Apesar do aproximar do prazo para o cumprimento da ordem de despejo das históricas instalações que ocupa há mais de um século em Alfama, o Lusitano Clube ainda tem esperança de poder vir a encontrar uma solução para um problema que ameaça de forma decisiva a sua sobrevivência. Uma hipótese aberta pelo aparente interesse pelo assunto demonstrado, nas últimas semanas, pela Câmara Municipal de Lisboa, através do departamento de desporto. Os seus responsáveis estão a analisar o dossiê, contando ainda com a colaboração dos departamentos de urbanismo e de cultura.

 

“Uma delegação de três pessoas visitou-nos, no início de dezembro, para conhecer melhor a colectividade e se inteirar da nossa situação. Foram muito atenciosos, demonstraram interesse genuíno e prometeram analisar a questão com toda a atenção”, conta ao Corvo David Costa, presidente da direcção do clube, que, na tarde desta segunda-feira (2 de janeiro), anunciou o adiamento, em pouco mais de um mês, no prazo para o abandono do rés-do-chão do 81 da Rua São João da Praça – prédio para o qual está agora prevista a transformação num conjunto habitacional de luxo.

 

A data que estava originalmente fixada para à saída do Lusitano das instalações onde funciona há muitas décadas era a do próximo dia 15 de janeiro, como foi tornado público em setembro passado. “Por questões logísticas relacionadas com a obra, e por cortesia do senhorio, será possível prolongar a nossa permanência até, em princípio, final de Fevereiro”, dá conta o comunicado de ontem, que explica no ponto seguinte: “este prolongamento apenas nos dará mais alguns dias para procurar e encontrar um novo espaço”.

 

O texto recorda ainda que, recentemente, foi entregue na Assembleia Municipal de Lisboa o resultado de uma petição apelando ao encontrar de uma solução para o clube, lançada a 5 de dezembro e que reuniu mais de um milhar de assinaturas. “Aguardamos da parte da CML novidades sobre esta procura”, refere a nota, antes de apelar a todos os sócios e simpatizantes a ajudarem na “procura e identificação de espaços adequados e disponíveis para receber a nova sede do Lusitano Clube”.

 

A direcção da colectividade fundada há 111 anos pretende assim esgotar todas as vias possíveis – oficiais e oficiosas – para salvar a própria existência, que se torna quase impossível sem um espaço onde possa desenvolver as suas actividades – as quais conheceram um forte incremento nos dois últimos anos, através de uma renovação dos corpos sociais, através da entrada em funções de um colectivo de jovens pelos quais David Costa dá a cara e que insuflou de vida uma agremiação até então entregue a uma existência timorata.

 

O presidente do clube tem esperança num desenlace feliz, seja através da ajuda de alguém da sociedade civil ou, como poderá vir a ser o caso, através do poder autárquico. Depois das queixas de menosprezo do problema por parte da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior e da Câmara Municipal de Lisboa, o auxílio poderá chegar desta última. No seguimento da visita dos responsáveis do departamento de desporto da câmara, o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, terá mesmo tentado sensibilizar o senhorio para a necessidade de encontrar uma solução que não passe pelo despejo do Lusitano. Sem resposta positiva, os responsáveis camarários estudam agora outras hipóteses.

 

Texto: Samuel Alemão                         Fotografia: Hugo David

 

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