A persistência na proliferação de buracos no pavimento da cidade de Lisboa, agravada a cada Inverno, é tida pelo executivo municipal como um problema crónico, para o qual tardará uma solução definitiva. A autarquia está, porém, a trabalhar em “soluções mais estruturais” para o tentar resolver, de acordo com o seu vice-presidente, Fernando Medina. “A situação não é satisfatória, devido a um conjunto de causas”, disse Medina, durante o período antes da ordem do dia na reunião pública da Câmara Municipal de Lisboa, realizada na tarde desta quarta-feira. O autarca – que, na ausência de António Costa, conduziu os trabalhos – tentava assim ajudar os seus colegas vereadores Duarte Cordeiro e Jorge Máximo, após ser confrontado sobre o assunto por António Prôa, eleito pelo PSD.

“Seria bastante ingénuo tentar esconder o óbvio: as ruas da cidade têm sofrido com as intempéries. Dada a sua dimensão e as características das vias existentes, há muito tempo sujeitas a uma intervenção de remendos sobre remendos, esta é uma matéria que é difícil resolver de vez”, afirmou Duarte Cordeiro, detentor do pelouro das Estruturas de Proximidade, no primeiro ensaio de resposta ao vereador da oposição, após este ter posto em causa a capacidade da edilidade para cumprir uma das suas mais básicas incumbências. “A câmara, todos os anos, depois das chuvas, tapa buracos, mas, infelizmente, não resolve o problema”, afirmou Prôa, lamentando que, “face à necessidade de substituição integral do pavimento, se tenha optado pelo tapa-buracos”.

“É dinheiro desperdiçado, mal utilizado”, acusou, após denunciar a “baixíssima execução, face ao orçamentado para este assunto”. António Prôa, que recorreu a uma apresentação multimédia para apontar diversos casos de ruas esburacadas, incluindo fotografias, relatos da comunicação social sobre o problema e tabelas com valores, disse que apenas 25% do previsto nas contas da autarquia para esta rubrica 2013 terá sido efectivamente gasto. “Da dotação de 2,8 milhões de euros, apenas foram gastos 700 mil euros”, acusou o social-democrata, antes de referir que a inoperância do município também ficara patente na “baixa capacidade” para fazer cumprir os gastos previstos de 8,8 milhões de euros na rubrica referente à “manutenção do espaço público”. Terão ficado por utilizar “mais de seis milhões de euros”.

Por causa deste diagnóstico, ilustrado por várias imagens de buracos em diversos arruamentos da cidade, António Prôa lançou uma bateria de questões ao executivo camarário: “Qual é a avaliação que faz dos pavimentos na cidade de Lisboa? Qual o resultado dos sete milhões de euros anunciados para esta rubrica, para 2014? Existe um cronograma para resolver esta situação? Qual é o tempo médio de resposta da câmara face à denúncia das situações?”, foram as principais perguntas.

Face a tais dúvidas, o primeiro vereador a dar réplica foi Duarte Cordeiro, o qual, reconhecendo os problemas, lembrou que, face à melhoria das condições meteorológicas, “o período onde se torna mais sustentável dar uma resposta ao problema é a partir de agora”. Isto depois de admitir que o mesmo “é difícil de resolver de vez”, porque é um problema de grande dimensão e resultante da abordagem que lhe foi conferida ao longo do tempo. “Há dois tipos de resposta a esta questão: uma mais estrutural e outra de remendo, de tapa-buracos. Nunca foi intenção do executivo usar o tapa-buracos para dar uma resposta estrutural”, disse Cordeiro, antes de revelar que, no primeiro trimestre de 2014, a câmara terá gasto “meio-milhão de euros em tapa-buracos, num total de 665 ocorrências”.

Já o detentor do pelouro das Obras, Jorge Máximo, respondeu ao vereador do PSD que lançou as questões com uma argumentação assente nas “dificuldades financeiras resultantes da redução das receitas” municipais. “Não estamos numa situação financeira fácil, porque as receitas estão abaixo daquilo que têm sido”, disse Máximo, após ter igualmente lembrado os rigores do último Inverno para ajudar a justificar o mau estado recorrente e generalizado dos pavimentos de Lisboa. O vereador das Obras prometeu, todavia, a apresentação, até 30 de Junho, de um plano de acção para este assunto.

 

Texto: Samuel Alemão

  • Luís Leite
    Responder

    Porque será que nas outras capitais europeias não há buracos nos pavimentos?

  • Antonio Pinto Rodrigues
    Responder

    Nas três últimas onde estive a situação é mista. Paris é grande mas vi em várias zonas ruas com buracos. Em Bruxelas é misto também (tem mais a ver com obras). E em Amsterdão (a capital é haia mas adiante) não me lembro de ver um único buraco… parece que chove bastante por lá mas não haverá tantas amplitudes térmicas…

  • José
    Responder

    Os empreiteiros, são uns aldrabões. Fazem os trabalhos mal feitos, e camara NÃO PEDE CONTAS.

  • José Marin
    Responder

    Em miúdo no “Yellow Submarine” filme dos Beatles, já eu via a sátira aos “Buracos Lisboetas” … A fama é longínqua.

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