Câmara de Lisboa prepara aumento da rede ciclável em mais 90 quilómetros

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Samuel Alemão

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MOBILIDADE

Cidade de Lisboa

13 Maio, 2016


São mais nove dezenas de quilómetros de vias preparadas para a circulação de bicicletas. E mais uma cartada jogada em favor dos que defendem uma muito necessária mudança do paradigma da mobilidade na cidade de Lisboa, assunto que tem ocupado o topo da agenda mediática e política na capital portuguesa. A Câmara Municipal de Lisboa (CML) prepara-se para anunciar, em breve, o avanço para a criação de uma rede ciclável com uma extensão de cerca de 90 quilómetros, a qual deverá ser concretizada ao longo de 2016 e 2017, sabe O Corvo. A intervenção não implica, porém, a construção das tradicionais ciclovias.

A nova rede de trajectos preparados para acolher os ciclistas urbanos deverá corresponder à adopção de uma estratégia substancialmente diferente daquela seguida, desde 2009, pela autarquia. Depois da criação de uma rede de vias inteiramente dedicadas à circulação das bicicletas, num elevado investimento em obras no espaço público que levou ao surgimento de um sistema de ciclovias interligadas entre si – com uma extensão de aproximadamente 60 quilómetros -, a solução passará agora pela partilha com o tráfego automóvel do espaço existente. O que até acaba por dar resposta a muitas das exigências de uma parte significativa da comunidade de ciclistas lisboetas, que tem criticado diversos erros de concepção das ciclovias – os quais comprometerão a segurança dos seus utentes .

Grande parte das vias serão agora criadas através da simples marcação no pavimento de sinalética específica, em paralelo com a correspondente sinalização vertical. Uma opção de implementação muito mais fácil e rápida e, sobretudo, bastante menos onerosa para os cofres do município. Para a pôr em prática, a CML irá mesmo aproveitar muitas das obras que estão a ser realizadas na rede viária e no espaço público, no âmbito quer do plano Pavimentar Lisboa quer do programa Uma Praça em Cada Bairro. Além de permitir a poupança de esforços e a realização de um mais eficaz investimento na requalificação do espaço público, tal opção deixa para trás o mais “pesado” paradigma da construção de raiz das clássicas ciclovias.

“Há algumas coisas ainda por definir, mas o plano está praticamente definido nas suas linhas gerais. Gostávamos de ser envolvidos no projecto, para evitar até que sejam cometidos alguns erros feitos quando se construíram muitas das ciclovias”, diz ao Corvo um dos membros de uma das associações que congregam a comunidade ciclista da capital. Essas entidades, juntamente com as juntas de freguesia, têm sido chamadas pelos serviços da câmara para tomarem conhecimento dos planos da autarquia. “Houve algum trabalho de consensualização das diferentes visões que existiam, sobre esta matéria, dentro dos diferentes departamentos da Câmara de Lisboa”, explica a mesma fonte.

Esse limar das distintas perspectivas sobre a melhor forma de pôr mais bicicletas a circular na cidade deu origem à nova política. E ela será colocada em prática de duas formas distintas, mas sempre aproveitando a estrutura viária de Lisboa. Uma será através da criação de faixas cicláveis devidamente delimitadas, em corredores dedicados às bicicletas e encostados à direita da faixa de rodagem, junto aos passeios. A outra solução técnica passa pela adopção da denominada “vias banalizadas”, que permitem uma coexistência partilhada da faixa de rodagem entre veículos automóveis e bicicletas. Esta solução obriga à aplicação de diversas medidas de acalmia de tráfego, para assim permitir uma maior segurança dos ciclistas.

Parte destas “vias banalizadas” poderá vir a ser instituída nas faixas Bus, uma solução técnica que terá já recebido o parecer positivo por parte da Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária.

Câmara de Lisboa prepara aumento da rede ciclável em mais 90 quilómetros

A implementação desta nova rede de vias cicláveis privilegiará as áreas mais planas de Lisboa, situadas sobretudo fora da zona histórica da capital portuguesa. Aliás, em Janeiro passado, a CML contratou os serviços de uma empresa de consultoria em transportes para “elaborar o Projecto Piloto de Rede Viária com Rede Ciclável para o Planalto Central de Lisboa” – iniciativa sobre a qual O Corvo solicitou, há mais de um mês, informações à câmara municipal, não tendo, contudo, obtido respostas.

De acordo com a informação disponível na base de dados contratação pública, a área de implementação do referido projecto “abrange o denominado Planalto Central, situado entre a zona do Saldanha e a zona de Telheiras e entre a zona do Areeiro e a zona de Sete Rios”. Ou seja, trata-se da área da cidade em que se concentram muitas das empresas de serviços e a maioria dos estabelecimentos de ensino superior, bem como aquela onde a topografia do terreno será mais “amigável” a quem anda de bicicleta, por não apresentar grandes desníveis.

Este plano de crescimento da rede ciclável de Lisboa tem também como objectivo criar as condições necessárias para a entrada em funcionamento da rede de bicicletas partilhadas (bike sharing) da cidade, na primavera de 2017. A mesma será gerida pela Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) e terá 1.410 bicicletas, distribuídas por 140 estações: 92 no planalto central da cidade, 27 na Baixa e frente ribeirinha, 15 no Parque das Nações e seis no Eixo Central, entre as avenidas Fontes Pereira de Melo e da Liberdade.

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