“C.M.L., onde andas?”

ACTUALIDADE
Rita da Nova

Texto

DR

Fotografia

VIDA NA CIDADE

Avenidas Novas

11 Julho, 2014

Na calçada ou no alcatrão, os buracos já fazem parte da paisagem, quando se circula pelas ruas de Lisboa. E o mesmo se pode dizer dos semáforos avariados que, sem a intermitência luminosa que lhes dá utilidade, mais não são que meros postes cinzentos. Tornaram-se um elemento quase natural, tanto que raramente lhes damos a atenção devida. Ainda assim, há quem esteja especialmente atento e alerte para o mau estado e funcionamento indevido das coisas.

 

Foi o que aconteceu com este buraco aberto no passeio da Rua Marquês Sá da Bandeira, junto aos muros que circundam o jardim da Fundação Calouste Gulbenkian. Alguém resolveu contar e sinalizar há quanto tempo este fosso permanece assim. A mensagem pintada no chão não é totalmente perceptível, mas duas coisas se conseguem ler: “6 meses” e “CML”, naquilo que parece ser uma interpelação à Câmara Municipal de Lisboa para resolver a questão.


 

Como esta parte do passeio é mais estreita – para deixar espaço ao estacionamento –, a existência do buraco complica a passagem de mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Os carrinhos de bebé são obrigados a transformar-se em veículos a sério e fazer alguns metros na estrada. Segundo o autor deste alerta em forma de graffiti, o problema existirá há, pelo menos, seis meses.

 

O buraco da Marquês Sá da Bandeira já teve, então, tempo para assistir a uma série de mudanças no país e no mundo: já ali estava quando morreu Eusébio e por ali permaneceu para ver Espanha mudar de rei ou para assistir à reestruturação do Banco Espírito Santo.

 

photo2

 

As reclamações deixadas no chão não ficam por aqui. É só preciso percorrer alguns metros na mesma rua, em direcção ao Largo de São Sebastião, para encontrar novo alerta. Mas no cruzamento com a Avenida Miguel Bombarda não há nenhum buraco no chão e é preciso estar um pouco mais atento para compreender qual é, afinal, o problema. As palavras “é preciso morrer alguém?” e “ano e meio” ajudam a resolver o mistério.

 

O semáforo, ali colocado para agilizar a passagem de peões naquela rua, parece ter desistido de viver. Não emite qualquer luz: nem vermelha, nem verde, nem sequer um amarelo intermitente de quem quer ressuscitar. Atravessando a estrada – com cuidado redobrado – encontramos a mesma pergunta que, uns metros de rua abaixo, se lia de modo menos claro: “C.M.L, onde andas?

MAIS ACTUALIDADE

COMENTÁRIOS

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografias & Fotografia

Paula Ferreira
Fotografía

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa

Send this to a friend