O acolhimento de turistas através da plataforma online tem sido uma garantia de rendimento para um número crescente de senhorios e até de inquilinos da capital. Mas o aparente descontrolo em que o negócio tem sido realizado está a ter profundas implicações no mercado imobiliário. É cada vez mais difícil encontrar casa a preços razoáveis nas principais zonas da cidade. Além de começaram a cobrar uma taxa de um euro por noite, a partir de 1 de Maio, CML e Airbnb dizem que vão trabalhar em conjunto para “promover as regras e o funcionamento responsável do sector de turismo local”.

 

Texto: Samuel Alemão

 

Poderá ser um ponto de viragem, numa altura em que o fenómeno atingiu tais proporções e implicações na capital portuguesa que se torna impossível continuar a fingir não existir. A Câmara Municipal de Lisboa (CML) e a multinacional Airbnb – surgida em 2008, na cidade norte-americana de São Francisco, permite anunciar, encontrar e reservar alojamento em todo o mundo – prometem agora trabalhar em conjunto “para promover uma atuação mais responsável no alojamento local/home sharing”.

 

A ideia é, dizem, construir “uma comunidade aberta e transparente no sector e ajudando a promover o desenvolvimento sustentável do turismo em harmonia com outras áreas que ajudem a fazer de Lisboa um local melhor para viver, trabalhar e viajar”. A declaração de intenções faz parte do acordo assinado, nesta sexta-feira (15 de abril), entre as ambas as entidades, sobre a cobrança da Taxa Turística e o Alojamento Local Responsável.

 

Acabou-se o tempo do “livre de impostos e taxas” para quem recebe turistas em casa, através da conhecida plataforma online. A partir de 1 de maio, a Airbnb começará a coletar e enviar a taxa turística devida pelos visitantes, em nome dos operadores de turismo local (anfitriões) que estão nela inscritos, informa a autarquia em comunicado. O mesmo documento diz que a verba – 1 euro por noite até ao valor máximo de 7 euros (sete noites seguidas por dormida e por hóspede) – será acrescentada ao total pago pelos visitantes em todas as estadias na cidade e remetida à autarquia trimestralmente. “O novo processo é totalmente automático e integrado na plataforma Airbnb, facilitando que a Câmara Municipal de Lisboa receba esta importante fonte de receita”.

 

Em simultâneo, CML e Airbnb firmaram um acordo em que prometem “construir uma aberta e transparente comunidade de home sharing”. “Os parceiros trabalharão em conjunto para trocar dados sobre home sharing, para melhor entender este sector e estudar as suas características, incluindo o seu impacto em termos económicos e números de operadores e visitantes”, dizem, comprometendo-se ainda a trabalhar “em conjunto para promover as regras e o funcionamento responsável do sector de turismo local”.

 

Outro dos compromissos – além da promoção conjunta de Lisboa como como um centro global de inovação e de start-ups empresariais – é o de que “ambas as partes trabalharão para promover o turismo dentro de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento urbano sustentável para os residentes de Lisboa e seus visitantes”. O vereador das Finanças, João Paulo Saraiva, diz que “a implementação deste acordo com a Airbnb é um importante passo para simplificar o processo de coleta da taxa turística e tornar mais claras as formas de funcionamento do alojamento local. Este sector de atividade tem tido uma importante contribuição para a economia da cidade, na criação de emprego e como complemento do orçamento familiar”.

 

A taxa turística de Lisboa – cuja verba coligida reverterá para o Fundo de Desenvolvimento Turístico de Lisboa, “de forma a promover o sector dentro de uma estratégia de crescimento sustentável da cidade” – foi implementada a 1 de janeiro de 2016.

 

 

  • Luís Paixão Martins
    Responder

    Taxa turística de Lusboa passa a ser cobrada (à semelhança dos hotéis) pela Airbnb – alojamento local. https://t.co/HIv0aUBePj

  • Rute F.
    Responder

    RT @lpmpessoal: Taxa turística de Lusboa passa a ser cobrada (à semelhança dos hotéis) pela Airbnb – alojamento local. https://t.co/HIv0aUB…

  • Academia Cidadã
    Responder

    #turistificação https://t.co/NNV9Dd3thX

  • Isabel Maria Nogueira
    Responder

    Home sharing ??? Essa era a filosofia do airbnb no inicio, hoje são agentes imobiliários que arrendam casas “ikea” como casas típicas portuguesas,num mercado completamente desregulado com prédios inteiros dedicados ao AL ilegal , em bairros vazios de vizinhos,um belo negócio em que senhorios,intermediários que gerem as reservas,limpezas e lavagem de roupa não pagam impostos. Economia de partilha à muito que não existe, isto é um verdadeiro negócio da china !

  • Isabel Braga
    Responder

    Oxalá!!!

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