“Estamos a trabalhar para ter o eléctrico como modo de transporte das pessoas na cidade e não como um transporte turístico”, disse Manuel Salgado, vereador com o pelouro do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa (CML), na tarde desta terça-feira (9 de Junho) perante a Assembleia Municipal de Lisboa. Mesmo após a reiterada afirmação de desinteresse por parte da Carris em reactivar a linha do eléctrico 24 – que até 1995 assegurava o trajecto Campolide-Largo do Carmo -, por alegadamente não ser viável economicamente, a autarquia diz que não estar disposta a deixar cair tal projecto. Para o provar, o vereador anunciou que a CML está a realizar uma série de investimentos que, caso assim seja decidido, poderão permitir o regresso da ligação entre Cais do Sodré e Campolide, passando pelo Largo do Carmo.

 

Aquando da recente inauguração da linha turística Chiado Tram Tour (na fotografia), circuito em carrossel entre o Príncipe Real e o Largo Camões explorado comercialmente pela Carristur, participada da transportadora pública, o presidente da Carris voltou a refrear as expectativas de quem gostaria de ver tal cenário. A eventual procura desse serviço por parte dos passageiros não seria muita, alegou na altura Rui Loureiro, presidente do conselho de administração da Carris, dizendo, porém, que o cenário poderia vir a mudar se se verificasse uma mudança da vontade das pessoas – embora sem dizer como poderia ser avaliada tal demanda. O administrador da transportadora não afastou, todavia, a possibilidade de a antiga estrutura ainda existente (linhas e catenárias) vir a ser utilizada para exploração turística. Aliás, nessa ocasião, António Proença, presidente da Carristur, admitiu que a empresa “gostaria muito” de estender este género de ligações a locais como o Largo do Rato, Campolide e Amoreiras.

 

O presidente da Carris dizia aos jornalistas, logo de seguida, haver “uma tendência, que não é de agora, de passar os eléctricos todos para o serviço turístico”. “O turismo baseado nos eléctricos é algo que veio para ficar”, afirmou. Mas tais declarações não parecem ter soado muito bem aos responsáveis municipais. Sobretudo a Manuel Salgado, que havia já falado publicamente do eventual regresso das ligações de eléctrico ao Largo do Carmo, quando apresentou ao jornal Sol, no início do ano passado, o plano de reabilitação do Largo Trindade Coelho. A obra terminou em Janeiro passado e manteve os carris intactos no seu lugar, permitindo a sua utilização. Por isso, o vereador deixa agora críticas implícitas à aparente desistência da Carris em voltar a ter um serviço de transporte público de passageiros naquela zona. E anuncia obras e investimento, como que insistindo na marcação de terreno.

 

“Neste momento, já lançámos uma empreitada de 2,5 milhões de euros para a aquisição de aparelhos de via a instalar no Cais do Sodré, para permitir que o eléctrico ali funcione”, explicou o vereador, na tarde desta terça-feira, ante os deputados municipais, depois de sobre este assunto ter sido questionado por uma eleita do Bloco de Esquerda. Manuel Salgado disse haver ainda um projecto de adaptação das linhas, a implementar na Rua de São Roque, o qual permitirá aos eléctricos fazerem sem constrangimentos as suas manobras. De igual modo, o responsável pelo urbanismo da CML disse que também em Campolide, e no âmbito do Programa Uma Praça em Cada Bairro, “está a ser contemplada a melhoria da rede de eléctrico”.

 

Por tudo isto, garante Manuel Salgado, a CML está “a trabalhar para ter o eléctrico como modo de transporte das pessoas na cidade e não como um transporte turístico”. Uma declaração que foi aplaudida pelos deputados municipais do PS. Pouco antes, o vereador referira – e depois de sobre isso ter sido recordado pela eleita bloquista que o interpelara – o facto de existir um protocolo assinado, em 1997, entre a Carris e a CML para a reactivação do eléctrico 24. Nesse documento, a que O Corvo teve recentemente acesso, era acordado que a autarquia gastaria aproximadamente 200 mil contos (cerca de um milhão de euros) para a renovação da linha. O pressuposto de tal investimento era o do retomar da circulação da ligação em eléctrico entre Campolide e Cais do Sodré.

 

 

Texto: Samuel Alemão

 

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