Câmara de Lisboa diminuiu em 17% o seu consumo de água durante a última década

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Samuel Alemão

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AMBIENTE

Cidade de Lisboa

2 Novembro, 2017

A adopção de medidas permanentes de redução do consumo de água e a melhoria da eficiência dos sistemas de rega, apesar do aumento da área total de espaços verdes na cidade, contribuiu para uma redução do consumo em 17%, na última década, garante a O Corvo a Câmara Municipal de Lisboa (CML). A situação de seca grave e extrema atravessada pelo país, ao longo deste ano, será pouco perceptível no quotidiano da capital portuguesa, mas a autarquia – responsável por 32% dos consumos na cidade – garante não estar indiferente ao fenómeno e aponta para o conjunto de práticas que têm vindo a ser adoptadas para aumentar a eficácia da utilização do cada vez mais escasso líquido. Há mesmo juntas de freguesia que deixaram de proceder à lavagem de ruas, como é o caso da das Avenidas Novas, numa decisão tomada em junho passado, quando o executivo era ainda liderado pelo PSD.

Questionada por O Corvo sobre as medidas de contenção tomadas para fazer face à seca, sobretudo na lavagem de ruas e na rega dos espaços verdes, a Câmara de Lisboa assegura que tem vindo a adoptar medidas permanentes de redução do consumo de água e de eficiência dos sistemas de rega, num reflexo do “impacto das alterações climáticas, das quais o verão deste ano é um bom reflexo”. “Há mais de quatro anos que a CML não usa água potável na lavagem da cidade. Os autotanques e lavadoras ao serviço da CML recorrem exclusivamente a águas residuais, tratadas, provenientes das estações de tratamento de Alcântara e de Chelas”, explica o gabinete de comunicação camarário. Ressalvando não estar a par das práticas de todas as juntas de freguesia, a mesma fonte diz saber que “várias juntas, como a das Avenidas Novas, atendendo ao período de seca, não têm vindo a fazer a lavagem dos passeios desde finais de junho e julho”.

A mesma preocupação tem presidido à forma como são tratados os espaços verdes da capital. “São exemplos dessas soluções a crescente utilização de prados de sequeiro e prados biodiversos, ou mesmo os parques hortícolas, onde o consumo de água para manutenção é bastante mais reduzido”, explica a câmara, referindo que, “por outro lado, têm vindo a ser introduzidos sistemas de rega mais eficientes (exemplo do Parque Eduardo VII e do Jardim do Campo Grande Norte) e assegurada a impermeabilização de lagos e fontes, de modo a minimizar as perdas”. “Neste ponto, Lisboa está entre as cidades que mais optimizaram as perdas da rede, fruto de um trabalho repartido com a EPAL”, garante a mesma fonte, sublinhando que, por tudo isto, e “mesmo com o aumento significativo de espaços verdes na cidade, estas medidas já resultaram numa redução efectiva de 17% no consumo de água nos últimos 10 anos”.

Os serviços municipais dizem ainda que, “no futuro, pretende-se que a rega dos espaços verdes possa ser feita com recurso a água reciclada, com ainda maiores ganhos ambientais”, reiterando a possibilidade de concretização de uma prática há muito prevista. De acordo com o estudo “Matriz da Água no Concelho de Lisboa 2014”, dos 8,2 milhões de metros cúbicos consumidos anualmente pelo município, 4,4 milhões (54%) são utilizados na rega de jardins, representando a lavagem de ruas o segundo maior consumo, com 1,7 milhões de metros cúbicos, ou seja 21%.

Nesse documento, apresentado em março de 2015, era apontado como objectivo da SimTejo – entidade responsável pelo tratamento dos esgotos dos concelhos de Amadora, Lisboa, Loures, Mafra, Odivelas e Vila Franca de Xira – a reutilização de águas tratadas, entre outros fins, “na irrigação paisagística, para jardins, parques, campos de golfe, áreas residenciais e comerciais e, de um modo geral, em áreas verdes”. A primeira vez em que tal medida foi implementada na cidade foi em 2009, quando a empresa municipal E-Nova, em conjunto com a EPAL e a SimTejo, promoveram um projecto de reutilização das águas residuais da ETAR de Chelas, para a lavagem de ruas e rega de jardins naquela zona.

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