Olhemos o chão que pisamos. A Câmara Municipal de Lisboa está a estudar a substituição da tradicionalmente denominada “calçada portuguesa” por outros materiais de revestimento dos passeios fora das zonas nobres da cidade. “Estamos à procura de soluções”, admitiu Manuel Salgado, vereador com o pelouro Urbanismo, na reunião pública do executivo, realizada na semana passada. “Estou de acordo que a calçada portuguesa é um elemento identitário da cidade, em certas áreas mais emblemáticas e centrais. Há, porém, zonas em que se devem utilizar outros materiais”, afirmou o autarca, depois de ter sido interpelado sobre a questão pelo vereador social-democrata António Prôa.

O elemento da oposição referia-se às sugestões, feitas recentemente por António Costa, presidente da autarquia, de que o quase hegemónico material de revestimento dos passeios poderia vir a ser substituído. Costa confirmara tal possibilidade, inscrita no Plano de Acessibilidade Pedonal de Lisboa, cuja consulta pública terminou há cerca de um mês. Em causa estarão questões relacionadas com a segurança e a acessibilidade em algumas zonas íngremes e de pessoas com mobilidade reduzida, sobretudo os mais velhos. “A calçadas, tal como estão, representam para os idosos uma das situações de maior risco de quedas”, reiterou Salgado, lembrando, contudo, que “existem posições antagónicas” sobre a questão.

Para além da sua funcionalidade e segurança, a calçada de vidraço apresenta, segundo o vereador , “um problema complexo de conservação” – “já não há artesãos que as façam como antigamente”, disse. Razão pela qual, sugeriu, muitos dos pavimentos apresentariam deficientes condições de conservação. Manuel Salgado lembrou que existem áreas da cidade, como a Alta de Lisboa, que não têm tal revestimento nos passeios. “Não temos uma posição fechada sobre isto. Muito pelo contrário. Estamos a fazer ensaios”, afirmou, durante a reunião em que António Costa não esteve presente.

Antes, António Prôa, do PSD, havia manifestado a sua preocupação com as afirmações recentes de Costa. “A medida e a forma do que vier a ser feito devem ser alvo de uma reflexão cuidada. A calçada é um elemento que deve ser valorizado e promovido. Tudo o que fôr de sentido contrário vai no mau caminho”, comentou o vereador da oposição. Já no início de Novembro, idêntica posição havia sido demonstrada publicamente pela Associação de Defesa do Património de Lisboa.

 

Texto: Samuel Alemão

  • sueli
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    Deveriam ser mostrados os números de acidentes ocorridos com as “calçadas portuguesas”. É uma armadilha. Os idosos sofrem com o piso escorregadio, a acomodação das pedras faz com que haja desníveis que provocam topadas involuntárias com o bico do sapato (eu dei uma topada e fraturei a rótula do joelho esquerdo que bateu mesmo na ponta de outra pedra saliente, os saltos finos dos sapatos das senhoras prendem-se no intervalo das pedras e também provocam tombos, as bengalas, as cadeiras de rodas, os carrinhos de bebé, todos sofrem com este “obstáculo” à mobilidade. Preservar e manter a identidade cultural sim, mas segurança também é importante e estes acidentes também causam custos financeiros e laborais às empresas e ao Estado (não esquecer que o Estado somos todos nós)

  • José
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    Concorde, com a substituição da calçada. É de dificil manutenção,a calçada como a da foto, NÃO TEM INTERESSE NENHUM.

  • Bruno Rocha Ferreira
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    Dá trabalho, muda-se como sempre. A experiência junto ao ministério da educação é medonha, com o brinde de várias placas soltas para quem quiser atirar.

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