Ainda não é desta que o Pavilhão Carlos Lopes é reabilitado e passa a ter uso. A Câmara Municipal de Lisboa vota amanhã a exclusão da proposta apresentada pela Fundação Aragão Pinto, liderada por Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, que ganhara o concurso público internacional para a reabilitação e exploração do pavilhão.

 
Em Março passado, muitos rejubilaram com a notícia de que havia uma proposta vencedora no concurso público internacional aberto pela Câmara Municipal de Lisboa para a concessão da exploração do Pavilhão Carlos Lopes: a da Fundação de Solidariedade Social Aragão Pinto, liderada por Bruno de Carvalho, actual presidente do Sporting.

 
Isso significava que, ao fim de mais de dez anos inactivo e a degradar-se profundamente, aquele equipamento colectivo da cidade iria ser recuperado, num investimento estimado em perto de sete milhões de euros. Significava também que passaria a ter ocupação, com as funções de um pavilhão multiusos, não só com valências desportivas, como permitindo a realização de eventos, o que poderia dinamizar a área onde se encontra.

 
A proposta de concessão à Fundação Aragão Pinto, a troco de rendas a pagar à autarquia, fora apresentada pelo vereador do Desporto, Manuel Brito. Na altura, a ideia foi questionada pelos vereadores da oposição, que quiseram saber qual seria o destino dos três milhões de euros de verbas do Casino de Lisboa, que a câmara previa aplicar na recuperação do Pavilhão Carlos Lopes. Em declarações à Lusa, em Março, o vereador Manuel Brito afirmou que a autarquia poderia utilizar esse montante para reduzir o prazo da concessão, que no máximo poderia ser de 35 anos.

 
Mas eis que na ordem de trabalhos da reunião camarária de amanhã, dia 10 de Julho, surge uma proposta subscrita por Manuel Brito e também pelo vice-presidente da câmara, Manuel Salgado, que prevê a exclusão da proposta que em Março era dada como vencedora, a de Bruno de Carvalho, entretanto eleito presidente do Sporting.

 
O Corvo tentou apurar junto da Câmara Municipal de Lisboa quais os motivos na origem do abandono da proposta apresentada pela Fundação Aragão Pinto. Mas não encontrou resposta às questões colocadas. O vereador Manuel Brito fez saber, através da assessora de imprensa da presidência, que não prestava declarações e só depois da discussão em câmara falaria sobre o assunto.

 
Infrutíferas foram também as tentativas feitas pelo Corvo junto do gabinete do vereador Manuel Salgado, que remeteu para o gabinete de comunicação e marca. Este gabinete respondeu ao Corvo via email: ” Infelizmente, não nos é possível atender ao seu pedido e enviar a proposta solicitada. Lamentamos eventuais inconvenientes”.

 
Já a oposição manifestou desejo de esclarecer a sua posição. “A proposta de concessão estava desde o início mal formulada. Não solicitava ao concorrente as necessárias garantias bancárias e, ainda por cima, tratando-se de uma IPSS. Por isso, pedimos a retirada daquela proposta para que fosse reformulada”, disse ao Corvo o vereador do PSD Victor Gonçalves.

 
Mas, segundo Victor Gonçalves, a autarquia terá optado por tentar anular a proposta e “contestar o júri do concurso, por ter aceitado as condições apresentadas pelo concorrente”. “Está mal, isso é pôr em causa o júri, que era presidido por um director municipal. E agora, com a exclusão da proposta, volta tudo à estaca zero e o Pavilhão Carlos Lopes continua a degradar-se”, salientou Victor Gonçalves. O pavilhão não só continua a degradar-se, como essa situação se mantém sem solução à vista.

 

 

Texto: Fernanda Ribeiro      Fotografia: Samuel Alemão

Comentários
  • Paulo Ferrero
    Responder

    Estava-se a ver… a CML implicou por alegada ligação da fundação a capitais da IURD, segundo consta 😉

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