Tal como vinham pedindo moradores de Entrecampos, começou esta semana a ser entaipado um desvão da urbanização da EPUL na Avenida das Forças Armadas, ocupado há mais de um ano por ciganos da Europa de Leste, de modo a impedir a pernoita no local.

Operários enviados pela Câmara Municipal de Lisboa começaram, terça-feira à tarde, a erguer um muro que fechará o desvão onde costumavam reunir-se nómadas romenos e búlgaros, que ali faziam fogueiras e usavam o baldio fronteiro, também pertencente à extinta empresa municipal, para as suas necessidades fisiológicas. Segundo disseram ao Corvo, o vão – onde ainda são visíveis restos de camas improvisadas – ficará fechado até ao fim da semana.

A presença deste grupo, que também montara um acampamento noutro baldio junto à Avenida Álvaro Pais, provocou diversos protestos da Associação de Moradores da Praça de Entrecampos e diversas intervenções da PSP, conforme noticiou o Corvo no mês passado. Residentes na zona queixaram-se de maus cheiros vindos do baldio contíguo ao complexo da EPUL, de roubos de fio de cobre, algazarras e cenas de violência.

A última terá acontecido domingo, 1 de Junho, quando um dos ciganos do grupo que pernoitava no vão agora emparedado se envolveu num incidente com um segurança do supermercado Continente de Entrecampos, fugindo depois para ali, onde seria espancado antes que chegasse a polícia, contou um residente que filmou o episódio. Quando a PSP chegou, os homens meteram-se em carrinhas que estacionam nas imediações, deixando para trás as mulheres, relatou a mesma fonte.

“Vamos a ver como as coisas correm. Pelo menos, as ratazanas e a insalubridade passarão a estar controladas. O acampamento da Álvaro Pais também foi evacuado, por isso a situação na zona parece ter sido acalmada”, comentou o dirigente da associação de moradores Manuel Nery Nina.

Por razões diferentes – a extinção da EPUL e um contencioso jurídico –, mantêm-se três grandes terrenos baldios na zona : junto à Avenida das Forças Armadas, junto à Avenida Álvaro Pais e o recinto da antiga Feira Popular. “É o centro da cidade adiado”, comentou Manuel Nina, que tem proposto como alternativa temporária a utilização destas áreas expectantes como locais de jardinagem para os residentes da zona.

Texto: Francisco Neves

 

  • Fernando D. Limão
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    Saiem daí , vão para outro lado .A câmara fazia bem se lhe desse bilhete de retorno, pois ainda andam por cá a sacar o pouco que nos resta .

  • Bruno Vasconcelos Maia
    Responder

    julgo que a CML faz o que pode…o que faz a autoridade competente SEF?

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