Texto: Rita da Nova

 

Na calçada ou no alcatrão, os buracos já fazem parte da paisagem, quando se circula pelas ruas de Lisboa. E o mesmo se pode dizer dos semáforos avariados que, sem a intermitência luminosa que lhes dá utilidade, mais não são que meros postes cinzentos. Tornaram-se um elemento quase natural, tanto que raramente lhes damos a atenção devida. Ainda assim, há quem esteja especialmente atento e alerte para o mau estado e funcionamento indevido das coisas.

 

Foi o que aconteceu com este buraco aberto no passeio da Rua Marquês Sá da Bandeira, junto aos muros que circundam o jardim da Fundação Calouste Gulbenkian. Alguém resolveu contar e sinalizar há quanto tempo este fosso permanece assim. A mensagem pintada no chão não é totalmente perceptível, mas duas coisas se conseguem ler: “6 meses” e “CML”, naquilo que parece ser uma interpelação à Câmara Municipal de Lisboa para resolver a questão.

 

Como esta parte do passeio é mais estreita – para deixar espaço ao estacionamento –, a existência do buraco complica a passagem de mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Os carrinhos de bebé são obrigados a transformar-se em veículos a sério e fazer alguns metros na estrada. Segundo o autor deste alerta em forma de graffiti, o problema existirá há, pelo menos, seis meses.

 

O buraco da Marquês Sá da Bandeira já teve, então, tempo para assistir a uma série de mudanças no país e no mundo: já ali estava quando morreu Eusébio e por ali permaneceu para ver Espanha mudar de rei ou para assistir à reestruturação do Banco Espírito Santo.

 

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As reclamações deixadas no chão não ficam por aqui. É só preciso percorrer alguns metros na mesma rua, em direcção ao Largo de São Sebastião, para encontrar novo alerta. Mas no cruzamento com a Avenida Miguel Bombarda não há nenhum buraco no chão e é preciso estar um pouco mais atento para compreender qual é, afinal, o problema. As palavras “é preciso morrer alguém?” e “ano e meio” ajudam a resolver o mistério.

 

O semáforo, ali colocado para agilizar a passagem de peões naquela rua, parece ter desistido de viver. Não emite qualquer luz: nem vermelha, nem verde, nem sequer um amarelo intermitente de quem quer ressuscitar. Atravessando a estrada – com cuidado redobrado – encontramos a mesma pergunta que, uns metros de rua abaixo, se lia de modo menos claro: “C.M.L, onde andas?

  • Rita da Nova
    Responder

    RT @ocorvo_noticias: “C.M.L., onde andas?” – http://t.co/b3yOPjIga2

  • Pedro N. Rodrigues 
    Responder

    “C.M.L., onde andas?” http://t.co/AAPKHuHKGQ via @RitadaNova

  • Maria de Morais
    Responder

    Palco de acidentes diarios, cruzamento rua da Madalena e rua da Conceiçao, semaforos desligados ha seis meses, inspirados pelo sinal virado ao contrario, automobilistas chico esperto conseguem fazer tudo o que é proibido inclusive descer a rua impunemente

  • Isabel Braga
    Responder

    E os buracos na Rua de São Filipe Nery!!! Já lá estavam quando o Papa anterior chegou ao Vaticano.

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