a Morais Soares… enfim.

  • Jose Sapinho
    Responder

    mau. ou pessimo serviço do escurinho

    • Nuno Rebelo
      Responder

      o que é o “escurinho”? alguma alcunha para o alcatrão, certamente…

  • Nuno Rebelo
    Responder

    RT @ocorvo_noticias: Câmara tapa carris de eléctricos na Morais Soares e Praça do Chile – http://t.co/aPAyIv2pfk

  • David Crisóstomo
    Responder

    RT @ocorvo_noticias: Câmara tapa carris de eléctricos na Morais Soares e Praça do Chile – http://t.co/aPAyIv2pfk

  • Pedro Sales
    Responder

    @ocorvo_noticias criticas mais estúpida era difícil. certamente nunca perceberam o risco para quem anda bicicleta ou mota com piso molhado

  • Nuno Rebelo
    Responder

    É de facto uma pena esta opção. Digo-o por presumir que a opção de instalação de eventuais novos carris sairá bem mais onerosa do que a preservação dos presentes.

    É igualmente pena pelo significado deste novo tapete de asfalto – a assunção de que as linhas de eletrico serão mesmo para não recuperar e o sinal que passa mesmo é o de que linhas que atualmente funcionem poderão até vir a ser desativadas num futuro mais ou menos próximo. Exceto o incónico 28, já se sabe. Esse e a sua frequência turística não lhe permitem o encerrar de funções.

    Lamento muito que muitos olhem para os eletricos como algo de exótico, romântico e pitoresco e apenas isso. São-no mas antes do mais são ótimos, confortáveis e muito úteis e práticos meios de transporte. Basta olhar para as cidades norte americanas, por exemplo, que parecem apostar cada vez mais em eletricos e metros ligeiros.

  • Margarida Rebelo
    Responder

    Esta cidade já fede de podre, em todos os aspectos!
    Cada vez mais inóspita e deprimente, independentemente das muitas obras e projectos que são efectuados.
    Está a perder a sua identidade a “passos largos” e só um doido com opção de escolha é que escolhia esta cidade para viver e trabalhar

  • Pedro Marques
    Responder

    realmente uma tristeza,olhamos para algumas capitais da Europa e os eléctricos continuam ao serviço da população e dando um charme que Lisboa lentamente vai perdendo,dando lugar a verdadeiras autoestradas dentro da cidade!!!!

  • Sergio
    Responder

    Os carris são muito perigosos para quem circula de 2 rodas, sobretudo de bicicleta. É de louvar que os retirem e caso voltem a ser necessários que os recoloquem. Qual o valor que podemos colocar numa vida que se perca pela existência destes carris?

  • João Lopes
    Responder

    Concordo com os comentários dos perigos dos carris para quem circula de 2 rodas (mota ou bicicleta).
    Moro perto e esse era um local que costumava evitar circular devido aos carris.
    Não sei se estará previsto, mas seria importante melhorar o asfalto da Calçada do Poço dos Mouros que parece uma zona de guerra tal a quantidade de buracos.

  • António
    Responder

    Finalmente! Não dá para perceber as pessoas que querem os carris porque acham bonito, quando são dos maiores perigos urbanos para quem anda de mota ou de bicicleta na cidade. Deviam era tirar todos os que não são usados. O Corvo devia era ter uma noticia a mostrar os sitios onde esses carris ainda existem e onde deviam ser tapados também. Mais motas e bicicletas só ajuda o trânsito!

  • José
    Responder

    Se não são usados os carris,AINDA BEM QUE SÃO TAPADOS.

  • Pedro Martins
    Responder

    Até agora ninguém falou do mais importante,que em vez de enterrarem os carris,vendiam os mesmos no ferro-velho.Assim foram enterrados muitos €€€(toneladas e toneladas de ferro(desperdício).Até parece que Portugal é um país rico!Outros países mais ricos nao fariam isto,concerteza!

  • Rui Fonseca
    Responder

    Está-se memso a ver porque taparam os carris com alcatrão. Das duas uma:

    1- Pra daqui a uns meses rebentarem com o alcatrão todo e tirarem os carris, voltarem a fazer obras e o pavimento ficar como estava antes… rememdado, fracturado….

    2- Para que o trabalho de dilatação e contração dos carris debaixo da camada de alcatrão começe a criar fissuras no novo ‘tapete’. Vindo as primeiras chuvas e o frio, teremos um pavimento tão bom quantos os piores pavimentos desta cidade.

    Cocnlusão da História. Há sempre duas maneiras de se fazer as coisas: bem ou mal. Em portugal 85% das decisões são em prol de fazer mal as coisas.

  • Carlos Branco
    Responder

    Afinal o senhor presidente da Câmara hoje 4/7/2018 na Grande Entrevista, não confirmou a conclusão da linha do 24 até ao Cais do Sodré, ou será tudo apenas epotético? Os amarelos que voltariam a rodar pela linha até ao Cais do Sodre pelos vistos não é prioridade, além disso para os eléctricos serem rentáveis deveriam fazer como na Alemanha, onde há tram ou eléctricos não há autocarros. Mas não é tudo, falam tanto de turismo, as ruas de Lisboa estão todas cheias de Grafites feitos pelos novos residentes brasileiros e dos seus maus hábitos, como deitar lixo nas ruas, as papeleiras cheias até o lixo sair de fora e espalhar-se pelo chão. Alfama uma vergonha, caixotes cheios de lixo para os turistas poderem admirar e sentir o seu bom odor, como é que esta Câmara de Lisboa está. Já vi esta Lisboa mais limpa, será que a limpeza não conta, os grafites outra praga, é no Metro do Cais do Sodré, chega até aparecerem nas estações, para que servem os sistemas de segurança e as câmaras, deve ser para os senhores seguranças nada fazerem e passearem pelas estações e retificarem a sua passagem pelas mesmas com um aparelho. A rua que ladeia o Elevador da Bica, o próprio veiculo com mais de 100 anos, eu não pagariam 3 euros para viajar num ascensor todo pintado que merecia melhor sorte do que estar pintado daquela maneira, a vergonha é maior, junto à Escola Politécnica palavrões com expressões brasileiras, nem sei como esta cidade recebeu este último galardão, no Porto se existe um grafite é logo coberto com uma nova pintura, e depois o senhor presidente da Câmara de Lisboa gaba-se de quê? Será que só interessa a entrada de turistas e nada mais. Já percorri 35 cidades do mundo e esta continua a ser das mais sujas da Europa. O trânsito caótico, carros que estacionam em cima das linhas dos eléctricos, nesta cidade não há interesse de fomentar os transportes públicos, mas construir parqueamentos da qual o senhor tanto se orgulha, claro para virem para a cidade mais automóveis, então em que ficamos? Promover os transportes públicos ou o estacionamento de automóveis? Ou só será que a entrevista foi para falar da polémica da Madona e as suas 15 viaturas da qual não se confirmou o número elevado, ou o senhor presidente não sabia do que falava. Outro ponto muito importante para a divulgação da cidade e das suas raízes culturais o porquê das igrejas fechadas, tantos turistas que chegam às portas desses edifícios religiosos e tudo fechado a sete chaves. Quando acabar o bum do terrorismo este país e as suas cidades vão ficar como sempre, sem turistas, o turismo fomenta-se quando um turista vê a realidade, os vídeos são manipulados e nada se vê da realidade, isto quer dizer que não passa de uma fraude turistica. Em vez de pensarem nas novas linhas de eléctricos deviam pensar em abrir as já existentes, mas na realidade os lisboetas falam, mas só vejo estrangeiros. Sem mais, para por todos os lisboetas a pensarem um pouco.

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