Câmara de Lisboa quer Linha de Cintura como “quinta linha do metro” e ligada a Cascais

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Samuel Alemão

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Cidade de Lisboa

12 Abril, 2018

É uma solução “dois em um” e poderá ajudar a resolver parte dos problemas de mobilidade na capital portuguesa. A Linha de Cintura de Lisboa, ligando Alcântara-Terra a Moscavide, poderá vir a ser conectada com a Linha de Cascais e, ao mesmo tempo, ver o seu sistema tarifário aproximar-se do praticado pelo Metropolitano de Lisboa (ML). Passaria assim, na prática, a funcionar como uma quinta linha da rede do metro. Essa é a vontade do actual executivo da Câmara Municipal de Lisboa, que estará a desenvolver contactos junto da administração central para que se avalie tal possibilidade. Isso mesmo é sublinhado por Miguel Gaspar, vereador com o pelouro da Mobilidade, em declarações a O Corvo. “Oferece um serviço muito bom e deve passar a ser visto pelas pessoas como uma linha de metro da cidade”, diz.

O autarca havia já expressado essas ideias, a 3 de Abril, ao participar num debate organizado pela Ordem dos Engenheiros sobre a expansão da rede de Metro de Lisboa, e reitera-as agora em declarações exclusivas a O Corvo. “Defendemos fortemente a ligação da Linha de Cascais à Linha de Cintura. Criar-se-ia, assim, uma forma de as pessoas chegarem ao coração da cidade. Deve ser estudada essa ligação e é isso que temos vindo a transmitir com insistência ao Governo. E, por outro lado, defendemos também o alinhamento dos tarifários desta linha com os praticados no Metro de Lisboa, assumindo que, na prática, funciona como uma quinta linha do metro de Lisboa e publicitando-a como tal”, afirma Miguel Gaspar. O vereador salienta que, na verdade, tratar-se-ia de formalizar o que muita gente já “descobriu”: a possibilidade de utilização da referida linha ferroviária como escolha óbvia em muitas das deslocações dentro da cidade.

Algo que se tornou frequente desde que, a 1 de Fevereiro de 2012, surgiu o passe Navegante – o qual, na sua modalidade “Urbano”, permite utilizar Metro, Carris e comboios da CP dentro de Lisboa. Mas, apesar disso, uma parte substancial dos utentes dos transportes públicos ainda não pensam nela como uma real opção, quando pretendem fazer deslocações dentro da cidade. “Há muita gente a usá-la. Mas as pessoas não a vêem como uma linha de metro, quando, na realidade, é esse serviço que ela acaba por assegurar”, considera. Uma realidade que poderia mudar, defende o autarca, se se desenvolvesse o conceito, através de uma forte campanha de comunicação. Mas também através de uma harmonização do tarifário dessa linha com o do ML.

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Uma solução que, certamente, será bem mais fácil de implementar do que a ligação da Linha de Cascais com a Linha de Cintura. Pegando no projecto, entretanto abandonado, de uma ligação ferroviária subterrânea de contentores entre Alcântara-Mar e Alcântara-Terra, Miguel Gaspar considera que se devem voltar a considerar “as melhores soluções técnicas para assegurar a ligação entre as linhas de Cascais e de Cintura”. Algo que deve acontecer, defende, porque a procura assim o determina. “É consensual que a Linha de Cascais está a precisar de obras. Parece-nos, a nós, bem como aos municípios de Oeiras e Cascais, que esta é uma oportunidade para olhar de forma diferente para esta linha”, diz o vereador.

As obras do Caneiro de Alcântara, integradas no sistema de retenção de cheias da cidade, obrigarão a grande mexidas no subsolo daquela zona. Mas isso não significa que haja já certezas sobre qual das melhores opções para levar o comboio da Linha de Cascais ao Vale de Alcântara. “Das duas uma: ou se faz enterrado ou, se for à superfície, será uma solução de light rail, ao estilo do metro do Porto”, explica. “O que é inequívoco é que devemos aproveitar esta ocasião, em primeiro lugar, para melhorar o serviço oferecido e, depois, para assegurar também uma ligação à zona central de Lisboa. O que pode ser feito através da Linha de Cintura. E isso deve acontecer porque é o que muita gente quer”, acredita o autarca.




 

A Linha de Cintura foi inaugurada em 1888 e garante a conexão com as linhas de Cascais (com travessia pedonal até Alcântara-Mar), de Sintra (em Campolide) e do Norte (Braço de Prata) e ainda o transbordo para as linhas Azul, Amarela e Verde do ML. A sua transformação numa espécie de ligação híbrida, assegurando a comunicação ferroviária com a Linha de Cascais e, ao mesmo tempo, passando a funcionar virtualmente como uma quinta linha do ML, seria assim uma absoluta novidade.

 

Questionado sobre esta matéria, o Metropolitano de Lisboa escusou-se a responder, sob o argumento de que “não compete ao ML comentar afirmações expendidas pelo vereador da CML Dr. Miguel Gaspar”.

 

Já a Infraestruturas de Portugal, entidade responsável pela gestão e manutenção das linhas ferroviárias, confirmou a O Corvo estar a “desenvolver estudos de procura que contemplam diversos cenários de desenvolvimento futuro da linha de Cascais”, sem especificar quais. A mesma fonte fez notar, contudo, que, “no passado, a REFER desenvolveu projectos relativos à viabilidade técnica da ligação física entre a linha de Cascais e a linha de Cintura”.

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COMENTÁRIOS

  • Paulo Carmo
    Responder

    Interessante continuar a existir o equívoco de que a estação de Moscavide é a estação urbana mais oriental da capital. Interessante, anos depois da alteração dos limites da cidade nesta zona, ninguém questionar tal situação errónea.
    Com o aumento do território do município que deu origem ao território da freguesia do Parque das Nações, a estação de Sacavém – que marca uma das extremidades – teria de passar de suburbana para urbana. Desta forma, iria existir redundância na oferta, criando alternativas aos moradores da zona norte do Parque das Nações e, por outro lado, poderia diminuir o caótico parqueamento na estação de Moscavide, com oferta de maior parqueamento na zona do Trancão. Em vez disso, existem habitantes que pagam impostos em Lisboa, como os restantes, mas, ainda assim, não utilizam a estação de comboios de Sacavém, mais próxima de casa, por ser suburbana, tendo de se deslocar até Moscavide.
    Continuar a insistir que a estação de Sacavém é suburbana e não faz parte de Lisboa confirma que o conceito de mobilidade na cidade é apenas teoria na boca de responsáveis que não utilizam o risível sistema de transportes públicos pelo qual tem responsabilidades.

  • criarsitepro.com.br
    Responder

    Apenas o que eu estava procurando, obrigado!

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