Depois das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril de 1974, vem aí também o assinalar oficial da passagem de quatro décadas sobre o 25 de Novembro de 1975, golpe militar que ditou o fim do Período Revolucionário em Curso (PREC). A Câmara Municipal de Lisboa (CML) vai desenvolver um programa evocativo desta data, que continua a ser muito pouco consensual e nunca comemorada institucionalmente, reconhecendo-lhe desta forma um inédito significado político. A iniciativa partiu do vereador João Gonçalves Pereira (CDS-PP), através de uma proposta votada favoravelmente na última reunião de executivo camarário. E está a ser muito criticada pelo PCP.

 

Na reunião, ocorrida quarta-feira (11 de Fevereiro), a proposta de Gonçalves Pereira para “aprovar a criação de um programa evocativo do 25 de Novembro” mereceu igualmente os votos favoráveis de sete vereadores do PS e dos três eleitos pelo PSD. Os vereadores eleitos pelo PCP, Carlos Moura e João Bernardino, votaram contra, bem como Paula Marques, vereadora independente eleita na lista socialista liderada por António Costa e que detém os pelouro da Habitação e do Desenvolvimento Local. O seu colega João Afonso, também independente na mesma lista e com o pelouro dos Direitos Sociais, e José Sá Fernandes (PS), vereador da Estrutura Verde e Energia, abstiveram-se.

 

O PS teve, assim, um papel determinante na aprovação da proposta de comemoração de uma efeméride comummente vista como um travão ao PREC e que, por isso, divide a esquerda portuguesa. Isso mesmo é admitido pelo autor da proposta, quando refere ao Corvo “a abertura por parte do executivo socialista para assinalar esta data tão importante para a consolidação da democracia portuguesa”. João Gonçalves Pereira diz que o intuito principal desta evocação “é que não seja perdida a memória junto dos mais novos do que foi o processo de formação do nosso regime democrático”.

 

O vereador do CDS-PP salienta que as duas datas, 25 de Abril e 25 de Novembro, “não são concorrentes, mas complementares e ambas muito importantes”. Mas admite que apenas a primeira é reconhecida pela vasta maioria da população e em termos oficiais. O único vereador eleito pelos centristas entende, por isso, que devem ser lembrados os acontecimentos que, para muita gente, são vistos como determinantes para o que interpretam como tendo sido o início do “processo de normalização” da sociedade portuguesa. Isto para que as pessoas, sobretudo as mais novas, “tenham um conhecimento mais aprofundado sobre a data”.

 

Sem querer revelar pormenores sobre o conteúdo do referido programa evocativo – embora adiante que deverá haver lugar para uma exposição e o lançamento de um livro -, Gonçalves Pereira salienta a “contenção” de custos que deve guiar a celebração, “até porque o país está em crise e não pode suportar muitos gastos” – e diz mesmo que, “de certeza, custará muito menos que as últimas comemorações do 25 de Abril”. A definição do quadro da comemoração será tutelada por Gonçalves Pereira e por Catarina Vaz Pinto (PS), vereadora com o pelouro da Cultura. Mas o eleito do CDS-PP diz esperar muitos contributos vindos da sociedade civil.

 

Uma leitura oposta faz o vereador comunista João Bernardino, que critica o avalizar da proposta pelo PS. “Surpreende-nos que tenham votado favoravelmente, até porque já houve outras ocasiões em que se distanciaram de iniciativas deste género. Só podemos ver isto como um tacticismo eleitoral do PS, à luz das próximas eleições legislativas, nas quais António Costa tentará chegar a primeiro-ministro”, diz Bernardino, lamentando que se queira “fazer uma similitude entre 25 de Abril e 25 de Novembro”.

 

João Bernardino – que costuma substituir o vereador e eurodeputado João Ferreira – admite que, “historicamente, a leitura que o PCP faz da data é, como é óbvio, contrária. Há um problema de reconhecimento”. A comemoração do seu aniversário, entende o eleito comunista, “é extemporânea, na medida em que até há outros momentos históricos muito mais importantes a unir os portugueses, sendo que este divide ainda e muito. Trata-se de uma data que, no essencial, reflecte uma negação dos valores do 25 de Abril”.

 

Texto: Samuel Alemão

  • Ana Maria Pereirinha
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    Uma vergonha. Já temos vergonha do actual primeiro-ministro e do autodenominado “futuro primeiro-ministro”. Que risonho futuro!

  • Henrique Dias
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    A banalização, comemora-se tudo e mais alguma coisa…

  • Luís Brântuas
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  • Rita Guimarães
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    não é novidade nenhuma a simpatia do PS com o ’25 de novembro’ mas é uma vergonha que a capital do país promova iniciativa comemorativa de uma ação contra-revolucionária.

  • Vítor Carvalho
    Responder

    Não sei se é ou não importante comemorar o 25 de novembro de 1975 que, como é óbvio, não se compara nem de perto nem de longe á importância das comemorações do 25 de abril de 1974. Mas é bom não branquear nem proceder a qualquer revisionismo da História: se hoje vivemos num regime democrático parlamentar, de tipo ocidental e não numa qualquer “democracia” de tipo popular, em muito se deve ao golpe do 25 de novembro que pôs fim a uma tentativa de tomada de poder anti-democrática por parte de forças que queriam para Portugal um regime de tipo coletivista soviético. Percebe-se o incómodo do PCP se nos lembrarmos do triste papel que teve nessa altura. Afinal de contas que se espera de um partido políticoco que ainda há pouco tempo dizia que tinha dúvidas que o regime norte-coreano não fosse uma democracia?…

  • Paulo Ramos
    Responder

    Pena é comemorar – se o 25 de Abril

    • Carlos A.S. Martins
      Responder

      Coitado, não há hospitais em Lisboa para te tratares? Estás gravemente doente, e já não vais durar muito tempo, a doença é do tipo fulminante, nem sabem do que morrem.

  • Ana Cruz
    Responder

    Claro que os PXuxas simpatizam com o 25 de Novembro…! Pois se foram eles que o fizeram…! O Padrinho Soares, o Carlucci da CIA, R. Eanes, etc, etc…, um grupo de “democráticos” contra-revolucionários que são aquilo que todos sabemos. Agora vão festejar a data da contra-revolução e da machadada no 25 de Abril pois já está tudo como eles queriam que estivesse: desemprego, mão-de-obra quase gratuíta, trabalho escravo, direitos roubados a quem trabalha e os patrões a poderem despedir por duas razões – por tudo e por nada.

  • josemssantos
    Responder

    #Estrumeira Câmara de Lisboa vai comemorar os 40 anos do 25 de Novembro de 1975 | O Corvo | sítio de Lisboa http://t.co/AjxLj7XIDC e

  • ermelinda
    Responder

    Como sempre o PS mostra o que é. Foi no 25 de Novembro que a igualdade começou a recuar e o povo começou a sofrer e chegou ao estado em que está. Desde as conversas entre o sr. Soares e Carlucci, desde quando o PS se juntou à direita na Alameda, mostrou aí de que lado estava. O PS = aos democratas dos EUA que para mim de democratas têm muito pouco.

  • Ricardo Gaio Alves
    Responder

    O PS da CM Lisboa não deveria ter aprovado uma «semana invocativa» do 25 de Novembro.
    http://t.co/npGFruVwHs

  • Miguel Peres dos Santos
    Responder

    A palavra “Comemorar” implica memória… É pena que esta memória seja selectiva. Dos pobres de espírito será o reino dos céus, este daqui já o têm desde o 25 de novembro.

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