O cenário não era bonito de se ver. A solução agora encontrada tampouco e, por isso, só vem sublinhar a necessidade de se avançar, o mais rápido possível, para a concretização do que está definido no Projeto de Requalificação da Zona da Frente Ribeirinha entre o Cais do Sodré e o Corpo Santo. Ante o desmazelo verificado nas imediações do edifício onde, até há meses, funcionava o restaurante Alma Lusitana, ali mesmo junto ao rio, foram colocadas grades metálicas nos alpendres existentes, no final do mês passado. Uma opção provisória da Câmara Municipal de Lisboa para tentar travar a decadência numa zona central e muito frequentada por turistas. O espaço encontra-se bastante degradado e, nos últimos meses, tem servido como ponto de encontro e tecto para indivíduos sem-abrigo. O cheiro a urina na área é uma constante.

 
O processo de degradação do edifício de madeira, situado ao lado da estação de caminhos-de-ferro e que em tempos funcionou como posto da Guarda Fiscal, iniciou-se mal o restaurante explorado pelo cozinheiro Luís Suspiro encerrou, no inverno passado – abrira em Abril de 2011, tendo antes o local sido ocupado por um café. “Já tínhamos alertado os serviços camarários para o estado de degradação do edifício, que se estava a tornar num espaço mal frequentado”, diz Fernando Duarte, presidente da Junta de Freguesia de São Paulo, lamentando o estado de degração a que chegou o local. O autarca deposita agora esperanças nas obras a realizar em toda a área do Cais do Sodré, através do Projecto de Reaqualificação da Zona da Frente Ribeirinha, cujo concurso público será lançado “em breve”. O plano prevê alterações profundas na circulação de automóveis e peões para a zona.

 
O plano de revitalização, que foi apresentado publicamente em Maio último, prevê a preservação do antigo posto da Guarda Fiscal, agora votado à negligência. No projecto base, da autoria do arquitecto Bruno Soares, propõe-se a “adaptação do antigo edifício da Guarda Fiscal atualmente ocupado com restauração, eliminando os atuais alpendres que o envolvem e repondo a traça original do edifício para apoio aos turistas e visitantes, podendo incluir aluguer de bicicletas e de outros meios de transporte suave. Neste sentido deverá ser demolida a esplanada coberta recentemente construída”. Por agora, prevalece um quadro desolador, salientado pelo gradeamento. O qual até parece nem ser assim tão eficaz. Uma funcionária de um restaurante vizinho diz ao Corvo: “As redes metálicas foram colocadas, mas eles têm forçado a entrada por trás. Entram na mesma”.

Texto e fotografia: Samuel Alemão

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