Câmara de Lisboa prepara aumento da rede ciclável em mais 90 quilómetros

por • 13 Maio, 2016 • Actualidade, SlideshowComentários (39)1798

São mais nove dezenas de quilómetros de vias preparadas para a circulação de bicicletas. E mais uma cartada jogada em favor dos que defendem uma muito necessária mudança do paradigma da mobilidade na cidade de Lisboa, assunto que tem ocupado o topo da agenda mediática e política na capital portuguesa. A Câmara Municipal de Lisboa (CML) prepara-se para anunciar, em breve, o avanço para a criação de uma rede ciclável com uma extensão de cerca de 90 quilómetros, a qual deverá ser concretizada ao longo de 2016 e 2017, sabe O Corvo. A intervenção não implica, porém, a construção das tradicionais ciclovias.

 

A nova rede de trajectos preparados para acolher os ciclistas urbanos deverá corresponder à adopção de uma estratégia substancialmente diferente daquela seguida, desde 2009, pela autarquia. Depois da criação de uma rede de vias inteiramente dedicadas à circulação das bicicletas, num elevado investimento em obras no espaço público que levou ao surgimento de um sistema de ciclovias interligadas entre si – com uma extensão de aproximadamente 60 quilómetros -, a solução passará agora pela partilha com o tráfego automóvel do espaço existente. O que até acaba por dar resposta a muitas das exigências de uma parte significativa da comunidade de ciclistas lisboetas, que tem criticado diversos erros de concepção das ciclovias – os quais comprometerão a segurança dos seus utentes .

 

Grande parte das vias serão agora criadas através da simples marcação no pavimento de sinalética específica, em paralelo com a correspondente sinalização vertical. Uma opção de implementação muito mais fácil e rápida e, sobretudo, bastante menos onerosa para os cofres do município. Para a pôr em prática, a CML irá mesmo aproveitar muitas das obras que estão a ser realizadas na rede viária e no espaço público, no âmbito quer do plano Pavimentar Lisboa quer do programa Uma Praça em Cada Bairro. Além de permitir a poupança de esforços e a realização de um mais eficaz investimento na requalificação do espaço público, tal opção deixa para trás o mais “pesado” paradigma da construção de raiz das clássicas ciclovias.

 

“Há algumas coisas ainda por definir, mas o plano está praticamente definido nas suas linhas gerais. Gostávamos de ser envolvidos no projecto, para evitar até que sejam cometidos alguns erros feitos quando se construíram muitas das ciclovias”, diz ao Corvo um dos membros de uma das associações que congregam a comunidade ciclista da capital. Essas entidades, juntamente com as juntas de freguesia, têm sido chamadas pelos serviços da câmara para tomarem conhecimento dos planos da autarquia. “Houve algum trabalho de consensualização das diferentes visões que existiam, sobre esta matéria, dentro dos diferentes departamentos da Câmara de Lisboa”, explica a mesma fonte.

 

Esse limar das distintas perspectivas sobre a melhor forma de pôr mais bicicletas a circular na cidade deu origem à nova política. E ela será colocada em prática de duas formas distintas, mas sempre aproveitando a estrutura viária de Lisboa. Uma será através da criação de faixas cicláveis devidamente delimitadas, em corredores dedicados às bicicletas e encostados à direita da faixa de rodagem, junto aos passeios. A outra solução técnica passa pela adopção da denominada “vias banalizadas”, que permitem uma coexistência partilhada da faixa de rodagem entre veículos automóveis e bicicletas. Esta solução obriga à aplicação de diversas medidas de acalmia de tráfego, para assim permitir uma maior segurança dos ciclistas.

 

Parte destas “vias banalizadas” poderá vir a ser instituída nas faixas Bus, uma solução técnica que terá já recebido o parecer positivo por parte da Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária.

 

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A implementação desta nova rede de vias cicláveis privilegiará as áreas mais planas de Lisboa, situadas sobretudo fora da zona histórica da capital portuguesa. Aliás, em Janeiro passado, a CML contratou os serviços de uma empresa de consultoria em transportes para “elaborar o Projecto Piloto de Rede Viária com Rede Ciclável para o Planalto Central de Lisboa” – iniciativa sobre a qual O Corvo solicitou, há mais de um mês, informações à câmara municipal, não tendo, contudo, obtido respostas.

 

De acordo com a informação disponível na base de dados contratação pública, a área de implementação do referido projecto “abrange o denominado Planalto Central, situado entre a zona do Saldanha e a zona de Telheiras e entre a zona do Areeiro e a zona de Sete Rios”. Ou seja, trata-se da área da cidade em que se concentram muitas das empresas de serviços e a maioria dos estabelecimentos de ensino superior, bem como aquela onde a topografia do terreno será mais “amigável” a quem anda de bicicleta, por não apresentar grandes desníveis.

 

Este plano de crescimento da rede ciclável de Lisboa tem também como objectivo criar as condições necessárias para a entrada em funcionamento da rede de bicicletas partilhadas (bike sharing) da cidade, na primavera de 2017. A mesma será gerida pela Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) e terá 1.410 bicicletas, distribuídas por 140 estações: 92 no planalto central da cidade, 27 na Baixa e frente ribeirinha, 15 no Parque das Nações e seis no Eixo Central, entre as avenidas Fontes Pereira de Melo e da Liberdade.

 

Texto: Samuel Alemão

 

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39 Responses to Câmara de Lisboa prepara aumento da rede ciclável em mais 90 quilómetros

  1. Já devia era estar a aumentar :))

  2. Zé Miguel Zé Miguel diz:

    E assim acaba toda uma época e começa outra. Sem crianças.

  3. Tuga News Tuga News diz:

    [O Corvo] Câmara de Lisboa prepara aumento da rede ciclável em mais 90 quilómetros https://t.co/tv6jOGJJOg #lisboa

  4. Já agora… se os automobilistas e os peões (eu, por exemplo) têm regras de trânsito para cumprir (sinais, prioridades, respeito, segurança…) os ciclistas também as deveriam ter e cumprir…

    • Não deixa de ter alguma razão no que diz no seu comentário, mas os condutores de veículos motorizados também os há que têm de passar a cumprir melhor as regras, incluídas as com os ciclistas.

    • Essa questão do cumprimento das regras por parte dos ciclistas não deixando de ter alguma razão tem, vinda de automobilistas, muita graça.
      Vejamos que regras os automobilistas sistematicamente não cumprem:
      – limites de velocidade, sejam eles em meio urbano ou não
      – obrigação de parar no sinal de stop
      – obrigação de dar prioridade nas passadeiras
      – obrigação de facilitar o atravessamento das vias de circulação sempre que não existam passadeiras a menos de 50 metros
      – proibição de passar traços continuos
      – cumprimento de toda a sinalização vertical
      – proibição de estacionamento em passeios, passadeiras e a menos de 5 metros duma curva.

      Poderia ainda alongar-me mais mas vou só abordar aquela que é a pedra de toque contra os ciclistas:
      – obrigação de parar num semaforo vermelho
      Esta é especialmente engraçada quanto não são poucos os automobilistas que não cumprem isto, mas critica-se sistematicamente o ciclista.
      Quando um ciclista não cumpre um semaforo vermelho, fa-lo com o devido cuidado porque em causa está a sua integridade fisica: não tem para-choque nem está rodeado por uma lata metalica e fá-lo a baixa velocidade. Quando um automobilista não cumpre um sinal vermelho fa-lo a velocidades elevadas, pondo em risco não só a sua segurança como a de tudo o que está à sua volta.

      Para terminar não esqueçamos os números:
      – em 2015 morreram mais de 500 vitimas de acidentes rodoviarios, não contando com as mortes a mais de 72 horas.
      Destas muitas foram ciclistas abalroados por veiculos automoveis, outras foram peoes.

      Quantas foram as mortes em acidentes cuja culpa foi dos ciclistas????

      • Pedro Vaz diz:

        E quantas dessas mortes foram culpa dos automobilistas? Hoje quem conduz é tratado como um criminoso, até o podia convidar a passar 12 horas no meu carro a passear pela cidade e certamente no final a sua opinião seria bem diferente, falam sem saber passam 1 hora a conduzir e pensam que sabem tudo a respeito de mobilidade! !!!!!!!!!

    • Automobilistas mataram e feriram em 2015 40.000 pessoas só em Portugal: conduzir a usar telemóvel, não abrandar antes das passadeiras (Art. 25º, 1 do CdE), velocidades excessivas, estacionar junto a passadeiras, a cruzamentos e em cima dos passeios, passam sinais vermelhos (40% no caso dos automobilistas e camionistas e +60% no caso dos motociclistas, estudo PRP 2015), razias a peões e ciclistas, poluição do ar e ruído que também mata e fere, etc. Ciclistas mataram e feriram gravemente 0 pessoas em 2015.

      • Pedro Vaz diz:

        Essas estatísticas sao de rir, já alguma vez se deu ao trabalho de ver no INE se alguma vez foram feitas tais contabilidades para ciclistas?Oh gente ignorante falam para não tarem calados

        • Alvaro diz:

          Mas o Pedro Vaz, que não é nada ignorante e sabe tudo, vai dizer-nos quantas pessoas morreram atropeladas por ciclistas. Vá, dê lá os números, tenho a certeza que vamos todos ficar escandalizados.

    • Pois é cara Maria João estas respostas deixaram-na… sem resposta 🙂

    • Eis a resposta (aproveitando uma pausa no trabalho…): se lerem o meu comentário “…e os peões (eu, por exemplo)…”, poderão constatar o óbvio: sou peão. Mas não será má ideia rodear-me “por uma lata metálica”, uma armadura, por exemplo, para circular nos passeios, precavendo-me dos ciclistas que aí pedalam em grande velocidade. E seguramente não me refiro aos ciclistas menores de 10 anos que, esses sim, estão autorizados a pedalar nos passeios… embora mesmo assim seja conveniente terem algum cuidado com a integridade física dos peões. Ah… e quando o semáforo fica verde, para o peão atravessar, é suposto todo o trânsito parar, incluindo ciclistas. Simples! 🙂

  5. Temos 40 anos de atraso civilizacional a recuperar . A principal razão para não haver mais pessoas a usar a bicicleta é o medo. Vemos cada vez mais pessoas racionais e sem medos a usarem este eficiente veículo urbano, mas sem dúvida que uma rede contínua, segura, confortável, com interseções bem feitas, alargada a toda a cidade, vai incentivar muito mais pessoas a pedalar e a tornar a cidade de Lisboa um lugar muito mais agradável para todos.

  6. mais uma loucura dos socialistas , que em vez de cuidarem de pessoas/contribuíntes, procurarem soluções ou alternativas para aqueles que realmente precisam, dedicam -se a fazer obras que são caríssimas para se poder andar de bicicleta, porque burros que são acham que os portugueses vão deixar de trazer o pópó para o centro de cidade!!!!! ahahahahahah e começarem a andar de bike!!!! isto é lindo.

    • ora aqui está uma mentalidade com 40 anos de atraso 😉 sem ofensa 🙂 .

    • ao pé da sua com milhares de anos atrasados estou muito bem, sem ofensa claro

    • Cara Maria Rita… Talvez ter um pouco de mais gente a andar de bicicleta se revele melhor para todos. Mesmo para os que não podem ou não querem largar o automóvel: https://ecf.com/news-and-events/news/what-would-happen-if-bicycle-usage-increased-10

    • mas eu concordo com o andar de bicicleta e haver percursos para poderem andar, o que quis dizer é que a forma=a conclusão não vai ser como pensam , mas não quero falar sobre este assunto porque já vi que é socilalista.

    • Vasco diz:

      Não transforme estes assuntos num Direita/Esquerda. A rede ciclável também está a ser aumentada nas cidades norte-americanas, com apoio dos cidadãos.

    • Pedro Vaz diz:

      Concordo a 1000% esta gente que fala vêm à cidade no fim de semana e pensam que a economia de uma cidade se faz pelas pessoas que andam de bicicleta ou a pé basta conhecer alguns sitios da cidade onde os carros deixaram de passar e verificar como ficaram, sem vida,sem comércio e abandonadas pelas suas freguesias isto tudo para satisfazer mais um loby.

      • Alvaro diz:

        Então diga lá onde são essas zonas de Lisboa que ficaram desertas por causa das bicicletas. Podia também apanhar um avião numa Low-Cost qualquer para qualquer cidade da Europa ocidental, abrir os olhos e ver. Na verdade, a disseminação da bicicleta e das infraestruturas cicláveis leva a melhorias imediatas na qualidade de vida das zonas urbanas, com melhorias no comércio local. São os tais 40 anos…

  7. Luís Mota Luís Mota diz:

    Um artigo, ao falar da expansão da rede de ciclovias, só refere fontes anónimas…

    Não se refere nenhum nome da CML.

    E ainda, temos:
    – “uma parte significativa da comunidade de ciclistas lisboetas, que tem criticado diversos erros de concepção das ciclovias”. Que parte? Quem?
    – há frases citadas entre aspas com origem em “um dos membros de uma das associações que congregam a comunidade ciclista da capital”. Qual associação? Que membro?
    – “Essas entidades (…) têm sido chamadas pelos serviços da câmara para tomarem conhecimento dos planos da autarquia.” Quais entidades?
    – “a CML contratou os serviços de uma empresa de consultoria em transportes para “elaborar o Projecto Piloto de Rede Viária com Rede Ciclável””. Que empresa?

    Porquê o anonimato? O que o poderá justificar, pergunto? Não cheira nada bem, isto… Poderá ser manipulação?

    • O Corvo O Corvo diz:

      “…iniciativa sobre a qual O Corvo solicitou, há mais de um mês, informações à câmara municipal, não tendo, contudo, obtido respostas”.

    • Luís Mota Luís Mota diz:

      Isso não responde senão a um ínfimo pormenor.

      Para um cabal esclarecimento, era essencial que essas fontes fossem reveladas.

  8. RT @ocorvo_noticias: Câmara de Lisboa prepara aumento da rede ciclável em mais 90 quilómetros – https://t.co/NwqyqDTJ9c

  9. Pedro diz:

    Marcações no chão não valem nada… segurança zero, quando misturados com os carros.
    Os meus filhos assim não vão andar de bicicleta para lado nenhum até serem adultos… É isso que se pretende? Não seria de seguir o exemplo do único país que tem uma quantidade incrível de pessoas a circular de bicicleta? A Holanda tem ciclovias em quase todo o lado, e onde existe partilha, a prioridade é da bicicleta… Só assim se consegue que as crianças vão de bicicleta para a escola…

    • Pedro Vaz diz:

      Gostam muito de se comparar com a holanda!! Que tal legalizar a prostituição e abrir uns cafezinhos para podermos fumar umas brocas? E já agora receber tanto como eles? É pá vão se curar, só comparam o que vos dá jeito

      • Alvaro diz:

        Tenha calma Pedro. O fim do mundo só está anunciado por causa das alterações climáticas, ainda não é por causa das bicicletas.

  10. há pessoas que não podem utilizar bicicletas, ou quen teem profisões que não se adequam ao uso das mesmas, antes destas medidas todas, devias haver um investimento realista em melhorar os transportes públicos, habito numa zona de Lisboa, servida por dois autocarros que demoram mais do dobro a chegar ao centro da cidade, do que o automóvel

    • Uma coisa não invalida a outra. Mas a aposta na mobilidade ciclável está mais que provada que trás benefícios para todos: https://ecf.com/news-and-events/news/what-would-happen-if-bicycle-usage-increased-10

    • Pedro Vaz diz:

      Ora ai está a realidade de alguém que não vêm só passear à cidade, investir mas é em transportes públicos e melhores vias, já se deram ao trabalho de contabilizar quantas faixas de “bus” foram extintas na cidade de Lisboa? E quantas são respeitadas pelos automobilistas?

    • Ricardo diz:

      Ninguém é obrigado a utilizar bicicleta. Mas é importante perceber que é impossível todos utilizarem o automóvel: os recursos são limitados e as consequências nefastas. Os transportes públicos de Lisboa já são bastante bons, e um dos motivos porque não são melhores, é por causa do excesso de automóveis, que ocupam vias BUS, paragens de autocarros e estacionam em 2ª fila, bloqueando ruas.

  11. Boas notícias! Mas e o que vai a CML fazer às ciclovias “Modelo Bárbara Guimarães” já existentes, incluindo aquela projectada para o Eixo Central? http://videos.sapo.pt/fMyjZh3rgZrRjbKhtJjs

  12. ena pá. é que é mesmo-mesmo-mesmo aquilo que é prioritário…

  13. José diz:

    Parabens á camara e ao seu presidênte.

  14. o uso de bicicletas e a criação de condições para isso, diminui o transito e a poluição, melhora a qualidade de vida da população e a sua saúde e faz pessoas mais felizes, andar de bicicleta é mesmo bom. Uma boa medida.