A Câmara Municipal de Lisboa (CML) vai gastar, nos próximos três anos, quase seis milhões de euros no combate aos graffiti e aos cartazes ilegais, bem como na “protecção das superfícies tratadas e manutenção das mesmas”. A autarquia, que decidiu abrir dois concursos públicos internacionais para a contratação de empresas especializadas, por reconhecer não ter os meios humanos e materiais necessários para realizar tal tarefa, pretende assim montar uma estratégia para combater o problema, pelo menos até 2019.

 

Os contratos a celebrar prevêm não só a limpeza de superfícies, mas também a monitorização do estado das mesmas durante esse período. A proposta de compromisso financeiro materializa-se em dois concursos públicos – que, com o IVA, terão um valor total de 5.885.550 euros –, ambos redigidos pelo vereador Duarte Cordeiro (Higiene Urbana) e a ser discutidos e votados pela Assembleia Municipal de Lisboa, nesta terça-feira (3 de Maio). Um dos contratos tem o valor total de 5.166.000 euros e ou outro de 719.550 euros.

 

No texto que acompanha a proposta de compromisso financeiro com o valor mais elevado refere-se a vontade de “monitorizar e cuidar do espaço público que é de todos e garantir que a arte urbana não se confunda nem sucumba aos actos vandálicos”. “O esforço do município na contenção deste fenómeno tem tido avanços e recuos, com deslocalização entre várias zonas da cidade e com incapacidades espácio-temporais para um combate eficaz”, reconhece-se, para, de seguida, se anunciarem as novas linhas orientadoras da política camarária nesta matéria.

 

“O município pretende tornar a prática de remoção e limpeza de graffiti e publicidade selvagem mais célere em algumas zonas da cidade e, simultaneamente, mais eficaz e homogénea nas restantes zonas da cidade, e não só nas zonas de maior circulação”, diz a proposta. Que acrescenta: “É necessário continuar a combater a proliferação desordenada e indiscriminada dos graffiti na cidade, valorizando ao mesmo tempo o grafito enquanto arte urbana, com regras e espaços próprios”.

 

Um plano de intenções reiterado na segunda proposta – de valor mais baixo – que vai ser discutida e votada em assembleia, e na qual se admite que “actualmente, o Muncípio de Lisboa não detém objectivamente os meios humanos e materiais, próprios para uma eficiente e eficaz actuação na fiscalização e remoção de graffiti e cartazes”.

 

Estes últimos são expressamente mencionados na proposta de contrato de valor mais elevado. “Interessa, também, continuar a promover a remoção da publicidade selvagem e uma maior fiscalização junto das entidades privadas responsáveis pela sua colocação”, afirma o documento assinado por Duarte Cordeiro.

 

Por isso mesmo, e por entender que “importa monitorizar as acções implementadas”, a CML decidiu avançar com estes dois concursos públicos internacionais. Na proposta do seu lançamento, considera-se que “é determinante definir, para o horizonte temporal de 2016 a 2019, as prioridades de controlo das intervenções no âmbito da fiscalização da remoção de graffiti e cartazes na cidade, visando em simultâneo a mudança comportamental dos agentes da mesma, acompanhando o procedimento de remoção de graffitis que será lançado em simultâneo”.

 

As propostas surgem na mesma altura em que decorre, até 15 de Maio, a primeira edição do festival de arte urbana Muro, no Bairro Padre Cruz. Envolvendo mais de trinta criadores nacionais e internacionais e meia centena de criações artísticas, aquele que já é anunciado como o “maior festival de arte de rua da Europa” – e que terá, para além das intervenções plásticas, um conjunto muito diversificado de actividades, entra as quais debates, trabalho comunitário e associativo, pedagogia, cinema, música, animação de rua, teatro, marionetas, bike trial e paintball – promete colocar lado a lado as “obras de artistas reconhecidos, de principiantes mas também dos moradores e das crianças do bairro”.

 

Texto: Samuel Alemão

 

  • Tuga News
    Responder

    [O Corvo] Câmara de Lisboa vai gastar quase seis milhões contra graffiti e cartazes ilegais https://t.co/00iksSUXBX #lisboa

  • Sally Pethybridge
    Responder

    Câmara de Lisboa vai gastar quase seis milhões contra graffiti e cartazes ilegais https://t.co/J7qRwF4diT

  • José
    Responder

    Parabéns, mas tanto dinheiro???para limpeza e pintura???

  • José
    Responder

    Este dinheiro todo, dava para colocar desempregados a vigiar e pintar.

  • Pedro
    Responder

    Os gabinetes municipais apinhados de funcionarios, e onde eles realmente são necessarios, não os há! Quanto as cartazes muito simples, aprender com outras cidades, se surgem em um sitio não permitido a empresa ou o serviço que se publicita no cartaz leva uma multa de varios milhares de euros. Remedio santo!

  • Filipe S Henriques
    Responder

    @davidscris @CamaraLisboa Acho que estás enganado https://t.co/LPrse2QwhX

  • M.P.Carvalho
    Responder

    Se monitorizar significa implementar um sistema de vídeo vigilância têm o meu apoio e admiração ! Se não. ..

Deixe um comentário.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografías 

Paula Ferreira
Fotografía

Margarita Cardoso de Meneses
Dep. comercial e produção

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com